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terça-feira, 20 de setembro de 2016

Mariana Mortágua: a frase da polémica, os críticos, os defensores e a explicação


A bloquista começou por ser a deputada revelação na comissão de inquérito ao BES. Agora, dizem que manda no Governo. Afinal, o que pôs Mariana Mortágua no centro disto tudo? Quem a atacou e quem a defendeu?


A deputada é criticada à esquerda e à direita


"Não é bom ter deputados a apresentar medidas importantes"


 Moreira da Silva nunca pensou que Mariana Mortágua se convertesse em "ministra das Finanças"
 Imposto sobre património: PS e Bloco garantem protecção da "classe média"
Já lhe chamaram “ministra das Finanças”, já disseram que é ela quem manda no PS e até arranjaram um nome especial para o imposto anunciado pelo Bloco de Esquerda, que está em negociações com o PS: Imposto Mariana Mortágua (IMM). A deputada bloquista, uma revelação na comissão de inquérito ao BES, está debaixo do fogo da direita. E não só.

Fernando Medina, ex-número dois de António Costa na Câmara de Lisboa, lançou-lhe as críticas mais recentes: “Não é bom ter deputados a apresentar medidas importantes”, disse, referindo-se ao facto de ter sido ela, e também Eurico Brilhante Dias, pelo lado do PS, a explicar, no Parlamento, que PS e BE estavam a negociar a introdução e um novo imposto sobre o património imobiliário. “Acho que isso caberia ao Ministério das Finanças no tempo próprio.”

Meio a brincar meio a sério, o Expresso chamou a esta nova tributação o “Imposto Mariana Mortágua”.

A frase da polémica

A frase que pôs a bloquista no centro das críticas foi proferida no sábado, durante um debate sobre as Esquerdas e a desigualdade, na rentrée do PS, em Coimbra. “Do ponto de vista prático, a primeira coisa que temos de fazer é perder a vergonha de ir buscar a quem está a acumular dinheiro", disse Mariana Mortágua. “Não podemos ter vergonha de ter uma política social deste género. Cabe ao PS, se quer pensar as desigualdades, dizer o que é que pensa do sistema económico, do capitalismo financeirizado”, acrescentou. 

O ataque da esquerda

Do lado do PS, as críticas estão frescas. Além de Fernando Medina, Sérgio Sousa Pinto também tomou a dianteira, com o apoio de segundas linhas.

Sousa Pinto escreveu no Facebook que esta “paródia senil” custará caro ao PS e classificou Mortágua como um exemplar dos "jovens burgueses cripto-comunistas e habilidosos pantomineiros da velha escola”. Escreveu ainda que as palavras proferidas pela bloquista em Coimbra são uma “lição ministrada do alto do legado histórico do trotskismo ou de uma qualquer seita comunista heterodoxa”. O post teve “gostos” de outros socialistas, como Jamila Madeira.

Fernando Medina, que criticou o facto de a apresentação do imposto não ter sido feita pelo Governo, ainda avisou que “toda esta polémica sem nada de concreto tira toda a margem de manobra [ao Governo] para vir a aplicar a medida no futuro.”

O ataque da direita

O primeiro de todos os ataques a Mortágua – e a Centeno - visou a mesma questão e surgiu também sob a forma escrita, no Correio da Manhã de domingo. Rui Moreira, presidente da Câmara do Porto, apontou: “Não é normal que os novos impostos sejam anunciados em público por partidos que não fazem parte do Governo. É uma demissão incompreensível do homem que tem a pasta das Finanças.”

Nessa tarde, Adolfo Mesquita Nunes, do CDS, atacava: “O BE pede ao PS que perca a vergonha de ir tributar quem acumula dinheiro, ou seja, quem poupa. O BE pede assim ao PS que perca a vergonha de ir tributar aqueles que, pagos os seus impostos, cumpridas as suas obrigações, conseguem depois de anos de trabalho pôr algum de lado, para comprar uma casa, acautelar a reforma, estudar, deixar aos filhos, investir ou criar postos de trabalho. Num país sem poupanças. O BE pede ao PS que perca a vergonha de ir tributar não os rendimentos mais elevados, não os consumos de luxo, mas as poupanças daqueles que aforram”. E questionava: “O CDS pergunta, por isso, ao PS o seguinte: vai perder a vergonha, continuando a dar protagonismo ao Bloco, ou vai ficar embaraçado?”

Ninguém do PS havia de responder a estas palavras, mas menos de 24 horas depois, na Assembleia da República, no final de uma conferência de imprensa sobre o novo Sistema Nacional de Informação Cadastral, Jorge Moreira da Silva insistia: “Na campanha eleitoral afirmei que não podíamos correr o risco de termos Jerónimo de Sousa e Catarina Martins como vice-primeiros-ministros (…), nunca me passou pela cabeça que Mariana Mortágua se convertesse verdadeiramente na ministra das Finanças deste Governo.”

As críticas seguiram pela voz de outro deputado de direita, Nuno Magalhães, líder parlamentar do CDS-PP, centradas na questão do imposto anunciado pelo BE. "Creio que pela primeira vez numa coligação – e sei bem o que vou dizer, sei bem daquilo que vou dizer e sei bem porque o vou dizer – não é o maior partido da coligação que anuncia matérias do ponto de vista fiscal e orçamental. Quando é o BE que anuncia em nome de um Governo do PS mais impostos e mais taxas para os portugueses, eu creio que ou o senhor ministro das Finanças aparece ou facilmente será esquecido ou facilmente deixará de ter condições para se manter no cargo, porque já percebemos que não manda, quem manda é a senhora deputada Mariana Mortágua", disse.



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