Felicidade eterna
O "presente" é um conceito demasiado efémero. O minuto que passou já é passado e o final do dia de hoje já é futuro. A verdade é que viver desligado do passado e do futuro pode ser uma benção, um alívio para a alma. Por vezes, precisamos mesmo de um corte com passado e futuro a bem da nossa sanidade mental. Poder viver sem recordar as mágoas do passado e poder gozar o presente sem ter medo do que o futuro nos reserva, seria tão bom. Para mim seria o presente ideal.
Mas por outro lado, sem passado não somos nada. Somos fruto das pessoas que conhecemos, das experiências que vivemos, das perdas que ultrapassamos, das doenças, dos momentos felizes. Construímo-nos em cima de tudo isso: são as nossas fundações, o nosso passado individual e colectivo. E sem perspectivas do futuro, o que seríamos? Viver sem rumos nem objectivos pode não ser assim tão saudável.
Mas admito que neste último ano, tenho recorrido a um estado de amnésia para não me afundar no poço fundo do passado e da escuridão do futuro. Sempre o disse: o meu passado é a minha maior riqueza: tenho grande orgulho das minhas origens humildes, da minha gente, da minha vida. Mas para aguentar de pé todos os dias tive que por vezes provocar um eclipse do passado. Nunca esquecerei (e nem quero), mas preciso de este alívio para não endoidecer.
Sim, se o homem vivesse o eterno presente, seria eternamente feliz. Mas como isso é impossível, tentamos ao menos ser feliz por fases...

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