Os Bosquímanos do Sul de Angola
Bushmen foi o primeiro nome porque foram conhecidos (Homens da Floresta). Este nome foi-lhes dado pelos holandeses (boers) por se tratar de uma etnia completamente identificada com a selva. Duramente perseguidos e exterminados por diversas tribus bantas guerreiras, tiveram de abandonar a sua tradicional forma de vida e, para poderem sobreviver, tiveram de se refugiar nas terras exteriores do deserto do Calaári, onde as condições de sobrevivência são extremamente difíceis.
A maioria dos bosquímanos existentes em território angolano, fixaram-se entre os rios Cunene e Cubango em território árido, algo inóspito, onde puderam até hoje permanecer, continuando a viver segundo as suas tradições primitivas. A maioria desses bosquímanos, são descendentes da tribu Kung que se fixou ao Norte do deserto do Calaári. Estima-se que possam existir em Angola cerca de 4000 a 5000 representantes desse povo perfeitamente adaptado à dura e difícil vida nas florestas.

Os bosquímanos possuem características físicas muito próprias da sua raça. A sua cor de pele não é tão escura como a dos bantos, a sua compleição física é bem menor do que a dos bantos. Referindo-me ainda à cor da pele, não só é mais clara, como acentuadamente acastanhada, chegando a ser, até em muitos casos amarelada. O seu rosto tem uma forma triangular com pómulas salientes e os olhos têm uma forma oblíqua muito semelhante à dos olhos dos mongóis. Possuem um nariz largo com orifícios grandes, ligeiramente virados para cima. A sua cabeça é dolicocéfala e coberta por um tipo de cabelo muito característico, que levou os boers da África do Sul a dar-lhe o curioso nome de cabeça de pimenta. As suas barrigas são muito salientes e as mulheres desenvolvem um traseiro saliente que se diz ter a propriedade de acumular reservas nutritivas sob a forma de gordura.

Os bosquímanos possuem um vestuário extremamente rudimentar formado por pequenos aventais de pele de animal selvagem, com que tapam o sexo e o rabo. Para se resguardarem da chuva e do frio possuem um manto de pele curtida, Usam também um alforge em que guardam e transportam consigo alguns dos seus alimentos constituídos por raizes, frutas sivestres e tubérculos comestíveis.As suas mulheres raramente se adornam e quando o fazem usam ornamentos simples e rudimentares, coisas artesanais, utilisando sementes de cores vistosas de acácias selvagens, pequenas missangas confeccionadas com cascas de ovos de avestruz e pulseiras feitas de pele de antílope.

O vestuário dos bosquímanos é extremamente limitado. Usam apenas o estritamente necessário. Os homens vestem um avental de coiro preso à cintura por um cinto de pele de antílope curtida. Este pequeno avental é colocado à frente sobre as partes sexuais, ocultando-as.
Os bosquímanos vivem agrupados em pequenos núcleos de um número reduzido de indivíduos e cabanas ou em simples abrigos bastante rudimentares. Na época seca e fria em que os alimentos começam a escassear mudam os acampamentos para outros mais favoráveis, chegando até a aproximar-se de zonas de implantação de outro povos da região. Os bantos dessas regiões designam-nos pelo nome de Ovambo- Kwankala . Por se tratar de um povo muito primitivo ainda não lhe fizeram um estudo sério. Fisicamente é raro que excedam a altura.de 1,76 m. Em média porém não ultrapassam a altura de 1,56 m. As mulheres ficam-se pelos 1,48 m. As moças bosquímanas costumam casar-se logo após as primeiras manifestações da puberdade. Trata-se de um povo essencialmente caçador e recolector. Na sua alimentação habitual integram vagens vegetais e sementes selvagens. Comem também pequenos roedores e alguns insectos.
Os seus acampamentos são em regra regidos por mulheres idosas “séculas” que respeitam e a quem obedecem. Para estes seres humanos muito primitivos existe uma regra de ouro: o matrimónio tem de ser indissolúvel, pois a mulher não pode ser abandonada por correr o risco de não saber sobreviver sozinha.
Quando as mulheres enviúvam não tornam a casar, passam a viver ao lado de um irmão ou de um parente. A mulher é muito mais estimada do que noutras etnias de raça africana. Para se tratarem não recorrem nem a adivinhos nem a curandeiros. Em matéria religiosa possuem apenas a noção da existência de um Deus supremo de que não conhecem os atributos e que não sabem definir, e que tanto pode ser bom, como mau.
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