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Sofia Vala Rocha, vereadora social-democrata em regime de substituição na Câmara Municipal de Lisboa nas últimas autárquicas, vai avançar com uma candidatura à concelhia do PSD/Lisboa com uma equipa só de mulheres.
Em declarações ao Expresso, Vala Rocha garante que representa os que anseiam pela "mudança" e diz acreditar ter todas as condições para ganhar numa das estruturas mais poderosas do PSD.
"Tenho condições de vencer as eleições a presidente do PSD de Lisboa se conseguir convencer os militantes do PSD a pagarem a sua quota e irem votar. Há milhares de militantes. Se cada um dos desiludidos pagar os 12 euros da quota anual, um euro por mês, resolve o problema do PSD em Lisboa. Basta que 500 militantes queiram que eu seja a nova presidente do PSD Lisboa. Ganho com os votos de quem quer a mudança. Venço com aqueles que têm saudades do tempo em que o PSD era o maior partido português", diz.
O anúncio da social-democrata, jurista, ex-deputada municipal e presença assídua nos espaços de opinião, mereceu algumas críticas nas redes sociais (onde também é presença assídua). Para justificar a decisão de escolher 24 mulheres para os 24 núcleos/freguesias do PSD/Lisboa, Vala Rocha foi perentória: "1) Porque são menos atreitas à corrupção; 2) são mais competentes; 3) são pragmáticas; 4) são as mais atentas às necessidades das pessoas", escreveu no Twitter.
Confrontada pelo Expresso com os casos de corrupção (ou suspeitas de corrupção) que envolvem mulheres na política, Vala Rocha insistiu na ideia de que a "esmagadora maioria" dos casos que "passam nas televisões e nos jornais" envolvem homens. "Nos casos mais recentes, estes dos autarcas, são homens. No caso dos bancos, quer os banqueiros que deram o dinheiro sem garantias, quer os devedores, são homens", argumenta.
Ainda assim, o facto de não existirem tantos casos de corrupção envolvendo mulheres não estará relacionado, precisamente, com a falta de representatividade das mulheres na política? O género estará diretamente relacionado com características como a apetência para a corrupção? Para a Sofia Vala Rocha, as mulheres "não têm muito tempo a perder com jogos de poder, não têm tempo para reuniões intermináveis", pelo que se presume que sejam menos corruptoras ou corruptíveis.
"Sempre rejeitei as características de género. Agora, nestes anos a fazer política, vi o seguinte. As mulheres não têm muito tempo a perder com jogos de poder, não têm tempo para reuniões intermináveis. Porque quando acaba o trabalho ou a actividade partidária, ainda têm de ir para casa cumprir outro turno. Vejo-as dedicadas a resolver os problemas. Muito pragmáticas e focadas. Aliás, as mulheres não gostam muito de disputar o poder. Mas chegou a hora de o fazer", diz ao Expresso.
No mesmo sentido: fazer depender a competência de alguém do género que tem não será uma generalização perigosa? Vala Rocha tem uma explicação: "As mulheres não são sempre mais competentes, como os homens não são sempre mais competentes. Mas a falta de competência não os impediu de ocupar a estrutura de poder. Mas elas estão lá em lugares secundários, nas estruturas intermédias. A fazer um trabalho de proximidade. As juntas de freguesia são um trabalho de proximidade. Elas merecem o reconhecimento de ser as candidatas a implementar o partido no terreno e as candidatas às juntas", argumenta.
As eleições naquela concelhia social-democrata realizam-se a 9 de novembro e acontecem depois de Paulo Ribeiro ter apresentado a demissão. O social-democrata afastou-se por discordar da indicação de um dos nomes avançado pela concelhia para as listas de deputados à Assembleia da República e dizendo-se vítima de uma "golpada" organizada por Luís Newton, presidente da Junta da Estrela. A situação foi de tal forma bizarra que Joana Monteiro - escolhida, a par de Rogério Jóia, como candidata da concelhia por manifesta vontade de Newton - veio negar publicamente o desejo de ser deputada.
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