AVISO

OS COMENTÁRIOS, E AS PUBLICAÇÕES DE OUTROS
NÃO REFLETEM NECESSARIAMENTE A OPINIÃO DO ADMINISTRADOR DO "Pó do tempo"

Este blogue está aberto à participação de todos.


Não haverá censura aos textos mas carecerá
obviamente, da minha aprovação que depende
da actualidade do artigo, do tema abordado, da minha disponibilidade, e desde que não
contrarie a matriz do blogue.

Os comentários são inseridos automaticamente
com a excepção dos que o sistema considere como
SPAM, sem moderação e sem censura.

Serão excluídos os comentários que façam
a apologia do racismo, xenofobia, homofobia
ou do fascismo/nazismo.

sábado, 26 de novembro de 2016

Biografia de Um Monstro do Blues – Sonny Boy Williamson




Sonny Boy Williamson foi, de muitas maneiras, a última lenda do blues. Na época de sua morte, em 1965, ele havia tido tempo suficiente para ter tocado com Robert Johnson no início de sua carreira e com Eric Clapton, Jimmy Page, e Robbie Robertson ao final da mesma. Neste hiato, ele bebeu muito uísque por todo os Estados Unidos, teve um programa de rádio de grande audiência por 15 anos, excursionou pela Europa com grande sucesso e simplesmente escreveu, tocou e cantou alguns dos maiores blues de todos os tempos gravados em vinil. Suas canções eram cheias de humor mordaz, com letras em grande parte autobiográficas. Embora ele tenha “emprestado” seu nome artístico de outro gaitista muito conhecido, ninguém realmente tocava como ele. Era tido como mal-humorado, como um homem amargo e suspeito, e ninguém teve mais confusão e desinformação sobre sua vida como Sonny Boy Williamson II. Mesmo a sua data de nascimento (ou 1897 ou 1909) e nome verdadeiro (Aleck ou Alex ou Willie “Rice” Miller ou Ford) são fatos que não podem ser verificados com certeza absoluta. De seus dias de infância no Mississippi absolutamente nada se sabe. O certo é que, por meados dos anos 1930, ele estava viajando para trabalhar sob o pseudônimo de “Little Boy Blues”, com lendas do blues como Robert Johnson, Nighthawk Robert, Robert Lockwood Jr. e Elmore James como intercambiáveis ​​parceiros de palco. Ao início dos anos 1940, ele foi a estrela da KFFA, uma rádio de blues com apresentações ao vivo. Como um dos principais artifícios para entrar de vez na história do blues, seu patrocinador sentiu que poderia vender mais seus produtos se associasse sua marca com Miller posando como a estrela de Chicago, John Lee “Sonny Boy” Williamson. Hoje em dia onde todo mundo sabe tudo, é difícil pensar que tal idéia funcionasse e muito menos prosperasse. Afinal, o Sonny Boy real era uma estrela discográfica nacional, e Millers tinha um estilo vocal e gaita que de nenhum modo derivava dele. Mas naquele tempo bastava Williamson não ir ao Sul para que a “farsa” não fosse descoberta. Quando John Lee foi assassinado em 1948 em Chicago, Miller tornou-se finalmente, em suas próprias palavras, “o Sonny Boy original.” Entre seus colegas músicos, ele geralmente era ainda referido como Rice Miller, mas para o resto do mundo ele, de fato, tornou-se o “verdadeiro” Sonny Boy Williamson.

Outra contribuição importante para a história do blues ocorreu quando Sonny Boy trouxe como convidado o ator Elmore James ao estúdio para uma sessão. Com Williamson na gaita e um baterista, Elmore gravou a primeira versão do que viria a ser sua canção de assinatura, de Robert Johnson, “Dust My Broom”. Neste momento, Sonny Boy tinha se divorciado de sua primeira esposa (irmã do bluesman Howlin “Wolf”) e se casou com Mattie Gordon. Em duas ocasiões diferentes Sonny Boy se mudou para Detroit e contribuiu para fazer a terra tremer com solos ao lado de Warren em 1954.

Para um artista de renome nacional, Williamson tinha uma propensão notável em desaparer por meses. Às vezes, quando as reservas de shows em Chicago ficavam muito magras, ele voltava para o Arkansas, para fazer programas de rádio patrocinados, por períodos breves. 
Em 1963 ele estava indo para a Europa pela primeira vez, como parte do Festival American Folk Blues. O boom da música popular norte americana estava em pleno andamento e os europeus estavam trazendo mais e mais artistas de blues, para enfrentar plateias brancas pela primeira vez. Sonny Boy lançou mão de seu saco de truques e roubou o show a cada noite. Ele amava a Europa e ficou na Grã-Bretanha quando a turnê acabou. Começou a trabalhar no circuito de clubes adolescentes, turnês e gravações com os Yardbirds e da banda de Eric Burdon, a quem ele sempre se referia como “Mammimals”. Nos passeios da Folk Blues, Sonny Boy era sempre muito digno e descontraído. Mas no cenário Beat Club, com bandas jovens de brancos, ele usava todos os truques juke-venture que possuia. “Help Me” se tornou um hit surpresa na Grã-Bretanha e na Europa. Em seus meados dos anos 1960 (ou possivelmente mais), Williamson foi verdadeiramente apreciado e teve toda a atenção do público, então se mudou para a Europa de forma permanente. Mas depois de receber sapatos arlequim de dois tons e terno de cavalheiro da cidade (com chapéu-coco, guarda-chuva enrolado e uma maleta cheia de gaitas), ele voltou para os Estados Unidos e foi ao Chess Studios para algumas sessões finais. Quando retornou à Inglaterra em 1964, era como um herói conquistador. Uma de suas gravações finais, com Jimmy Page na guitarra, foi intitulado “I’m trying make London my home”

Em 1965, ele finalmente voltou para casa, no Mississippi, pela última vez. Ainda vestindo o terno feito sob medida ele regalou os locais com histórias de suas viagens por toda a Europa. Alguns ficaram impressionados, outros que o conheciam há anos sabiam que poderia ter muito bem substituído o nome da Europa por “Marte”, para explicar suas façanhas, tão habituados que estavam aos contos fantasiosos de Sonny Boy.

Quando Ronnie Hawkins e seus ex-companheiros de banda, os Hawks, foram tocar na área, ele fez questão de procurar Sonny Boy e passou uma noite inteira apoiando-o, pois Sonny Boy tinha problemas nas articulações. Durante toda a noite, Williamson continuava cuspindo em uma lata de café ao lado dele, e quando Robbie Robertson se levantou para sair do palco durante uma pausa, ele percebeu que a lata estava cheia de sangue. Em 25 de maio de 1965, Curtis e Stackhouse estavam esperando nos estúdios da KFFA para Sonny Boy fazer sua transmissão diária, mas Williamson não apareceu, Curtis então dirigiu-se à pensão onde ele estava hospedado e o encontrou deitado na cama, morto, vítima de um aparente ataque cardíaco Ele foi enterrado no Cemitério Whitfield em Tutwiler, MS, e seu funeral foi à altura de seu renome nacional. 

Ele foi eleito para a  Blues Foundation Hall of Fame em 1980.
Seu legado e seu talento inconfundível ficaram para sempre marcados na alma dos verdadeiros amantes da Blues Music.


VÍDEOS










socoisaestranha.wordpress.com

Sem comentários: