A Câmara dos Deputados do Brasil aprovou ao início da madrugada desta segunda-feira o processo de destituição da presidente Dilma Rousseff instaurado pela oposição.
O processo foi aprovado por 367 votos, enquanto 137 deputados votaram contra a destituição. Outros 7 abstiveram-se e 2 faltaram.
Com a aprovação do parecer que pede o afastamento de Dilma, o caso segue agora para o Senado, que vai fazer o julgamento definitivo da presidente.
Se a comissão do Senado a que o caso deve ser apresentado decidir pela continuação do processo, Dilma Rousseff será afastada do cargo provisoriamente por até 180 dias, e o vice-presidente, Michel Temer, assumirá interinamente a presidência.
Dentro do plenário, a sessão teve momentos muito tensos, forçando a Polícia Legislativa a usar a força para tirar do palco deputados do Partido dos Trabalhadores que aparentemente pretendiam ou ameaçaram agredir o presidente do parlamento, Eduardo Cunha, adversário de Dilma e principal promotor da rapidez com que o processo contra a presidente tramitou.
Quando a votação se iniciou, cada um dos 513 deputados foi chamado ao palco e declarou o seu voto em alto e bom som. No lado de fora, em frente ao Congresso e separados deste por um gigantesco efetivo policial com milhares de agentes, outros milhares de manifestantes pró e contra Dilma assistiram à votação. Para evitar confrontos, grupos pró e contra a destituição foram posicionados em lados opostos da enorme avenida, separados por três barreiras de grades e um muro que não permitia que uns vissem os outros. Tanto em Brasília quanto nas dezenas de cidades por todo o país onde houve manifestações a favor e contra o processo, os atos foram pacíficos até ao final da votação. Mas havia em diversas regiões o temor das autoridades de que o desfecho desfavorável a Dilma Rousseff pudesse gerar protestos violentos, principalmente por parte de movimentos sociais radicais, como os "Sem Terra", os "Sem Tecto" e sindicatos ligados ao Partido dos Trabalhadores.
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