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sexta-feira, 30 de setembro de 2016

Os eurodeputados


Antes de mais e a título de declaração de interesses devo dizer que só sou nacionalista naquilo que à nação diz respeito e  mesmo assim ainda sofro de um pequeno problema, que se prende com a costela espanhola, costela que dava para ter a nacionalidade do o país vizinho. Isto significa que só mesmo no que diz estritamente respeito à nação invoco sentimentos nacionalistas e nesse conceito não incluo chutos na bola e muitos outros domínios onde o nosso fervor nacionalista nos ajuda esconder outras misérias bem mais nacionais.

Não ficarei muito preocupado se António Guterres chega ou não a secretário-geral da ONU, percebo que seja um excelente emprego e um final de carreira brilhantes, mas confesso que o antigo primeiro-ministro é o desempregado português que menos me preocupa. Fiquei mais incomodado quando ele fez uma saída estratégica, a tempo de ir para a ONU, e nós tivemos de aturar o Barroso. Essa coisa do prestígio não me convence, a não ser que me expliquem onde está o prestígio granjeado pelo Gana, pelo Egipto e por outros países que tiveram cidadãos na liderança da ONU. 

O que me traz aqui não é a necessidade de protestar contra a última atleta da maratona, uma tal Kristalina que tem como única virtude tornar mais cristalino o papel de certas personagens que se pavoneiam na nossa praça, os deputados europeus do Parlamento Europeu, um grupo de gente escolhida pelos nossos partidos para irem ganhar umas massas em Estrasburgo em vez de nos chatearem em Lisboa, o que no caso de deputados como Ana Gomes não tem dado muito resultado.

Mas, quando vejo  um obscuro deputado europeu tirar o tapete ao seu partido, deixando Passos Coelho a falar sozinho no seu suposto apoio a Guterres, acho que há algo de errado. Em Portugal os deputados representam os programas dos partidos, têm disciplina de votos e só beneficiam de liberdade de voto em questões de consciência. Mas em Bruxelas parece serem deputados por conta própria.

Um líder partidário que anda há meses a sugerir que o primeiro-ministro não tem suficiente influência na Europa para defender os interesses do país, que com pompa e circunstancia diz que vai usar a sua influência no PPE para ajudar a candidatura de Guterres e agora é confrontado com um dos seus eurodeputados a organizar o apoio a uma candidata golpista que andou na sombra a preparar o melhor momento para o golpe?

Otal deputado, Mário David, ainda se justifica assegurando que "Não recebo lições de patriotismo de ninguém». Faz muito bem, o problema não está no patriotismo, o problema é que ele não foi eleito com os votos do partido da direita búlgara onde milita a Kistalina e não é deputado europeu pior conta própria. Pode dizer que representa os seus eleitores portugueses, mas nesse caso alguém de lhe dirá que nunca o ouviram na campanha eleitoral a dizer o que iria fazer.

Afinal, quem representam os deputados europeus, não representam o país pois são eles que decidem o que são interesses nacionais, não representam o seu partido e deixam o líder a fazer figura de urso. Enfim, parece que estão lá para se encherem de dinheiro, para terem relações que lhes venham a assegurar bons negócios e, eventualmente, para defender a denominação de origem das sandes de courato!

É engraçado, quando tanto mal se fala dos nossos políticos os artistas de Estrasburgo costumam ficar esquecidos, logo eles que são os que melhor ganham!

jumento.blogspot.pt

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