O perfil é traçado pela Michael Page e o resultado é pouco habitual: afinal os trabalhadores temporários não são jovens sem emprego
Licenciados, com mais de 40 anos e uma experiência laboral superior a dez anos. Este é o perfil dos trabalhadores temporários em Portugal, de acordo com um estudo da Michael Page. Apesar de a sociedade associar este tipo de vínculo, mais precário no tempo e no vencimento, a um recurso de jovens recém-licenciados e com dificuldades em entrar no mercado por outra via, a agência de recrutamento traça um panorama mais optimista para este segmento.
Sílvia Nunes, da Michael Page, não esconde o espanto: “a idade média dos profissionais em regime de trabalho temporário é surpreendente, na medida em que contrasta com a ideia generalizada de que este é um tipo de vínculo laboral mais comum entre jovens profissionais que procuram ainda adquirir experiência e afirmarem-se no mercado de trabalho”. Não é assim.
O trabalhador temporário, de acordo com uma consulta a mais de quatro mil empresários e profissionais de 15 países, tem 42 anos, dez anos ou mais de experiência e multifacetado podendo “exercer funções em qualquer um dos vários setores de atividade”. “Mais de 8 em cada 10 profissionais inquiridos (82%) tem, no mínimo, 5 anos de experiência profissional e 65% tem 10 anos de experiência. A maioria (66%) tem idade igual ou superior a 36 anos e 41% tem idade igual ou superior a 46 anos”, diz a agência.
A formação académica também é outra surpresa. Praticamente sete em cada dez trabalhadores temporários têm um grau de formação superior que pode ser licenciatura ou mais. Também há doutorados, diz a empresa. E estas competências permitem uma versatilidade diferente para agarrar várias áreas de trabalho.
No setor privado, a maioria dos trabalhadores encontra-se colocada nas áreas de banca ou serviços financeiro (13%), produção industrial (11%), e (9%) em tecnologia, por exemplo. As administrações públicas abrangem cerca de 7% dos inquiridos, a saúde (6%), Construção e imobiliário 5%, tal como o retalho.
A área do Lazer é a que menos pessoas coloca (1%). A União Europeia estima que existam no velho continente 26 milhões de trabalhadores temporários.
Em Portugal há mais de 200 empresas neste sector, só em Lisboa estão 50%, diz a Autoridade para as Condições do Trabalho.
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