Ontem estive a ver o impeachment ou impugnação de mandato da Presidente do Brasil Dilma Rousseff. Sei que muitos Portugueses também estiveram a ver. Na mente desses Portugueses, certamente que houve a seguinte questão: "O Brasil tem 513 Deputados!? Não me admira que estejam falidos..."
Pois bem, o Congresso Brasileiro tem 513 Deputados e, por ser uma República Federal com 25 Estados, também tem 81 Senadores. Por outro lado, A Assembleia da República Portuguesa tem 230 Deputados. O Brasil tem cerca de 205 Milhões de Habitantes e Portugal tem um pouco mais de 10 Milhões.
Fazendo as contas, cada Deputado Brasileiro representa cerca de 399.540 Brasileiros. Por outro lado, cada Deputado Português representa apenas 45.108 Portugueses. Fazendo também as contas e mantendo a representatividade brasileira, a Assembleia da República bastaria ter apenas 26 Deputados.
Mas, porquê 230 Deputados em vez de apenas 26 Deputados!?
Há um conjunto de razões para haver este número de Deputados em excesso. A principal razão está relaccionada com o Partidarismo em si, ou seja, há uma demanda em cada Partido para ter Deputados. Sim, essa demanda existe porque, assim que se chega à Assembleia da República, cada Partido recebe um valor monetário por cada Voto depositado em Urna. Por outras palavras, a Assembleia da República representa uma fonte de rendimento para os Partidos.
Depois desta razão principal, existem as razões pessoais de cada Deputado. Como é sabido, o Cargo de Deputado é um passatempo para quem o ocupa. Deste modo, podem ter outros trabalhos em empresas que lucram com as Leis que são criadas na Assembleia da República. Um exemplo disso é a Maria Luís Albuquerque que é Administradora não Executiva da "Arrow Global". No caso do Deputado ser Advogado ou Jurista, coisa que Maria Luís Albuquerque não é, ainda têm tempo para trabalhar em diversas Sociedades de Advogados em que, muitas defendem indivíduos que lucram e se "safam" com as Leis criadas na Assembleia da República.
Paralelamente, há a questão Partidária. Ter muitos Deputados com um regime de passatempo, permite um grande volume de contratação interna em prol dos Partidos, o famoso "Jobs for the Boys". Este volume de contratação, a maior parte em Acessoria, tem como tarefa manter fora do desemprego inúmeros Militantes que, de outra forma, não poderiam trabalhar devido aos seus fracos Currículos. Currículos esses que são fracos devido à sua longa carreira isolada da Realidade mediante as Juventudes Partidárias.
Finalmente, isto não acontece só na Assembleia da República mas também no Governo e na Presidência da República. Quem é que paga este verdadeiro "enxame" de individualidades que vivem para os seus interesses e para os interesses partidários!? Nós, o Povo que vive numa constante sobrecarga fiscal para pagar este exagero de ordenados.
Mas no Brasil não acontece isto!?
Claro que sim. Mas, no Brasil, ser-se Político ou Governante não é um passatempo. É uma actividade a Tempo Inteiro e isso faz uma colossal diferença. O Político ou Governante Brasileiro pode ser corrupto mas, trabalha com afinco para essa corrupção, enquanto que o Político Português, como preguiçoso que é, nem para cometer estes crimes, que só o beneficiam a si e ao seu Partido, tem vontade de trabalhar.
Qual o impacto exterior desta Preguiça Política Portuguesa (PPP)!?
O impacto desta PPP é enorme. Quando o Político Português é eleito para Cargos Internacionais como os da União Europeia, da Organização das Nações Unidas e outros Organismo Internacionais, tem um choque devido à quantidade de trabalho que tem pela frente.
Curiosamente, quando temos visitas internacionais como as mais recentes da Troika, somos conotados de preguiçosos e que somos um Povo que odeia o trabalho. É natural que assim seja mas, mais uma vez, essa imagem é apenas a dos nossos Políticos e Governantes. Só tenho pena que essas visitas não conheçam o verdadeiro Povo que trabalha, que sofre e que não tem dinheiro para pagar as suas contas.
Curiosamente, quando temos visitas internacionais como as mais recentes da Troika, somos conotados de preguiçosos e que somos um Povo que odeia o trabalho. É natural que assim seja mas, mais uma vez, essa imagem é apenas a dos nossos Políticos e Governantes. Só tenho pena que essas visitas não conheçam o verdadeiro Povo que trabalha, que sofre e que não tem dinheiro para pagar as suas contas.
Assim sendo, é fácil perceber as palavras da Presidente da Alemanha, a Sra. Angela Merkel, que diz que "vivemos acima das nossas possibilidades". No entanto, esta Presidente comete o pecado de só conhecer a Classe Política e de Governantes de Portugal. Como tal, sugeria que se deslocasse à Sede da Volkswagen em Wolfsburgo e perguntasse ao seu Presidente, o Sr. Matthias Müller, o quanto os Portugueses trabalham na sua fábrica em Palmela, a Auto-Europa.
oourico.blogs.sapo.pt
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