AVISO

OS COMENTÁRIOS, E AS PUBLICAÇÕES DE OUTROS
NÃO REFLETEM NECESSARIAMENTE A OPINIÃO DO ADMINISTRADOR DO "Pó do tempo"

Este blogue está aberto à participação de todos.


Não haverá censura aos textos mas carecerá
obviamente, da minha aprovação que depende
da actualidade do artigo, do tema abordado, da minha disponibilidade, e desde que não
contrarie a matriz do blogue.

Os comentários são inseridos automaticamente
com a excepção dos que o sistema considere como
SPAM, sem moderação e sem censura.

Serão excluídos os comentários que façam
a apologia do racismo, xenofobia, homofobia
ou do fascismo/nazismo.

sexta-feira, 12 de julho de 2019

OS PLACARDS RACISTAS DA ÁFRICA DO SUL



Há poucas palavras mais estreitamente associadas à história sul-africana do século 20 do que "apartheid", a palavra africâner para "separação" que descreve o sistema oficial de segregação racial da nação. E embora a divisão discriminatória entre brancos de ascendência europeia e africanos negros remonte à era do imperialismo britânico e holandês do século XIX, o conceito de apartheid só se tornou lei em 1953.

Uma placa que dizia: "Atenção, cuidado com os nativos!", bem comum em Johanesburgo, em 1956.
Os vexaminosos sinais e placas racistas que os sul-africanos tiveram que ver todos os dias durante 40 anos 01
Foi nesse ano que o parlamento dominado por brancos aprovou a Reserva de Serviços Separados. Lei, que oficialmente segregava espaços públicos como táxis, ambulâncias, carros funerários, ônibus, trens, elevadores, bancos, banheiros, parques, igrejas, prefeituras, cinemas, teatros, cafés, restaurantes, hotéis, escolas, universidades e -mais tarde, com uma emenda-, praias e beira-mar.

O apartheid era muitas vezes dividido em duas partes: o Pequeno e o Grande. Esses sinais sul-africanos mostrados neste artigo são exemplos do que foi conhecido como Petty Apartheid (pequeno), que era o lado mais visível do regime, segregando as instalações com base em raças.

Grand Apartheid referia-se às limitações subjacentes ao acesso dos sul-africanos negros à terra e aos direitos políticos. Essas eram as leis que impediam que negros sul-africanos vivessem nas mesmas áreas que os brancos. Eles também negaram a representação política e, na sua forma mais extrema, a cidadania na África do Sul.

O núcleo do sistema do Apartheid era a divisão de pessoas em grupos raciais usando uma série complexa e trivial de testes. O resultado foi a classificação da população em um dos quatro grupos: branco, negro, indiano e colorido (mestiços), com os grupos de mestiços e indiano subdivididos.

O infame "teste do lápis" decretava que se um indivíduo pudesse segurar um lápis no cabelo quando sacudisse a cabeça, não poderia ser classificado como branco. Os testes eram baseados principalmente na aparência: cor da pele, características faciais, aparência da cabeça e cabelo. Os testes eram tão imprecisos que membros de uma mesma família podiam ser classificados em diferentes grupos raciais.

Todos os anos as pessoas eram reclassificadas. Em 1984, por exemplo, 518 pessoas negras foram definidas como brancas, duas brancas passaram a ser chinesas, uma branca foi reclassificada como indiana, uma branca tornou-se mulata e 89 pessoas de cor tornaram-se negras.

Por razões políticas, diplomáticas e econômicas, certos grupos e seus descendentes, incluindo imigrantes japoneses, taiwaneses e sul-coreanos, foram classificados como "brancos honorários". Somente o grupo branco podia viver livre de quaisquer restrições. Todos os outros grupos raciais sofriam sob as leis do Petty Apartheid.

As maiores cidades e os centros eram habitadas só por brancos. Em volta das cidades existiam os guetos (grandes favelas), onde residiam os negros. Havia também os bairros de pessoas "amarelas" e de coloridos. As crianças de cada cor eram proibidas de brincar umas com as outras, fomentando ainda mais o preconceito.

Como esses sinais mostram, as restrições se intrometeram em todos os aspectos da vida. Enquanto grupos de cor e indianos tinham acesso a alguns privilégios, a distinção mais nítida era entre preto e branco. O Decreto de 1953 de Serviços Separados afirmava que as instalações não precisavam mais ser "substancialmente iguais". Assim as paradas de ônibus só para negros eram servidas por ônibus velhos e em mal estado. Ambulâncias apenas para negros paravam só em hospitais inferiores. A educação apenas para negros só podia ser encontrada em escolas inferiores exclusivamente negras. Praias, pontes, piscinas, banheiros, cinemas, bancos, parques e até mesmo cemitérios foram todos segregados.

Havia um punhado de lugares onde a segregação não ocorria, principalmente boates e igrejas que lidavam com drogas e drogados, respectivamente. Embora a falta de segregação nas igrejas não tenha acontecido por falta de tentativas. Os negros não podiam frequentar as igrejas brancas sob a Lei de Emenda às Leis Nativas das Igrejas de 1957, mas a lei foi amplamente inaplicada.

O presidente da África do Sul P.W. Botha começou a derrubar o Petty Apartheid no final dos anos 1970 e início dos anos 80. Mas enquanto os sinais externos do Apartheid começaram a sumir sob o governo de Botha, o nível de brutalidade contra os negros aumentou.

Após o fim do sistema do Apartheid em 1994, Botha foi considerado responsável pelas graves violações dos direitos humanos sob a Comissão de Verdade e Reconciliação da nação. Ele sustentou que não tinha arrependimentos.
Uma mulher sentada no vagão reservado para brancos protestando contra o Apartheid, em 1952.
Os vexaminosos sinais e placas racistas que os sul-africanos tiveram que ver todos os dias durante 40 anos 02
Crianças brancas brincando em uma lagoa marcada por uma placa que dizia "Para crianças européias somente.", em 1956.
Os vexaminosos sinais e placas racistas que os sul-africanos tiveram que ver todos os dias durante 40 anos 03
Sinalização em inglês e africâner, na estação de trem de Wellington, África do Sul, reforçando a política de segregação racial ou de apartheid, 1955.
Os vexaminosos sinais e placas racistas que os sul-africanos tiveram que ver todos os dias durante 40 anos 04
Sinais em inglês e africâner em Johanesburgo, em 1957.
Os vexaminosos sinais e placas racistas que os sul-africanos tiveram que ver todos os dias durante 40 anos 05
Um banco no Albert Park, em Durban, em 1960.
Os vexaminosos sinais e placas racistas que os sul-africanos tiveram que ver todos os dias durante 40 anos 06

Um ponto de táxi para pessoas brancas, em 1967.
Os vexaminosos sinais e placas racistas que os sul-africanos tiveram que ver todos os dias durante 40 anos 07
Uma placa do lado de fora de um parque restringe seu uso a "mães européias com bebês nos braços", em 1971.
Os vexaminosos sinais e placas racistas que os sul-africanos tiveram que ver todos os dias durante 40 anos 08
Apartheid em uma praia perto da Cidade do Cabo, em 1974.
Os vexaminosos sinais e placas racistas que os sul-africanos tiveram que ver todos os dias durante 40 anos 09
Apartheid em uma praia perto da Cidade do Cabo, em 1976.
Os vexaminosos sinais e placas racistas que os sul-africanos tiveram que ver todos os dias durante 40 anos 10
Um vagão com as palavras "não-brancos", em 1978.
Os vexaminosos sinais e placas racistas que os sul-africanos tiveram que ver todos os dias durante 40 anos 11

Um vagão ferroviário reservado apenas para pessoas brancas, em 1982.
Os vexaminosos sinais e placas racistas que os sul-africanos tiveram que ver todos os dias durante 40 anos 12
Banheiros restritos ao uso de "Negros, Mestiços & Asiáticos" em um banheiro de rodoviária. 1986.
Os vexaminosos sinais e placas racistas que os sul-africanos tiveram que ver todos os dias durante 40 anos 13
Placa indicando que a praia é restrita somente a pessoas brancas, em 1986.
Os vexaminosos sinais e placas racistas que os sul-africanos tiveram que ver todos os dias durante 40 anos 14
Um sinal onde podemos ler "Área de banho para brancos somente" em uma praia em Victoria Bay, Cabo Ocidental, em 1988.
Os vexaminosos sinais e placas racistas que os sul-africanos tiveram que ver todos os dias durante 40 anos 15
Um passadiço elevado sobre ferrovia com corredores separados para negros e brancos.
Os vexaminosos sinais e placas racistas que os sul-africanos tiveram que ver todos os dias durante 40 anos 16

www.mdig.com.br



Sem comentários: