Ainda que continue a persistir uma preponderância da opinião de direita no espaço público mediático, no que está longe de refletir uma proporcionalidade da sociedade, e depois de a esquerda ter estado durante anos tapada por um baronato de socialistas offshore - de olho nas grandes negociatas -, parece que a situação começa a ser corrigida com evidentes ganhos na pluralidade de opinião. Gentes da área do PS, do BE e independentes de esquerda têm vindo a estar mais presentes nos espaços de debate público. A clara exceção é o PCP.
É corrente admitir-se que o PCP tem mais influência na sociedade do que o refletido nas eleições nacionais, por isso, não parece difícil concluir que jornalisticamente é relevante perceber o que pensa e discute.
Partindo deste ponto, e sem intenção de esgotar o tema, há duas famílias de argumentos que procuram explicar o facto. Da parte de quem escolhe invoca-se a pouca autonomia e capacidade de discussão além do que são as posições, temas e jargão do partido. A outra parte justifica-o como uma ação deliberada de quem tem influência na comunicação social para excluir os seus pontos de vista do debate público.
Conseguindo encontrar razões nos dois argumentos, permito-me ensaiar um terceiro. Há um preconceito de classe que tende a menorizar as opiniões que estão próximas do PCP se não fizerem permanentes juras de distanciamento. Mais, esse preconceito é transversal à esquerda e à direita e até encontra um ou outro adepto dentro do partido. Há mais de 20 anos que a caracterização dos dinossauros em extinção se impôs.
O atual quadro governativo dificulta ainda mais a ação do partido. Mesmo que tenha sido por iniciativa do PCP que houve condições para construir esta maioria parlamentar, esse facto não ficará para a história. Com a pouca presença no espaço público e a ausência do governo, tudo o que de bom conseguir alcançar será atribuído a outros, partilhando o ónus de todos os infortúnios. Sem forma de mostrar a nível nacional o seu trabalho autárquico ou de explicar a sua ação política fora dos meios do partido, o PCP corre sérios riscos de passar uma legislatura a apagar fogos sem meios de combate a incêndios.


1 comentário:
ISTO JÁ SÓ LA VAI COM LUTA E UMA REVOLUÇÃO A SÉRIO ONDE ESTA GENTE NAO TENHA LUGAR ONDE NÃO HAJA LUGAR A ESTES BARÕES DO CAPITAL PAUS MANDADOS VIVA O PCP
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