img 890x5002014 08 04 01 16 31 229599
Category: Tribuna Popular


Na história abundam «deuses», de criação humana, feitos à 
imagem dos preconceitos e desígnios de uma realidade e 
temporalidade concreta, e cujo saldo de percurso na 
super-estrutura social e nas misérias do mundo é hediondo.
É o caso do episódio bíblico do «bezerro de ouro», recém 
recuperado por José Saramago no romance Caim, que 
mostra como a adoração dum totem, obviamente 
falso, a que se sacrificam os princípios, na esperança de 
todas as riquezas do mundo, termina no morticínio 
sangrento de milhares de inocentes.
É o caso do «bezerro de ouro» desta fase de domínio 

imperialista do mundo, o deus «mercado» – dito 
omnipresente, omnisciente e omnipotente -, ou seja, o 
capital financeiro multinacional «globalizado» a quem se 
imolam as economias mais débeis, como a nossa.
O resultado é a destruição da produção, das pequenas 
empresas e do mercado interno, o roubo do património do 
país, dos salários, direitos e prestações sociais, o desemprego, o 
assalto aos serviços públicos e funções sociais do 
Estado, a imolação dos dinheiros públicos – cujo défice é 
pretexto da rapina – e da soberania nacional.
À média de duas vezes por semana, o deus «mercado» 
ameaça e chantageia com terríveis catástrofes e é 
«aplacado» com novos sacrifícios, sempre dos mais fracos. 
E lá estão os seus sumo-sacerdotes e lacaios para garantir 
o repasto à infindável gula do «mercado», com a 
promessa de que desta feita o sofrimento terminará.
Os sumo-sacerdotes do «bezerro de ouro» são figuras 
como Krugman, Prémio Nobel norte americano, para quem 
os salários dos países da periferia da UE precisam de 
cair 30%, relativamente à Alemanha, ou o Presidente do 
BCE, que garante não existir qualquer ataque 
especulativo, mas apenas países prevaricadores das 
contas públicas que é necessário sancionar, ou um tal 
Barroso ou uma Albuquerque , ex-papagaios de Merkel, que 
não se engasgaram ao dar voz à proposta de censura 
prévia da Comissão Europeia aos orçamentos de (certos) 
estados-membros.
E os lacaios do «bezerro de ouro» PSD e CDS, e não 
só, que entregam à morte a independência económica e a 
soberania nacional, no altar do capital financeiro sem pátria 
e das grandes potências do directório federalista do Euro. 
Numa verdadeira traição nacional. A que um dia se fará 
justiça.
Adaptado – OC 2010