AUTOCOLANTES DE ABRIL
Gostaria de lembrar aquele oficial miliciano que, há 25 anos, também foi um doutor a falar de cima aos ignaros. Em Trás-os-Montes, subiu para um banco e perguntou ao povo: «Vocês sabem o que é o socialismo?» Uma velhota devolveu-lhe: «E vocemcê sabe o que é um engaço?».
Suspeito que o doutor já se tenha esquecido do socialismo mas ainda hoje a velhota, a ser viva, há-de saber o que é o engaço.
Em Diário de Notícias, Abril 1999.
AUTOCOLANTES DE ABRIL
Quando fizemos o 25 de Abril, pensámos que desse modo acabaríamos com a guerra em África, libertando o povo português da ditadura, proporcionando o caminho para a democracia em liberdade, tanto quanto possível ao que se passava na Suécia e na Noruega, responsabilizando-se as pessoas pelos seus actos, criando os partidos políticos que representariam a vontade do povo, e defenderiam os seus interesses (do povo) na Assembleia da República e no Governo.
Hoje, vemos que o povo está no desemprego; que grande parte dos cursos que os estudantes frequentam não servem para nada; que os ricos estão mais ricos; que os partidos defendem os seus interesses; e que o governo não governa. Será nossa a culpa? Porquê?
Depoimento de um Capitão do Exército, duas comissões em Angola, presença, entre outras, na reunião de Óbidos. Integrava uma rede clandestina. Ligação à tentativa de golpe em 16 de Março e participação nas operações militares do dia 25 de Abril, em Diário de Notícias, Abril de 2004.
AUTOCOLANTES DE ABRIL
Uma vez eu, chegando a Portugal
após muitos anos de ausência minha e alguns
de guerras africanas, encontrei uma vizinha
muito estimável que era casada com
um operário categorizado e antigo republicano.
O filho dela estava nas Africas, arriscando
a vida dele e a dos outros em defesa
do património da pátria de alguns (muito mais
que das gerações brancas que vivem nas Áfricas).
Eu condoí-me, todo embebido de noções políticas.
E ela, com um sorriso resignado, respondeu-me:
- Pois é, mas ele está a ganhar tão bem!
após muitos anos de ausência minha e alguns
de guerras africanas, encontrei uma vizinha
muito estimável que era casada com
um operário categorizado e antigo republicano.
O filho dela estava nas Africas, arriscando
a vida dele e a dos outros em defesa
do património da pátria de alguns (muito mais
que das gerações brancas que vivem nas Áfricas).
Eu condoí-me, todo embebido de noções políticas.
E ela, com um sorriso resignado, respondeu-me:
- Pois é, mas ele está a ganhar tão bem!
AUTOCOLANTES DE ABRIL
Agora, na nossa terra, a gente moureja toda a vida e nunca passa da cepa-torta. Quando um homem morre, engelhado como um bicho, vai prà cova com a mesma roupa, o mesmo par de sapatos com que levou a mulher ao altar. Nunca se tira o ventre da miséria. Nem se levanta a cabeça, que ele fidalgos e doutores bebem-nos o suor e comem-nos o tutano dos ossos.
José Rodrigues Miguéis
José Rodrigues Miguéis
AUTOCOLANTES DE ABRIL
P’ra tudo quanto é nascido
dizem que o sol alumeia,
mas uns têm a casa cheia
e outros o chão varrido!
Está isto mal dividido,
o mundo está mal composto,
uns vivendo com desgosto,
outros com muita alegria;
p’ra estes é sempre de dia
p’ra mim é sempre sol-posto!.
AUTOCOLANTES DE ABRIL
Esta mesa é o nosso país. É o lugar onde o homem sofre, trabalha, ama e luta. Os senhores sentados à mesa são os que oprimem e exploram o Povo, são os que jogam com a vida do Povo para seu proveito. Enquanto esta mesa estiver posta, quer dizer, enquanto o Povo sofrer e não tiver conquistado os seus direitos, a luta tem de continuar.









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