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sábado, 3 de dezembro de 2016

Europeus ocidentais descendem de habitantes das estepes russas


Segundo investigação publicada pela revista Nature, os atuais habitantes da Europa central e ocidental descendem de um grupo de antepassados que entre o Mesolítico e o Neolítico (e depois na Idade do Bronze) emigraram do sul da Rússia atual.
A equipe internacional de pesquisadores liderados por David Reich, do Harvard Medical School, de Boston, se baseiam em dados de análises genéticas de 94 homens pré-históricos que viveram entre 3 e 8 mil anos atrás, principalmente na atual Alemanha, mas também na Hungria, Suécia, Espanha e Rússia.
Yamna03
“Temos desenvolvido uma nova técnica que nos permite isolar uma parte do genoma que contem maiores informações sobre a história da humanidade, e temos sequenciado somente essa parte”, assinala Reich em um comunicado a Sociedade Max Planck, que também participa da investigação.
Os investigadores se baseiam principalmente nos resultados de duas grandes ondas migratórias. Assim, os caçadores-coletores da Europa central e ocidental foram deslocados parcialmente há 7.500 anos pela chegada dos primeiros agricultores, em cujas sociedades se integraram.
Do ponto de vista genético, estes primeiros migrantes são surpreendentemente similares, afirmam os especialistas. “Os primeiros agricultores da Espanha, Alemanha e Hungria são quase idênticos geneticamente, o que indica uma origem comum no leste”, assinala Wolfgang Haak, da Universidade de Adelaide, na Austrália.
Ao contrário do que se pensava até a gora, a investigação aponta que as línguas indo-europeias não chegaram com esta grande onda migratória, e sim com a seguinte, que teve lugar há 4.500 anos. Os migrantes procediam da cultura yamna, de uma região no atual sul da Rússia (Cáucaso).
Cultura Yamna

Além do mais, os caçadores-coletores originais e primeiros agricultores, estes criadores das estepes eurasiáticas, constituem o terceiro grupo identificado pelos investigadores. “Este terceiro componente aparece em todos os indivíduos com menos de 4.500 anos e nenhuma dessas épocas anteriores é nativa da Europa central, afirma o coautor Iosif Lazaridis, do Harvard Medical School.
Yamna_culture_tomb
“Na Alemanha, este terceiro componente genético aparece nos artesanatos de cerâmica cordada, da transição entre o Neolítico e a Idade do Bronze”, assinala Haak.  No atual estado alemão da Saxônia-Anhalt a coincidência genética com a cultura yamna é de 75%, algo surpreendente tendo em conta que ambos os territórios distanciam 2.600 quilômetros entre si, analisa Lazaridis.
“Os resultados sugerem que os artesanatos de cerâmica cordada não só estavam geneticamente muito vinculados aos pastores das estepes, como tinham uma língua similar”, disse o pesquisador. Não obstante, Reich frisou com precaução que os resultados de seu estudo somente “questionam a teoria da expansão do idioma vinculado a migração dos primeiros agricultores”.
A família de línguas indo-europeias é maior do mundo em número de falantes; a ela pertencem as línguas românicas, a germânicas e as indo-iranianas.
Fonte: NatureTexto: Stefan Parsch/DPATradução e adaptação: Rodrigo Trespach

www.rodrigotrespach.com

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