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quarta-feira, 13 de julho de 2011

NEM TODOS OS CÃES SÃO DE BARRO (2)

                                        publicado no meu "Caçador de Relâmpagos"  (reconstruído)

                      

... conduzia na estrada do Barranco do Bebedouro - serpenteada, estreita, iluminada pela lua cheia.
De repente, um vulto na minha rota que não pude evitar. Só o vi pelo retrovisor.

Ao contrário do que se diz, as fotografias não substituem as palavras mas esta sangrou-me.

Sai do carro e ajoelhei-me junto do animal, um rafeiro alentejano lindo, que ainda me olhou nos olhos e disse baixinho

- Camarada mataste um cão sem dono.

A lua cheia inundava o silêncio e eu levei-o ao colo para o interior do carro.

Quando cheguei a casa, só pude fazer o que fiz. 
Chamei o Dique e encarreguei-o de convocar todos os cães da aldeia. 
O funeral foi marcado para a meia-noite. 

Todos compareceram 

Solidários,  amigos mais corajosos ofereceram-se para escavar a sepultura num canto da horta, onde espontânea medra a hortelâ.

Todos reunidos no silêncio quando um uivo comovido despoletou em choro.

Só o Dique não chorou.
Trazia na boca uma flor vermelha que largou na sepultura.

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