AVISO

OS COMENTÁRIOS, E AS PUBLICAÇÕES DE OUTROS
NÃO REFLETEM NECESSARIAMENTE A OPINIÃO DO ADMINISTRADOR DO "Pó do tempo"

Este blogue está aberto à participação de todos.


Não haverá censura aos textos mas carecerá
obviamente, da minha aprovação que depende
da actualidade do artigo, do tema abordado, da minha disponibilidade, e desde que não
contrarie a matriz do blogue.

Os comentários são inseridos automaticamente
com a excepção dos que o sistema considere como
SPAM, sem moderação e sem censura.

Serão excluídos os comentários que façam
a apologia do racismo, xenofobia, homofobia
ou do fascismo/nazismo.

sábado, 23 de abril de 2016

O evangelho segundo o Carbono


by Demétrio Alves


Foi mesmo um grande sucesso a Cimeira de Paris?
Por que motivo desde 1992, quando teve lugar no Rio de Janeiro a importante Conferencia das Nações Unidas "United Nations Conference on Environment and Development (UNCED)", também conhecida como Cimeira do Rio, não se deram passos significativos quanto aos principais documentos então aprovados e que, note-se, não tinham a ver apenas com as designadas "alterações climáticas"?O processo, em curso, da chamada Convenção sobre o Clima – UNCCC , foi apenas um dos resultados saídos nessa cimeira do Rio. De facto, na Declaração do Rio incluíram-se muitos e importantes aspetos relacionados não apenas com o "clima", mas com o desenvolvimento e ambiente em geral:
Agenda 21
Proteção das florestas
Convenção para a Diversidade Biológica
Convenção para o combate à desertificação.
Mas, desde que alguns políticos como Al Gore e outros descobriram que a "razão das suas vidas" era a questão das alterações climáticas, no princípio designadas como "aquecimento global", tudo e todos se passaram a focar apenas no "desgraçando CO2" que até nem é um poluente!
Porque?
De onde surge e por que subiu à tona este impulso "humanitário global"?
Gente que não dá combate à fome que grassa em grandes regiões mundiais, ao subdesenvolvimento, às guerras (aliás, continuam a propaga-las), ao narcotráfico, ao fabrico e comércio ilegal de armas, aos paraísos fiscais, às neoescravaturas, à corrupção, etc., passou a ser campeã da salvação do mundo! 
Por que motivo as causas acima referidas não mereceram ainda da parte de tantos "paladinos do progresso climático" igual atenção pública e política?
Que interesses disputam o protagonismo quando se fala em mecanismos e consequências da intervenção antropogénica no clima?
Por maior impacte mediático e dramático do tema? Porque estão em jogo os interesses económicos estabelecidos nos países centrais do capitalismo mundial? Porque à pala do combate climático se alimentam grandes negócios de 'novo tipo'?
Os países ou regiões mundiais grandes emissores de CO2 – China, EUA, União Europeia, Índia, Rússia, Japão – bem como os países com capitações de emissão mais altas – EUA, Canadá, Austrália, Arábia Saudita, Emiratos Árabes – que conjuntamente são de longe responsáveis pela maior parte das emissões antropogénicas, são, também, grandes potências político-económicas no quadro contemporâneo. Só que alguns, são-no há um século, e outro emergiram há duas décadas, com destaque para a China, a Rússia e, até, o Brasil! Será que há interesses europeus e americanos em criar dificuldades ao crescimento destes novos "players" como agora se diz?
A cimeira de Paris não insistiu, aliás, desistiu de um verdadeiro plano de compromisso mundial quanto aos volumes de emissões antropogénicas toleráveis. Aliás, aqui para nos: que nunca seria viável!
Na Cimeira de Paris, e na cerimónia ontem encenada, abandonou-se, de facto, o compromisso com metas e ritmos detalhados por país, aprovadas em Quioto em 1997, que não foram em geral cumpridas (recordar o flop dos mercados da designada bolsa do carbono), para agora fixar no horizonte longínquo de 2100, um limiar de elevação de temperatura não superior a mais ou menos 2ºC.
É isto um triunfo?
Ate 2100 vão cerca de oito décadas. Uma vida humana e várias gerações. 
Até lá, cada dirigente político das "democracias instaladas" poderá citar as alterações climáticas como dogma para conduzir suas políticas industriais, energéticas, fiscais, financeiras e ambientais. Mas, atenção, sempre tendo como meta o lucro, o neoliberalismo, e o sacrossanto princípio da concorrência, na especulação urbanística, porque, essas coisa não têm nada a ver com o clima! O problema será sempre o CO2 e o CH4!
É a cruzada climática baseada no "evangelho do carbono". O demónio, aqui, é o dioxido que nos ameaça, não com as labaredas do inferno, mas com o mar que, estando a subir, nos irá engolir.
Em 2100 os cientistas deverão estar finalmente habilitados (?) para descortinar as causas da eventual subida da temperatura observada (na superfície do mar ou da terra, na baixa ou alta atmosfera) atribuível a esta ou aquela crise vulcânica, ou crise solar, ou ao CO2, ou ao CH4, e outros gases e partículas de origem antropogénica, da responsabilidade deste e aquele país, indústria ou corporação. 
Mas, os nossos netos, que virão a pensar de tudo isto?
Uma coisa é certa: numa revista cor-de-rosa, depositado na mesa de um cabeleireiro onde fui, garante-se que "agora é que o combate climático vai de vento em popa".
Portanto, estamos garantidos.

pracadobocage.wordpress.com

Sem comentários: