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sábado, 5 de novembro de 2016

Ruas estreitas

Se a discussão na generalidade do Orçamento de Estado (OE) para 2017 mostrou alguma coisa foi um PSD e um CDS completamente perdidos.


Ontem João Almeida (CDS) e Montenegro (PSD), hoje Maria Luís Albuquerque (PSD) e Telmo Correia (CDS), vieram defender uma tese obstrusa. Este orçamento, tal como o de 2010, é de austeridade. E como tal, o Governo arrisca-se a levar o país à bancarrota. Bancarrota essa que teve de ser salva com uma austeridade ainda mais profunda, a que PSD e CDS se viram obrigados a aplicar, mas que deixou o país a crescer quando largaram o Governo para a esquerda, esquerda essa que agora se arrisca a dar tudo a perder com mais austeridade e com mais reposições de rendimentos...

Faz algum sentido? Não faz, à luz de quem defende a austeridade. Aí, é a verdadeira barafunda mental.

Mas há uma lógica. A austeridade de 2010 (socialista, imposta pela UE) piorou as contas públicas e foi recessiva, o que levou os mercados - sem a rede comunitária - a rebentar com as taxas de juro, algo que colocaria qualquer país em bancarrota. A austeridade de 2011-2013 (PSD/CDS e troika) afundou ainda mais o país, a ponto de ter de ser aliviada desde 2013 até 2015, até pela intervenção do TC. E essa interrupção da austeridade teve frutos. E a atenuação da austeridade, agora acentuada pela esquerda, terá melhores resultados ainda.

O exercício orçamental tem, contudo, um pecado original. A sua vantagem é - e bem! - que o BE e do PCP estejam apostados em fazer o caminho com o PS - até como forma de o convencer - até ao limite da possível aplicação do Tratado Orçamental (TO), antes que os serviços públicos se degradem inevitavelmente. Só por isso, não é possível ir mais depressa na desarticulação da austeridade.

Essa é, porém, uma rua estreita. Se a UE não evoluir, chegará um momento em que os três partidos terão de pensar – de preferência em conjunto, sob pena de a direita se ficar a rir – o que se fará a seguir. E não vai ser fácil.

  ladroesdebicicletas.blogspot.pt

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