Como seres humanos que somos, adoramos uma boa história de conspiração, segredo e segurança nacional. A Agência Central de Inteligência Americana, CIA, tem a mania de protagonizar a maioria delas. Apesar de suas operações obscuras (e motivos mais ainda) serem supostamente secretas, muitas delas vêm à tona e mostram que onde tem tumulto, conflito e instabilidade política, tem CIA. Quase sinônimo de truques sujos, a agência não se importa em usar qualquer tática que considere oportuna para lidar com qualquer ameaça (real ou percebida) aos interesses americanos. Os projetos espantosamente antiéticos e criminosos destacados nesta lista são, provavelmente, apenas a ponta do iceberg. Confira:
Operação PBSUCCESS
PBSUCESS foi o nome dado a um golpe apoiado pela CIA contra o governo democraticamente eleito de Jacobo Arbenz, presidente da Guatemala, em 1954. É uma das primeiras intervenções de uma longa lista da CIA em governos de países estrangeiros, e foi um sucesso do ponto de vista da agência – a primeira indicação de que tal façanha poderia ser feita de forma relativamente tranquila para os EUA.
Eleito em 1950, Arbenz iniciou reformas destinadas a tornar o seu país autossuficiente, dando enormes pedaços de terra do governo de volta para os cidadãos. Isso desagradou os EUA, já que grande parte desta terra era “posse” da United Fruit Company, uma corporação com a qual a administração de Eisenhower estava ligada (o diretor da CIA Allen Dulles e seu irmão John, Secretário de Estado, tinham fortes laços com a empresa). A CIA se referiu às políticas de Arbenz em memorandos internos como “um programa intensamente nacionalista de progresso colorido pelo sensível complexo de inferioridade antiestrangeiro da ‘República das Bananas’”. Em outras palavras, a não dependência sobre os EUA e seus aliados não deveria ser tolerada. 480 soldados mercenários treinados pela CIA, liderados pelo militar exilado guatemalteco Carlos Castillo Armas violentamente arrancaram o controle de Guatemala de Arbenz. Enquanto ele e seus assessores foram capazes de fugir do país, documentos da CIA mostravam que “a opção de assassinato ainda estava sendo considerada” até o dia em que Arbenz renunciou, em 27 de junho de 1954.
Operação Mongoose
Após a fracassada invasão à Baía dos Porcos de Cuba, a imagem pública da CIA estava pior do que nunca. Para lidar com a crise, o presidente Kennedy voltou-se para a única pessoa que sabia que podia confiar: seu irmão Robert, que organizou a Operação Mongoose. Esta operação foi realizada pelo Departamento de Defesa americano em conjunto com a CIA. Na primeira reunião da operação, foi dito que depor Castro era “a prioridade do governo dos EUA” e todo o resto era secundário – tempo, dinheiro, esforço e mão de obra não deveriam ser poupados. Entre as dezenas de métodos de assassinato propostos estavam infectar o equipamento de mergulho de Castro com tuberculose; plantar bombas em seu local favorito de mergulho; implantar uma caneta envenenada; e até mesmo envenenar ou colocar uma bomba em um de seus charutos. Todas as tentativas da CIA, no entanto, terminaram em fracasso e em um gigantesco desperdício de tempo e dinheiro. Castro foi ditador de Cuba por 49 anos, deixando o cargo em 2008 devido à saúde debilitada, e nomeando seu irmão mais novo como seu substituto.
Produção de filmes pornôs
O presidente Sukarno governou a Indonésia de 1959 até 1966, quando foi deposto por Suharto, um de seus generais. Sukarno tinha sido considerado pró-comunista pela CIA, o que significava que haveria, inevitavelmente, uma tentativa de derrubá-lo ou, pelo menos, desacreditá-lo. E a ideia que a CIA teve foi uma das piores já tidas pela agência: produzir um filme pornô estrelado por uma sósia de Sukarno, para distribuição na Indonésia. O filme chegou tão longe quanto produção e fotografia, mas, por algum motivo (talvez o senso comum), nunca foi implantado. Estranhamente o suficiente, essa ideia ressurgiu pouco antes da Segunda Guerra do Golfo, quando a CIA sugeriu que um falso filme pornográfico gay com Saddam Hussein ou Osama Bin Laden fosse produzido, a fim de desacreditar estes homens aos olhos de seus seguidores. Isso não deu em nada, com pelo menos um oficial afirmando que ninguém se importaria. “Tentar montar tal campanha é mostrar uma total incompreensão do alvo. Nós sempre confundimos os nossos próprios tabus como universais, quando, na verdade, eles são apenas os nossos tabus”.
Operação Mockingbird
Essa operação tem a ver com o relacionamento da CIA com a mídia. Jornalistas eram rotineiramente pagos pela CIA para desenvolver inteligência e coletar informações, ou para informar sobre determinados eventos de uma forma que retratasse os EUA favoravelmente. Por outro lado, havia pessoas na mídia que eram literalmente subornadas ou mesmo diretamente empregadas pela CIA para alimentar propaganda do governo. O objetivo era convencer o público de quão assustador era o comunismo, e se certificar de que a opinião pública apoiasse as atitudes dos EUA a qualquer custo. Ainda mais assustador foi o fato de que grandes editores de jornais e chefes de estações de TV foram comprados e pagos pela CIA, de forma que eventos significativos no exterior foram excluídos da cobertura na mídia – eventos como o golpe mencionado acima na Guatemala. Em 1976, foi revelado que a CIA vinha subornando jornalistas e editores por anos. Após algumas audiências, o então diretor da CIA e futuro presidente George H. W. Bush anunciou: “A partir de agora, a CIA não vai entrar em qualquer relacionamento pago ou contrato com qualquer correspondente de notícia credenciado por qualquer serviço de notícias dos EUA, seja jornal, revista, rádio ou rede ou estação de televisão”. No entanto, ele acrescentou que a CIA iria continuar a receber o apoio voluntário dos referidos jornalistas.
Operação CHAOS
Protestos contra o envolvimento dos EUA no Vietnã revelaram-se um problema para os planos do governo em meados dos anos 1960. Enquanto Mockingbird estava ocupada tentando empurrar a necessidade da guerra na garganta do público, a “contracultura” não podia ser controlada com tanta facilidade. A CIA tentou eliminar qualquer influência estrangeira sobre o movimento antiguerra americano ao lançar a operação CHAOS. Como o programa COINTELPRO de vigilância doméstica do FBI não estava produzindo os resultados desejados, o presidente Lyndon B. Johnson autorizou a CIA a empreender seu próprio programa de espionagem sobre cidadãos norte-americanos. Sua principal tarefa era infiltrar organizações, tanto de estudantes radicais quanto outras, a fim de coletar informações sobre possíveis influências estrangeiras, e subverter esses grupos a partir de dentro. Coligações de destaque, como “Estudantes para uma Sociedade Democrática” e os Pantera Negras foram alvo do programa, além de grupos de liberação das mulheres e grupos judaicos. Há forte evidência de que esse tipo de atividade não cessou nos EUA, embora a operação CHAOS em si tenha sido terminada após o escândalo Watergate. Em 2011, a agência foi acusada de trabalhar com o Departamento de Polícia de Nova York para realizar vigilância de grupos muçulmanos na área, que não tinham feito nada de errado e que agora estão processando o governo na Justiça Federal.
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Operação Phoenix
Phoenix foi um programa liderado pela CIA em conjunto com Forças Especiais dos EUA e comandos australianos e sul-vietnamitas durante a Guerra do Vietnã. Seu objetivo era simples: assassinar. Embora fosse uma unidade militar, seus alvos não eram militares, mas civis. De 1965 a 1972, Phoenix se envolveu no sequestro, tortura e assassinato de milhares e milhares de cidadãos. Pessoas consideradas críticas para a infraestrutura vietcongue, ou que poderiam ter conhecimento das atividades da mesma foram presas e levadas para centros de interrogatório onde foram submetidas a violação corporal (por pessoas, animais como enguias e cobras e objetos), choque elétrico, tortura, suspensão, espancamento com mangueiras de borracha e chicotes, assassinato e muito mais. Phoenix foi o tema de uma investigação de 1971 sobre abuso. Ex-membros o descreveram o como um “programa de assassinato despersonalizado estéril”, e ele foi extinto após a publicidade negativa, embora outra operação, F-6, foi discretamente colocada em seu lugar.
Operação Ajax
O sucesso da Operação Ajax abriu o caminho para todas as futuras operações da CIA de natureza similar. O programa resultou no retorno ao poder de um Xá em 1953, após um golpe militar planejado pela inteligência americana e britânica. O primeiro líder democraticamente eleito do Irã, o primeiro-ministro Mohammed Mossadegh, foi visto como um problema pelos EUA por causa de seus planos de nacionalizar a indústria petrolífera. Com medo de ter que competir com a União Soviética pelo petróleo iraniano, a CIA decidiu instalar um líder parcial aos interesses dos EUA. Os agentes Donald Wilber e Kermit Roosevelt (neto de Theodore Roosevelt) realizaram uma extensa campanha para subornar todo mundo que podia ser subornado no Irã: funcionários do governo, líderes empresariais e até mesmo criminosos de rua. Estes recrutas foram convidados a apoiar o Xá de várias maneiras, e se opor a Mossadegh. Funcionou: uma revolta foi instigada, Mosaddegh foi preso, e um iraniano pró-ocidental, o general do exército Fazlollah Zahedi, foi instalado no poder em seu lugar. Zahedi tinha sido preso pelos britânicos durante a Segunda Guerra Mundial para tentar estabelecer um governo nazista, e confirmou esse legado nomeando Bahram Shahrokh, um protegido de Joseph Goebbels, como seu diretor de propaganda.
revoada.net
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