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domingo, 28 de janeiro de 2018

Os primórdios da navegação

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           Quando o homem começou a navegar? Que razões o motivaram a desbravar mares e oceanos? Quais as primeiras embarcações conhecidas pela História? Podemos observar sinais de sua existência no mundo atual?
            Na abertura do tópico "Tipos de Embarcações", Diário de Bordo lança luz sobre os primórdios da navegação, empreendendo uma fascinante viagem à Era primitiva.
 E assim o homem começou a navegar...
Da conquista da terra ao domínio dos mares
      Estranho por natureza ao ambiente aquático, em determinado momento de sua trajetória terrestre, o homem se deparou com a necessidade de explorar o mundo das águas.
      Os principais fatores que explicam tal fenômeno remontam às nossas origens e estão indubitavelmente ligados à luta pela sobrevivência. Neste sentido, diversas causas podem ser cogitadas, tais como a carestia de alimentos nos tempos marcados pela vida nômade, transbordamento dos rios que devastavam habitações e plantações, fuga de condições climáticas adversas, conflitos contra tribos rivais, dentre outras que impeliam à busca por novas paragens.
      Todavia, além do fator sobrevivência, deve-se considerar também o desejo de aventura, conquista e descoberta, característica inata à nossa espécie.
          Diante disso, é no período pré-histórico que se situa o prelúdio da navegação.
Nos tempos primitivos
        Os primeiros tipos de embarcação foram retratados pela arte egípcia há pelo menos 5.500 anos, confundindo-se com a invenção da escrita, na antiga Mesopotâmia.
         Dezenas de milhares de anos antes do surgimento das primeiras civilizações, porém, sabe-se que em diversas partes do planeta, povos de cultura primitiva já se utilizavam de seus próprios e rudimentares meios de transporte aquático.
        Um consenso geral afirma que o tronco (ilustração acima) foi o primeiro recurso empregado pelo homem para se locomover sobre as águas. Inúmeras ilustrações apresentam um homem da caverna flutuando nu sobre um tronco e remando com as mãos, numa representação bem convincente de como devia ser no passado remoto.
        Inclusive a ciência biológica, reforçando a tese, indica que muitas espécies de animais se viram forçadas a realizar semelhantes viagens, quando a força das águas assolava seus respectivos habitats, milhões de anos antes do aparecimento do primeiro homem sobre a terra.
        Tecnicamente, entretanto, admite-se que a primeira embarcação só foi construída por volta de 100 mil ou 50 mil anos, quando o homem afrontou voluntariamente o meio aquático, amarrando troncos uns aos outros ou reunindo um feixe de juncos para criar uma balsa.
        É bem possível que apenas umas poucas tribos dominassem a técnica e que a mesma fosse desenvolvida por outros grupos humanos, em outras partes do mundo, somente milhares de anos depois dos pioneiros. Para tanto, basta salientar que , nos dias de hoje, para cruzar as baías do lago Chade, na África, a tribo dos budumas trança e une ramos de madeira de balsa, formando assim uma pequena jangada, usando mãos e pés como remos.
Embarcações primitivas e seus vestígios atuais
     Curiosamente, a maioria das embarcações dos tempos pré-históricos se verifica em uso atualmente, em vários lugares do mundo. Algumas foram desenvolvidas e melhoradas, enquanto outras poucas mudanças sofreram. Vejamos alguns exemplos:
            No Nilo Branco, um dos principais tributários do grande rio Nilo, na África Oriental, os indígenas impulsionam com varas e remos balsas feitas de ramos de madeira de balsa, ligadas em forma de feixe (2). Árvore de madeira leve e resistente, a balsa (Ochroma pyramidale) é natural principalmente da América Central, achando-se ainda nas matas tropicais ao norte da América do Sul até o sul do México. Muito provavelmente, na América do Sul, seu largo emprego na construção de embarcações nativas acabou associando seu nome ao das próprias embarcações. Em 1947, o explorador norueguês Thor Heyerdahl (1914-2002) e os integrantes da famosa expedição Kon-Tiki, construíram com madeira de balsa a jangada com a qual partiram do Peru rumo à Polinésia, visando demonstrar a possibilidade da colonização das ilhas polinésias por nativos sul-americanos.
          Também a balsa de papiro (3), utilizada como bote no Nilo Branco e outros rios africanos, tem conservado o mesmo aspecto através de milhares de anos. A arte de sua construção não desapareceu porque o papiro é um material de baixa consistência, flutuando apenas por poucos meses e exigindo assim uma produção contínua.
         O catamarã (4), embarcação típica do Sri Lanka e da costa de Coromandel, na Índia, consiste em três ou quatro troncos amarrados, o mais largo ao centro, saliente pela parte anterior, como uma proa. Contudo, muito pouco se parece com a popular canoa dupla dos dias atuais, a qual se acostumou atribuir essa falsa denominação.
       Nas Ilhas Fiji, existe uma larga balsa de bambu (5), feita com linhas de canas e munida de uma espécie de borda, empregada para transporte por lagos e ilhas próximas.
                                                          5- Balsa de bambú das Ilhas Fiji
          Um baixo relevo de Nínive, de cerca de 700 a.C., mostra homens cruzando o rio Tigre com peles infladas de animais. O mesmo método é praticado hoje no Tibet, onde populações nômades carregam consigo peles de bois e porcos, cosidas e calafetadas, as quais inflam como flutuadores (6), possibilitando a travessia dos rios.
          Finalmente, temos a canoa (7), um tronco de árvore cavado, oriunda dos povos nativos da África, América do Sul e Austrália, que continuam a construi-las (cavando o tronco com o fogo e rudimentares instrumentos de pedra), especialmente para o transporte e pesca em rios e lagos. Sua presença registra-se nas terras mais distantes, incluindo a Escandinávia, onde até o início do século XX podia ser vista.
         Em algumas regiões frias, o esqueleto da canoa passou a ser forrado com peles, tais como em uso no Tibet, na Groenlândia, onde é chamada de umiak, e na Grã-Bretanha, conhecida como coracle (8).
         Segundo o estudioso finlandês Björn Landström (1917-2002), autor de "O navio", obra traduzida em diversos idiomas e referencial para o presente artigo, "a canoa e o bote de pele abriram o caminho ao progresso da construção naval".
      Como se sabe, todos os primitivos tipos de embarcações acima citados restringiam-se à navegação fluvial ou marítima costeira.
      Somente em fins da Idade Média, ou seja, há aproximadamente 600 anos, a avançada engenharia naval ibérica, sobretudo portuguesa, permitiu à humanidade reunir as técnicas necessárias para a conquista do alto mar, a travessia dos grandes oceanos e o descobrimento de novos mundos.

      Fontes: 
      LANDSTRÖM, Björn. El buque. 3.ed. Barcelona: Editorial Juventud, 1983. A primeira edição da obra é de               1961. As ilustrações da postagem são do autor. 
      https://pt.wikipedia.org/wiki/Balsa_(madeira)

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