AVISO

OS COMENTÁRIOS, E AS PUBLICAÇÕES DE OUTROS
NÃO REFLETEM NECESSARIAMENTE A OPINIÃO DO ADMINISTRADOR DO "Pó do tempo"

Este blogue está aberto à participação de todos.


Não haverá censura aos textos mas carecerá
obviamente, da minha aprovação que depende
da actualidade do artigo, do tema abordado, da minha disponibilidade, e desde que não
contrarie a matriz do blogue.

Os comentários são inseridos automaticamente
com a excepção dos que o sistema considere como
SPAM, sem moderação e sem censura.

Serão excluídos os comentários que façam
a apologia do racismo, xenofobia, homofobia
ou do fascismo/nazismo.

terça-feira, 27 de setembro de 2016

Tem cabeça de passarinho? Isso já não é assim tão mau. Ora veja




VÍDEO







A partir de agora devemos repensar seriamente na utilização do termo cabeça de passarinho como algo depreciativo.

Os pombos são muitas vezes comparados a “ratos voadores” mas estas aves são mais espertas do que podemos pensar. Pelo contrário, de acordo com umestudo, estes animais são de tal modo inteligentes que até conseguem ler.

Num novo estudo, publicado no jornal National Academy of Sciences, os cientistas treinaram pombos para que estes conseguissem distinguir palavras reais por gibberish, isto é, linguagem não percetível, comunicada com recurso a diferentes sons. Assim, utilizaram 308 palavras com quatro letras, as mesmas que babuínos já tinham aprendido numa pesquisa anterior.

Com esta experiência, algumas aves aprenderam a identificar dezenas de palavras, tendo o pombo mais bem-sucedido reconhecido 58 delas.

“o desempenho dos pombos consegue ser mais comparável ao dos humanos do que os próprios babuínos”

As aves foram estudadas com recurso a diferentes estímulos, os quais, por vezes, passavam apenas pelo aparecimento de uma palavra juntamente com o surgimento de uma estrela no ecrã. Quando a estrela aparecesse os pombos deveriam, automaticamente, bater no ecrã com o bico, acertando na estrela. Caso respondessem corretamente, os pombos eram recompensados com “guloseimas”, por outras palavras, com alimentos que os tratadores lhes davam.

Quatro pombos destacaram-se no teste de reconhecimento de palavras, por isso, os cientistas fizeram treinos mais intensivos com eles. Os quatro pombos mais avançados conseguiram, assim, distinguir as palavras soletradas corretamente das que tinham carateres reorganizados, como “vrey” ao invés de “very” (muito em português), ou de palavras que tinham mesmo erros ortográficos.

No caso do teste de erros ortográficos, “o desempenho dos pombos consegue ser mais comparável ao dos humanos do que os próprios babuínos”, afirmam os cientistas no seu estudo.

Este estudo é o primeiro a identificar uma espécie de “não primatas” a ter estas capacidades ortográficas. Os cientistas explicaram que, ao estudar a capacidade dos pombos para aprender palavras, os animais poderiam dar-nos pistas sobre as funções e origem da linguagem.

Para determinar se os animais estavam de facto a aprender a distinguir as palavras de “não palavras”, em vez de memorizar somente as respostas corretas, foram introduzidas novas palavras ao longo de todo o estudo. De acordo com os pesquisadores, os pombos identificam de facto as novas palavras como palavras, com uma taxa de significância que mostra que tal não foi um mero acaso.

“Esta transferência mostra que, durante o treino, os pombos derivam algum conhecimento estatístico geral sobre a combinação das letras que distinguem as palavras de “não palavras”, escrevem os cientistas na sua tese.

Os investigadores sugerem que os pombos evidenciaram a probabilidade de certos pares de letras, tal como “PT” e “AL”, serem mais suscetíveis de ser associados tanto a palavras como a “não palavras”. Um dos autores do estudo, o neurocientista Onur Güntürkün de Ruhr University Bochum, da Alemanha, referiu ser notável a capacidade que os pombos têm de reconhecer as palavras visualmente.

“Estes pombos, separados por 300 milhões de anos da evolução do ser humano e tendo arquiteturas cerebrais diferentes, mostram imensa habilidade com o processamento da ortografia, é fantástico”, conclui Bochum.

Este estudo é o primeiro a identificar uma espécie de “não primatas” a ter estas capacidades ortográficas. Os cientistas explicaram que, ao estudar a capacidade dos pombos para aprender palavras, os animais poderiam dar-nos pistas sobre as funções e origem da linguagem.

Esta pesquisa destaca ainda a inteligência dos pombos que, como referiu o coautor da pesquisa, Michael Colombo (professor de psicologia da Universidade de Otago, na Nova Zelândia), tal pode desencadear a necessidade de “repensar seriamente o uso do termo cabeça de passarinho como algo depreciativo”.

www.dinheirovivo.pt


Sem comentários: