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quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Histórias do Futebol em Portugal (16)... Taça Império e Taça Estádio: As "sementes" da Supertaça Cândido de Oliveira

A vistosa Taça Império


























1944 é um ano marcante não só na história do futebol português como na história do desporto lusitano de uma forma geral. 

A 10 de junho desse ano eram oficialmente abertas as portas daquela que ainda hoje é considerada a mais emblemática sala de visitas do desporto de Portugal, o Estádio Nacional. 


Uma obra - à época - majestosa, que colocava a nação lusa em pé de igualdade com as maiores potências europeias de então, no que dizia respeito a infraestruturas desportivas modernas e de grande dimensão. 


Uma obra que teve o cunho do Estado Novo, nascida no berço da ditadura salazarista e cuja idealização remontou a 1933, altura em que na sessão de encerramento do Congresso dos Clubes Desportivos o presidente do Conselho, Oliveira Salazar, vincaria a importância do desporto enquanto veículo de educação da juventude com vista «ao crescimento de uma raça forte e sã que pudesse vir a defender o seu país». Concluída essa sua visão deixaria no ar uma promessa aos desportistas lusos: a construção de um Estádio Nacional! 

Um ano depois foi lançado o concurso para a edificação da catedral do desporto português, ficando definindo que esta seria erguida no Vale do Jamor e iria contemplar não só um moderno estádio como também um vasto leque de outras infraestruturas desportivas. 


pontapé de saída na empreitada - projetada por (Eng.) Duarte Pacheco - foi dado em 1939, sendo que o apito final ocorreu cinco anos volvidos. Para a inauguração da obra uma pomposa festa foi agendada então para o dia 10 de junho de 1944, naquela que se constituiu como uma das maiores manifestações populares promovidas pelo Estado Novo e onde na qual marcaram presença cerca de 80.000 pessoas. 


Densa massa humana que preencheu as bancadas do imponente recinto que ali se inaugurava e que testemunhou o vasto programa festivo desenhadopara celebrar a efeméride, programa esse pautado - sobretudo - por inúmeros desfiles de desportistas oriundos de inúmeras representações nacionais da Mocidade Portuguesa. 
Um dos muitos desfiles que ocorreram no dia
da inauguração do Estádio Nacional
























Porém, o ponto alto da cerimónia foi protagonizado pelos dois mais laureados clubes da capital, Sporting e Benfica, emblemas que disputaram um sempre animado e intenso duelo futebolístico. 

Os leões subiam ao recém inaugurado tapete verde do Estádio Nacional na qualidade de campeões nacionais, ao passo que as águias o faziam enquanto detentores da Taça de Portugal. 


O prémio para o vencedor deste capítulo do dérbi eterno seria atribuído em dobro, isto é, o clube que chegasse ao fim na frente do marcador levaria para casa dois troféus, a Taça Império, instituída pela Federação Portuguesa de Futebol, e a Taça Estádio, oferecida por Salazar para celebrar a ocasião. 


E eis que a bola começa a rolar perante o olhar das bancadas que fervilhavam de entusiasmo. 


O Benfica teve um ligeiro ascendente no iníco do encontro, mas seria o Sporting a abrir o marcador quando estavam decorridos 10 minutos por intermédio do feroz leão Fernando Peyroteo, que assim batia pela primeira vez naquela tarde festiva o guardião Martins, escrevendo desde logo uma página na história do desporto nacional, e muito em particular do futebol luso, já que dos seus pés havia saído o primeiro de muitos remates certeiros que seriam desenhados no mítico palco. Já no segundo tempo Espírito Santo empataria a contenda, oferecendo desta forma aos presentes mais 30 minutos suplementares de futebol. 

Quase logo após o pontapé de saída do prolongamento Peyroteo voltou a fazer estragos na área encarnada ao fazer o seu segundo golo da tarde. Tento que animou os leões, que embalados chegariam ao 3-1 por intermédio de Eliseu. Julinho ainda iria reduzir para o Benfica, um golo que seria insuficiente para impedir a vitória sportinguista por 3-2. Nesse encontro as equipas alinharam com: 


Sporting - Azevedo, Manecas, Canário, Álvaro Cardoso, Barrosa, Eliseu, Mourão, António Marques, Peyroteo, Cruz e Albano. 

Benfica - Martins, César Ferreira, Carvalho, Jacinto, Albino, Francisco Ferreira, Espírito Santo, Arsénio, Julinho, Jaime e Rogério. 
Uma vista panorâmica do duelo entre Sporting e Benfica no dia 10 de junho de 1944



O Sporting arrecadava os dois troféus em disputa e mostrava o porquê de ser a melhor equipa do futebol português daquele tempo. Este simples jogo de futebol - e apontamento principal do cartaz festivo de propaganda fascista daquela tarde de junho de 44 - acabaria por servir de inspiração aos responsáveis vindouros do futebol português, os quais cerca de três décadas mais tarde se basearam nele para criar a terceira competição futebolística de maior importância do futebol português: a supertaça. 

Prova esta que desde 1979 é disputada pelo campeão nacional e pelo vencedor da Taça de Portugal, e que desde 1981 passou a chamar-se Supertaça Cândido de Oliveira, em homenagem a um dos maiores vultos da história do futebol em Portugal, precisamente o mestre Cândido de Oliveira.
Vídeo: EXCERTO DE UM DOCUMENTÁRIO SOBRE A INAUGURAÇÃO DO ESTÁDIO NACIONAL EM QUE SURGE UM BREVE RESUMO DO JOGO ENTRE SPORTING E BENFICA 



museuvirtualdofutebol.blogspot.pt

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