Apoquentações
Costa pretende estimular uma contra-corrente que liberte a Europa da tirania.
O deputado Montenegro, ao que parece figura de relevo no PSD, manifestou acentuada apoquentação com o facto de António Costa ter ido à Grécia visitar um campo de refugiados e, de caminho, conversar com Alexis Tsipras.
O encontro durou menos de uma hora; tanto bastou para que o desassossegado Montenegro ficasse agitadíssimo de inquietação. Tsipras e Costa sabem que a União está a dissolver-se com a pressão exercida pelo triunvirato (Comissão Europeia, FMI e Banco Central) que domina países, reduz povos à submissão e impõe princípios imperiais às nações.
O mal-estar é generalizado.
Os movimentos anti-austeridade multiplicam-se. A tenaz de uma política de "alternância" sem alternativa atingiu um ponto insuportável.
O Partido Popular Europeu, onde se alberga toda a Direita, até às franjas do neonazismo, e ao qual pertence, com alvoroços de entusiasmo, o PSD português, actua alimentado pela arrogância de quem não tem de prestar contas a ninguém. Pedro Passos Coelho geriu o nosso país do mesmo modo discricionário.
São todos farinha da mesma moagem.
Presumo que o deputado Montenegro, ao criticar a curta viagem de António Costa, entendeu parte da questão; uma parte pequena, módica, e não o todo da questão. O governo português não agrada à direcção desta Europa.
As afrontosas declarações de Draghi, quando cá esteve, são significativas.
E Costa tem, por igual, o que se chama "má imprensa", porque esta abandonou o propósito fundamental de informar, esclarecer, para ser o papagaio dos poderes conservadores. Costa pretende estimular uma contra-corrente que liberte a Europa desta evidente tirania, e recrie os princípios morais e humanos com que foi fundada a União.
As coisas parecem melhorar para esta orientação.
Em Espanha, em Itália e, até, na França do pobre Hollande, as inquietações populares e políticas não deixam lugar a dúvidas.
Ça ira.
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