1- A VERDADEIRA HISTÓRIA DO RESGATE DO ÚLTIMO DISCURSO DE SALVADOR ALLENDE
O centenário do nascimento de Salvador Allende, a última mensagem entregue a poucos minutos do bombardeio do La Moneda e de sua própria morte, ressurgiu em diferentes cantos do mundo. Daí o resgate da gravação realizada a partir dos estúdios da Rádio Magallanes, a única estação que a transmitiu, é um episódio histórico. Seu protagonista até agora foi o jornalista Hernán Barahona, que morreu recentemente. Mas que história é refutada pela evidência apresentada a nós pelo Prêmio Nacional de Literatura, José Miguel Varas: "Guillermo Ravest foi quem se dedicou juntamente com o rádio controlador Amado Felipe a fazer inúmeras cópias do histórico discurso em pequenas fitas magnéticas e foi ele também quem as tirou da rádio local, com risco evidente de sua vida. " A controvérsia chegou ao Tribunal de Ética da Associação de Jornalistas, que proferiu o acórdão em 7 de abril de 2008 (link abaixo).
Voltei a ler emocionado a crônica que Guillermo Ravest Santis narrou, com seu estilo suave e vibrante, e que serve de modelo do grande jornalismo, sobre o último discurso do Presidente Salvador Allende, transmitido pela Rádio Magallanes em 11 de setembro de 1973, minutos antes do início do bombardeio do La Moneda. Ravest, diretor da emissora, foi o único que se dedicou juntamente com rádio operador, Amado Felipe, a fazer inúmeras cópias do histórico discurso, em pequenas fitas magnéticas, e foi ele também quem as tirou da rádio local, com graves riscos para com sua vida, mas que nesse momento tomou consciência e mandou chegar à direção clandestina do Partido Comunista para sua distribuição aos correspondentes estrangeiros. A crônica foi solicitada a Guillemo Ravest por Faride Zeran, diretor da revistas Rocinante, onde eu desempenhava a função de editor. Ela foi publicada na edição nº. 58, agosto de 2003, juntamente com o notável testemunho do jornalista Leonardo Cáceres, chefe dos serviços de notícias da Rádio Magallanes. Ambos materiais são um documento jornalístico e histórico de um momento transcendental na vida do Chile. E por isso, parece muito apropriado que se reproduza agora nas páginas da CIPER. Conveniente e necessário, porque entorno desses eventos e seus protagonistas foram tecidas muitas versões equivocadas.
Meio século de jornalismo
Nascido em Llay Llay, importante entroncamento ferroviário da Quinta Região, em 3 de Julho de 1927, Guillermo Ravest Santis vem de uma família intimamente ligada às ferrovias: seu avô, seu pai, seus tios e outros parentes foram todos ferroviários. Por um lado, ele poderia ter seguido o mesmo caminho das linhas dos trilhos, mas se apaixonou desde o início pelo jornalismo. Com este ofício manteve-se um romance de meio século, que dura ainda hoje. Em 1950, ele trabalhou na agência COPER (Cooperativa de Jornalistas), criada pelo veterano Albino Pezoa, com o intuito de arranjar trabalho para os profissionais da imprensa “demitidos” por motivos políticos pelo regime de Gabriel González Videla. Depois, entre 1952 e 1972, ele trabalhou nos jornais El Siglo, The Espectador, Ultima Hora e La Nación, no Departamento de Imprensa de Rádio Balmaceda , na revista Qué Pasa de Buenos Aires, no diário Puro Chile, na Televisión Nacional e, finalmente, na Rádio Magallanes. Junto com sua esposa Ligeia Balladares, também jornalista, tiveram que partir para o exílio após o golpe militar. Ambos chegaram a Moscou em 1974 e organizou a equipe de jornalistas chilenos que produziu, sob a direção de Ravest, o programa diário "Rádio Magallanes", que foram emitidas pela emissora estatal soviética, simultaneamente com as do programa "Escucha Chile”. Eles viajaram para o México em 1980 e retornaram ao Chile em 1983, quando seus nomes deixaram de aparecer nas listas dos proscritos. Eles trabalharam no diário "Fortín Mapocho", de forte oposição à ditadura. Entre 1983 e 1989, Guillermo trabalhou nas edições clandestinas de "O Siglo". O casal Ravest-Balladares reside há mais de 20 anos em San Miguel Tlaixpán, pequena cidade perto da Capital Federal do México. Ambos continuam trabalhando com jornalismo e também com literatura, na qualidade de contistas e narradores quase clandestinos. Guillermo Ravest é autor de um livro de memórias intitulado "Pretérito Imperfeito", que nos oferece, sem dúvida, um enorme interesse por ter sido uma testemunha privilegiada de um período histórico turbulento, cujas consequências seguem projetando no presente e no futuro. (...)
Depoimento:
“NECESSITO QUE ME COLOQUEM NO AR IMEDIATAMENTE, COMPANHEIRO"
“NECESSITO QUE ME COLOQUEM NO AR IMEDIATAMENTE, COMPANHEIRO"
O golpe de Estado de 11 de setembro de 1973 encontrou-me na Rádio Magallanes, da qual fui diretor, e cujos estúdios, localizado no sexto andar da rua Estado 235, tendo acesso pela entrada da Passaje Imperio. Por volta das seis horas da manhã, fui acordado por um telefonema de Lucho Oliva, engenheiro responsável pelo equipamento da nossa estação de rádio. "Chino - me disse - agora, sim, que começou o golpe. Para chegarmos juntos ao centro, vou buscá-lo no meu carro, imediatamente." Que “imediatamente”. Demorou muito mais do que uma hora, razão pela qual, depois de atravessar várias barreiras militares, chegamos à Estado com La Plaza de Armas por volta das sete e meia. Ali, eu me despedi da minha mulher e minha filha, que se dirigiu à Comissão de Propaganda do Partido Comunista em Teatinos 416 e o Conservatório Nacional de Música, seus locais de trabalho e estudo, respectivamente. A Rádio Magallanes vivia uma atividade no sistema nervoso. O jornalista Ramiro Sepúlveda me informou das novidades e a localização dos repórteres em suas respectivas frentes de trabalho. Anotamos uma só baixa: o redator do noticiário da manhã, provavelmente em pânico, abandonou a rádio. Eu nunca ouvi falar dele em 30 anos transcorrido. Por outro lado, os jornalistas dos turnos vespertinos decidiram reforçar a equipe matutina, porque eles pensaram, acertadamente, que ali eram mais necessários. Outros, como Hernán Barahona, repórter político no Congresso, cumprindo com o seu comentário, naquela manhã - como ele mesmo recordou -, se retirou da rádio. Desde que cheguei a Radio Magallanes, entorno de 08:00, e até que se levantou o toque de recolher, nunca mais o vi. Às vezes, trombávamos, porque em alguns momentos tínhamos até três rádios controladores dentro do estúdio. Nesses momentos nos acoplamos à Rádio Corporatición para transmitir os primeiros discursos feitos pelo presidente Allende. Esta foi uma forma de coordenação que usamos em tempos da Unidade Popular, sob o nome de La Voz de la Patria, para tentar contrabalançar, em pequena medida, o potencial que contávamos - em número e kilowatts – com o sistema de rádios da direita golpista. Em três ocasiões, nós espalhamos naquela manhã, com a La Voz de La Pátria, as palavras de Allende alertando o povo sobre a sedição já em curso. Na madrugada anterior, as forças do Exército iniciaram a "Operação Silêncio". Eles invadiram e inutilizaram as torres transmissoras das rádios das universidades Chile y Técnica del Estado e a Luis Emilio Recabarren, e a da CUT. Enquanto isso, lideradas pela emissora da SNA, a rede nacional das Forças Armadas do Chile trovejou com seus soldados e oficializava o golpe militar. Com a sedição do Canal 13, por sua conivência, eles dominavam as telas de TV. Neste clima, percebemos que tínhamos sido deixados sozinhos no ar. Tinha acabado de ser silenciada a Rádio Corporación, então chefiada pelo Partido Socialista, a Portales, que vinha navegando em tortuosa ambiguidade de Raul Tarud e a Sargento Candelaria, partidária da Unidade Popular.
Pouco antes, em uma breve reunião, havíamos resolvido com Leonardo Cáceres, nosso chefe de imprensa, e Amado Felipe, chefe dos rádios operadores, para cumprir com as decisões operacionais previamente acordadas pelas circunstâncias como as que estávamos vivendo.Tinhamos consciência de que, localizado a apenas cinco quarteirões do La Moneda, poderíamos ser chamados. Com todas as suas consequências. Por quase duas horas uma Junta Militar ameaçavam as estações que não se dobraram à rede golpista, com um ataque por "forças aéreas e terrestres." Me ocorreu de propor aos membros da pequena equipe que devíamos proteger a torre transmissora da Magallaes, localizada em Renca, para tentar continuar transmitindo qualquer emergência. Todos aceitaram imediatamente. Os jornalistas eram: Ramiro Sepúlveda, Jesús Díaz, Carmen Flores - repórter recentemente formada na Escola de Jornalismo da Universidade do Chile - e o locutor Agustín Cucho Fernández. Estávamos no apogeu daquele desigual combate com a propaganda pinochetista. Por três décadas, tentou apresentar-se como a "Batalha de La Moneda". (...) As provas documentais desse assalto foi investigado para a história e a dignidade nacional pela Dra. Paz Rojas, Iris Long e outros igualmente dignos, no livro “Páginas em Branco”. Eu tinha ido buscar um cigarro no meu escritório quando, inesperadamente, a “Plancha” tocou. Este foi o nome que demos ao telefone magnético, conduzido por manivela, que nos comunicávamos diretamente com o gabinete presidencial do La Moneda. Os líderes do golpe ameaçaram bombardear o palácio histórico do governo. Eu respondi o telefonema. Era a voz inconfundível do presidente Allende.

- Quem fala?
- Ravest, companheiro...
- Necessito que me coloquem no ar imediatamente, companheiro...
- Dê-me um minuto para ordenar a gravação...
- Não, companheiro. Preciso que me coloquem no ar imediatamente, não há tempo a perder...
Sem tirar o fone do ouvido, gritei para Amado Felipe - que estava no comando dos botões de controle no estúdio – que instalasse uma fita para gravar e Leonardo Cáceres a correr para o microfone para anunciar o Presidente. Allende deve ter ouvido os gritos. Eu então lhe pedi: "Conte até três, por favor, companheiro, e comece...". (...)
Pese os nervosismos desses momentos. Amado Felipe – um gordo hipercinético, sempre jovial, filho de refugiados espanhóis - teve o sangue frio e a clarividência histórica de tocar os primeiros acordes do hino nacional, mesclados com a voz de Leonardo Cáceres, anunciando que estas seriam as últimas palavras do Presidente Constitucional. A tensão do momento explica por que esta gravação não só parece a voz de Allende. Amado Felipe deixou o microfone aberto no estúdio, o que ficou claro por que também gravou a minha voz gritando para alguém: "Fechem esta porta, idiotas". Os assaltantes do La Moneda, por sua parte, colocaram sua música de fundo: balas, disparos de artilharia e até mesmo ruído de aeronaves. Não eram momentos protocolares. Depois de sua última frase e, sem desligar, Allende me adicionou: "Não há mais, companheiro, isso é tudo." E, como sempre ocorre em certas circunstâncias solenes ou dramáticas, não faltou à audição uma nota ridícula. Eu sou o autor. Na despedida disse: "Tome cuidado, companheiro." Depois de ter apresentado a Allende ante o microfone, Leonardo veio a mim com a ”Plancha”. Ambos tinhamos escutado aquelas últimas palavras. Eu comentei secamente: "Este é o seu testamento político". (...) Com um locutor e um outro jornalista prosseguimos a transmissão na Magalhães. (...) Nós dividimos a tarefa de monitorar a rádio, agora uma ratoeira, pois só contava com acesso pela escada e elevadores. Nós esforçávamos para não ser surpreendido se houvesse uma invasão. Dormimos em turnos. Voltamos para fazer uma revisão diligente de todos os estúdios. O mais proveitoso que fizemos com Amado Felipe era passar horas reproduzindo as últimas palavras de Allende em pequenos rolos de fita magnética. Era meio-dia de quinta-feira,13. Levantaram o toque de recolher, trancamos os estúdios com as chaves. Nós nos despedimos antes de deixar a Passaje Imperio. Quanto a Amado Felipe, nunca mais o vi.
Três meses depois eu me exilava nas dependências da embaixada da antiga República Federal da Alemanha, em um andar alto de frente ao Municipal, através dos escritórios solidários do Adido da Prensa Raban von Metzinger. Eu tinha que fazê-lo porque os generais da Junta não gostaram como Allende os trataram em seu discurso o que eles eram: uns traidores. Eles pediram a minha prisão(...) Na quinta-feira me encontrei com Ligeia, minha mulher, e fomos para frente do cine Central. Todo o centro estava cheio de soldados armados. Ela lhes assegurou que era uma viúva, porque "todo o Magallanes foram mortos". (...) Embora eu não sabia o que poderia ocorrer depois, ela me disse que passaria a me encontrar quando levantasse o toque de recolher. Nós nos abraçamos, emocionados até o fundo da alma, e ela me perguntou: "Você trouxe algo incriminador?". Cândido e honestamente disse que não. Pelo menos eu pensava. Mas no abraço, as fitas me delataram. Ele me olhou como só ela sabe fazer.
- Bah, é verdade – respondi - são cópias do discurso de Allende.
Ela também me tirou, entre os novos abraços, minha carteira do Partido Comunista. E discretamente as meteu em sua bolsa de inevitável tecido. (...) Assim creio, terminava esta história. Mas ela continuou. Através de um correio, enviei dez fitas gravadas a Don Américo Zorrilla, que participava da liderança clandestina do PC, pois eu tinha recebido o encargo de distribuir o restante entre os numerosos correspondentes estrangeiros que invadiram Santiago. Eu nunca mais voltei a ver Amado Felipe, o nosso chefe de rádio operadores, incluído "democraticamente" na lista negra pelos empresários de rádios e, absolutamente perdido, cometeu suicídio tempos depois.
- Bah, é verdade – respondi - são cópias do discurso de Allende.
Ela também me tirou, entre os novos abraços, minha carteira do Partido Comunista. E discretamente as meteu em sua bolsa de inevitável tecido. (...) Assim creio, terminava esta história. Mas ela continuou. Através de um correio, enviei dez fitas gravadas a Don Américo Zorrilla, que participava da liderança clandestina do PC, pois eu tinha recebido o encargo de distribuir o restante entre os numerosos correspondentes estrangeiros que invadiram Santiago. Eu nunca mais voltei a ver Amado Felipe, o nosso chefe de rádio operadores, incluído "democraticamente" na lista negra pelos empresários de rádios e, absolutamente perdido, cometeu suicídio tempos depois.
Testemunho:
“ABAIXE O VOLUME DA MÚSICA E ANUNCIE O PRESIDENTE"
Por Leonardo Cáceres
“ABAIXE O VOLUME DA MÚSICA E ANUNCIE O PRESIDENTE"
Por Leonardo Cáceres
O 11 de setembro de 1973 foi numa terça-feira e estava nublado. Acordei muito cedo, quando o telefone tocou, me dando uma informação nervosa, de um amigo que trabalhava com investigações: foi confirmado que havia um levante militar em andamento, e em Valparaíso, a esquadra, que participava da Operación Unitas, tinha retornado ao porto. Eu nunca tinha vivido num Golpe de Estado antes. Eu não sabia, mesmo remotamente, o que fazer ou no que me preocupar-se. Olhava pensativo pela janela de minha casa, na rua Tomás Moro, quando vi que abriam as portas da residência presidencial nas proximidades, e três ou quatro carros Fiat, escoltados por vários "tanques" da polícia, saiam em velocidade máxima e se dirigiam rumo à avenida Colón. Não tive dúvida, algo sério estava acontecendo: em um desses carros estava o presidente Allende. Na minha “citroneta”, fui para o centro da cidade, onde trabalhava como chefe de imprensa da Rádio Magallanes. No estrada, em Apoquindo e Providencia, estava ouvindo as rádios. Tocava a rádio Agricultura, que transmitia a voz marcial de Gabito Hernandez, alternada com a leitura das primeiras ordens militares e os discos de Los Cuatro Cuatro, Los Quincheros y similares; a Corporación e o Portales. De repente, ouvi a voz do Presidente. Era sua primeira mensagem. Ele havia se comunicado com a Rádio Corporación, como eu supus depois. As emissoras de esquerda (Portales, Corporación, Magellanes, Candelaria, Recabarren e algumas outras) integravam uma cadeia voluntária e militante. La Voz de la Patria que se comprometia mais, sempre que era necessário respaldar o Governo Popular, em resposta à poderosa cadeia de oposição, que tinha como principal veículo a rádio Agricultura.
Liguei o rádio, na rua Estado com a Agustinas, pouco depois das 8. Encontravam-se todos lá. Guillermo Ravest, o diretor, Eulogio Suárez, o gerente, os jornalistas, os locutores. Se vivia um clima de tensão máxima, com a adrenalina no topo. Eles trocavam notícias com rumores em meio a uma sensação de caos. Todos os telefones tocavam ao mesmo tempo. O Presidente voltou a se dirigir ao país uma breve mensagem. Fizemos a "pauta” do dia rapidamente, e enviamos os repórteres para as sedes dos partidos e da Central Única dos Trabalhadores, para à Assistência Pública e, em especial, despachamos um carro com três jornalistas para a torre de transmissão da rádio. Quem poderia assegurar que os golpistas não tentariam silenciar as rádios, ocupando os estúdios da rua do Estado? Neste caso, a rádio poderia continuar ligada a partir da torre transmissora. No início do dia, os militares haviam silenciado a rádio da Universidad Técnica del Estado. Pouco depois a Corporación. Assim, a Magallanes estava sozinha no ar. Escrevíamos as notícias em alta velocidade, e passávamos ao estúdio para que os locutores as lessem entre um disco e outro de Quilapayún ou Inti Illimani. Em um certo momento entrei no estúdio e me pus ajudar a ler os comunicados dos acordos dos industriais e da CUT. De repente, Ravest aparece acenando os braços e tocando no vidro que separava o estúdio da sala de controle. Nesta sala, havia um telefone magnético ligado diretamente ao gabinete do presidente em La Moneda. Há telefones semelhantes a este nos rádios e Portais Corporativos. Ravest nos disse por uma comunicação interna que Allende estava “no ar” e tínhamos que anunciar imediatamente, sem esperar o final do disco que tocávamos. De imediato. O controlador baixou o volume da música e eu anunciei o Presidente. Nenhum de nós sabia que esta seria a última vez que o presidente Allende falava ao país. Não sabíamos, mas eu acreditava que sim. Era claríssimo, ele estava falando para os chilenos com os olhos voltados para o futuro, aos que iriam sobreviver ao golpe de Estado, e aos que iriam ouvir sua voz dez, vinte ou trinta anos depois. Allende falou para a história.
O trabalho seguia nervoso no estúdio. Nós escutávamos a voz do Presidente e, ao mesmo tempo, ordenávamos os textos que iriam ser lidos na continuação e discutíamos com os jornalistas. O operador de rádio havia deixado abertos os microfones do estúdio emitindo a voz do presidente, enquanto nas gravações do discurso histórico, ouviam-se vozes e ordens ao fundo. Ao terminar o discurso presidencial, seguiu uma transmissão especial, até que alguém nos avisou que a torre transmissora havia sido tomada por um comando militar e que os funcionários que estavam ali tinham sido presos. Não estávamos mais “no ar”. Ninguém foi para casa, permanecemos todos na rádio esperando pelo que estava por vir. Um par de horas mais tarde, vimos pelas janelas da rua Estado, frente para o oeste, um avião Hawker Hunter lançar os torpedos contra o La Moneda. Segundos depois, as chamas de um gigantesco incêndio. Queimava a história, nossa história, se incendiava os símbolos de estabilidade e confiança na nossa pátria, na democracia, no progresso por um país melhor e mais justo. A feroz fogueira durou 17 anos.


Fotos: 1- O jornalista Hermán Barahona, locutor da Rádio Magallanes (já falecido); 2- Estúdio da Rádio Magallanes
A REPERCUSSÃO NO BRASIL


Manchetes do Estadão e do Diário de Pernambuco

Fotos: 1- O jornalista Hermán Barahona, locutor da Rádio Magallanes (já falecido); 2- Estúdio da Rádio Magallanes
A REPERCUSSÃO NO BRASIL


Manchetes do Estadão e do Diário de Pernambuco
O ÚLTIMO DISCURSO
Em Português:
"Certamente esta será a última oportunidade de falar para vocês. A Força Aérea bombardeou as torres da Rádio Postais e Rádio Corporação. Minhas palavras não têm amargura, mas decepção que são elas o castigo moral para aqueles que traíram o juramento que fizeram: soldados do Chile, comandantes titulares, o Almirante Merino, que se autodesignou o Comandante da Marinha, e o senhor Mendoza, general rastejante que ainda ontem manifestara sua fidelidade ao governo, e também se autodenominou diretor geral da polícia. Perante estes fatos só posso dizer aos trabalhadores: Eu não vou renunciar! Colocado numa transição histórica, pagarei com minha vida a lealdade do povo. E lhes digo que tenho certeza de que a semente que temos entregue à consciência digna de milhares e milhares de chilenos não poderá ser ceifada definitivamente. Eles têm a força e poderão nos submeter, porém, não se detêm os processos sociais nem com os crimes e nem com a força. A história é nossa, e os povos a fazem. Trabalhadores de minha Pátria: quero agradecer a lealdade que sempre tiveram, a confiança que depositaram em um homem que foi apenas intérprete de grandes anseios de justiça, que empenhou sua palavra em respeito a Constituição e a lei, e que assim fez. Neste momento decisivo, o último em que eu posso dirigir-me a vocês, quero que aproveitem a lição: o capital estrangeiro, o imperialismo, unidos à reação criaram o clima para que as Forças Armadas rompessem sua tradição, que ensinou o general Schneider e reafirmada pelo comandante Araya, vítimas do mesmo setor social que hoje estão em casa esperando com estrangeiros recuperar o poder de continuar a defender os seus lucros e seus privilégios. Dirijo-me, sobretudo, à mulher simples de nossa terra, a mulher camponesa que acreditou em nós, a avó que trabalhou mais, à mãe que soube de nossa preocupação para as crianças. Dirijo-me aos profissionais da Pátria, os profissionais patriotas que continuaram trabalhando contra a sedição patrocinada por escolas privadas, por classes que defendem também as vantagens de uma sociedade capitalista de uns poucos. Dirijo-me à juventude, àqueles que cantaram e deram sua alegria e seu espírito de luta. Dirijo-me ao homem do Chile, ao operário, ao camponês, ao intelectual, àqueles que serão perseguidos, porque em nosso país o fascismo já se faz presente por muitas horas, nos ataques terroristas, explodindo pontes, cortando a linha férrea, destruindo os oleodutos e gasodutos, frente ao silêncio de quem tinha a obrigação de impedir. Eles não impediram. A história os julgará. Seguramente a Rádio Magallanes será calada e o metal tranqüilo de minha voz não chegará até vocês. Não importa. A audiência vai continuar. Eu sempre estarei com vocês. Pelo menos minha lembrança será a de um homem digno que foi leal à Pátria. O povo deve defender-se, mas não sacrificar-se. O povo não deve deixar-se ser destruídos ou crivados de balas, mas também não pode inclinar-se. Trabalhadores da minha pátria, tenho fé no Chile e no seu destino. Outros homens superarão este momento cinzento e amargo em que a traição pretende impor-se. Sigam vocês sabendo que, muito mais cedo que tarde, de novo se abrirão as grandes avenidas por onde passará o homem livre, para construir uma sociedade melhor. Viva Chile! Viva o povo! Vivam os trabalhadores! Estas são as minhas últimas palavras e tenho a certeza de que meu sacrifício não será em vão, tenho a certeza de que, pelo menos, será uma lição moral que castigará a perfídia, a covardia e a traição."
Em Espanhol:
"Esta será seguramente la última oportunidad en que me pueda dirigir a ustedes. La Fuerza Aérea ha bombardeado las torres de radio Portales y radio Corporación. Mis palabras no tienen amargura, sino decepción, y serán ellas el castigo moral para los que han traicionado el juramento que hicieron. Soldados de Chile, comandantes en jefe titulares; el almirante Merino, que se ha autodesignado, más el señor Mendoza, general rastrero, que sólo ayer manifestara su fidelidad y lealtad al gobierno, también se ha denominado director general de Carabineros. Ante estos hechos, sólo me cabe decirles a los trabajadores: ¡Yo no voy a renunciar! Colocado en un tránsito histórico pagaré con mi vida la lealtad del pueblo. Y les digo que tengo la certeza de que la semilla que entregáramos a la conciencia digna de miles y miles de chilenos, no podrá ser segada definitivamente. Tienen la fuerza, podrán avasallarnos, pero no se detienen los procesos sociales ni con el crimen ni con la fuerza. La historia es nuestra y la hacen los pueblos. Trabajadores de mi patria: quiero agradecerles la lealtad que siempre tuvieron, la confianza que depositaron en un hombre que sólo fue intérprete de grandes anhelos de justicia, que empeñó su palabra de que respetaría la Constitución y la Ley, y así lo hizo. En este momento, definitivo, el último en que yo pueda dirigirme a ustedes, quiero que aprovechen de la lección: el capital foráneo, el imperialismo, unido a la reacción, creó el clima para que las Fuerzas Armadas rompieran su tradición, la que les señalara el general Schneider y que reafirmara el comandante Araya, víctimas del mismo sector social que hoy estará en sus casas, esperando por mano ajena reconquistar el poder, para seguir defendiendo sus granjerías y sus privilegios. Me dirijo sobre todo a la modesta mujer de nuestra tierra, a la campesina que creyó en nosotros, a la obrera que trabajó, a la madre que supo de nuestra preocupación por los niños. Me dirijo a los profesionales de la Patria, a los profesionales patriotas, a los que desde hace días estuvieron trabajando contra la sedición auspiciada por los colegios profesionales, colegios de clase para defender también las ventajas que una sociedad capitalista les da a unos pocos. Me dirijo a la juventud, a aquellos que cantaron, que entregaron su alegría y su espíritu de lucha. Me dirijo al hombre de Chile, al obrero, al campesino, al intelectual, aquellos que serán perseguidos. Porque en nuestro país el fascismo ya estuvo hace muchas horas presente, en los atentados terroristas, volando los puentes, cortando la línea férrea, destruyendo los oleoductos y los gasoductos, frente al silencio de los que tenían la obligación de custodiar los bienes del Estado. La historia los juzgará.Seguramente radio Magallanes será acallada y el metal tranquilo de mi voz no llegará a ustedes. No importa; me seguirán oyendo. Siempre estaré junto a ustedes. Por lo menos, mi recuerdo será el de un hombre digno, que fue leal a la lealtad del pueblo. El pueblo debe defenderse pero no sacrificarse; el pueblo no debe dejarse arrasar ni acribillar, pero tampoco puede entregarse. Trabajadores de mi patria: tengo fe en Chile y su destino. Superarán otros hombres este momento gris y amargo donde la traición pretende imponerse. Sigan ustedes sabiendo que mucho más temprano que tarde, de nuevo abrirán las grandes alamedas por donde pase el hombre libre para construir una sociedad mejor. ¡Viva Chile! ¡Viva el pueblo! ¡Vivan los trabajadores! Estas son mis últimas palabras. Tengo la certeza de que mi sacrificio no será en vano; tengo la certeza de que, por lo menos, habrá una lección moral, que castigará la felonía, la cobardía y la traición."
"Certamente esta será a última oportunidade de falar para vocês. A Força Aérea bombardeou as torres da Rádio Postais e Rádio Corporação. Minhas palavras não têm amargura, mas decepção que são elas o castigo moral para aqueles que traíram o juramento que fizeram: soldados do Chile, comandantes titulares, o Almirante Merino, que se autodesignou o Comandante da Marinha, e o senhor Mendoza, general rastejante que ainda ontem manifestara sua fidelidade ao governo, e também se autodenominou diretor geral da polícia. Perante estes fatos só posso dizer aos trabalhadores: Eu não vou renunciar! Colocado numa transição histórica, pagarei com minha vida a lealdade do povo. E lhes digo que tenho certeza de que a semente que temos entregue à consciência digna de milhares e milhares de chilenos não poderá ser ceifada definitivamente. Eles têm a força e poderão nos submeter, porém, não se detêm os processos sociais nem com os crimes e nem com a força. A história é nossa, e os povos a fazem. Trabalhadores de minha Pátria: quero agradecer a lealdade que sempre tiveram, a confiança que depositaram em um homem que foi apenas intérprete de grandes anseios de justiça, que empenhou sua palavra em respeito a Constituição e a lei, e que assim fez. Neste momento decisivo, o último em que eu posso dirigir-me a vocês, quero que aproveitem a lição: o capital estrangeiro, o imperialismo, unidos à reação criaram o clima para que as Forças Armadas rompessem sua tradição, que ensinou o general Schneider e reafirmada pelo comandante Araya, vítimas do mesmo setor social que hoje estão em casa esperando com estrangeiros recuperar o poder de continuar a defender os seus lucros e seus privilégios. Dirijo-me, sobretudo, à mulher simples de nossa terra, a mulher camponesa que acreditou em nós, a avó que trabalhou mais, à mãe que soube de nossa preocupação para as crianças. Dirijo-me aos profissionais da Pátria, os profissionais patriotas que continuaram trabalhando contra a sedição patrocinada por escolas privadas, por classes que defendem também as vantagens de uma sociedade capitalista de uns poucos. Dirijo-me à juventude, àqueles que cantaram e deram sua alegria e seu espírito de luta. Dirijo-me ao homem do Chile, ao operário, ao camponês, ao intelectual, àqueles que serão perseguidos, porque em nosso país o fascismo já se faz presente por muitas horas, nos ataques terroristas, explodindo pontes, cortando a linha férrea, destruindo os oleodutos e gasodutos, frente ao silêncio de quem tinha a obrigação de impedir. Eles não impediram. A história os julgará. Seguramente a Rádio Magallanes será calada e o metal tranqüilo de minha voz não chegará até vocês. Não importa. A audiência vai continuar. Eu sempre estarei com vocês. Pelo menos minha lembrança será a de um homem digno que foi leal à Pátria. O povo deve defender-se, mas não sacrificar-se. O povo não deve deixar-se ser destruídos ou crivados de balas, mas também não pode inclinar-se. Trabalhadores da minha pátria, tenho fé no Chile e no seu destino. Outros homens superarão este momento cinzento e amargo em que a traição pretende impor-se. Sigam vocês sabendo que, muito mais cedo que tarde, de novo se abrirão as grandes avenidas por onde passará o homem livre, para construir uma sociedade melhor. Viva Chile! Viva o povo! Vivam os trabalhadores! Estas são as minhas últimas palavras e tenho a certeza de que meu sacrifício não será em vão, tenho a certeza de que, pelo menos, será uma lição moral que castigará a perfídia, a covardia e a traição."
Em Espanhol:
"Esta será seguramente la última oportunidad en que me pueda dirigir a ustedes. La Fuerza Aérea ha bombardeado las torres de radio Portales y radio Corporación. Mis palabras no tienen amargura, sino decepción, y serán ellas el castigo moral para los que han traicionado el juramento que hicieron. Soldados de Chile, comandantes en jefe titulares; el almirante Merino, que se ha autodesignado, más el señor Mendoza, general rastrero, que sólo ayer manifestara su fidelidad y lealtad al gobierno, también se ha denominado director general de Carabineros. Ante estos hechos, sólo me cabe decirles a los trabajadores: ¡Yo no voy a renunciar! Colocado en un tránsito histórico pagaré con mi vida la lealtad del pueblo. Y les digo que tengo la certeza de que la semilla que entregáramos a la conciencia digna de miles y miles de chilenos, no podrá ser segada definitivamente. Tienen la fuerza, podrán avasallarnos, pero no se detienen los procesos sociales ni con el crimen ni con la fuerza. La historia es nuestra y la hacen los pueblos. Trabajadores de mi patria: quiero agradecerles la lealtad que siempre tuvieron, la confianza que depositaron en un hombre que sólo fue intérprete de grandes anhelos de justicia, que empeñó su palabra de que respetaría la Constitución y la Ley, y así lo hizo. En este momento, definitivo, el último en que yo pueda dirigirme a ustedes, quiero que aprovechen de la lección: el capital foráneo, el imperialismo, unido a la reacción, creó el clima para que las Fuerzas Armadas rompieran su tradición, la que les señalara el general Schneider y que reafirmara el comandante Araya, víctimas del mismo sector social que hoy estará en sus casas, esperando por mano ajena reconquistar el poder, para seguir defendiendo sus granjerías y sus privilegios. Me dirijo sobre todo a la modesta mujer de nuestra tierra, a la campesina que creyó en nosotros, a la obrera que trabajó, a la madre que supo de nuestra preocupación por los niños. Me dirijo a los profesionales de la Patria, a los profesionales patriotas, a los que desde hace días estuvieron trabajando contra la sedición auspiciada por los colegios profesionales, colegios de clase para defender también las ventajas que una sociedad capitalista les da a unos pocos. Me dirijo a la juventud, a aquellos que cantaron, que entregaron su alegría y su espíritu de lucha. Me dirijo al hombre de Chile, al obrero, al campesino, al intelectual, aquellos que serán perseguidos. Porque en nuestro país el fascismo ya estuvo hace muchas horas presente, en los atentados terroristas, volando los puentes, cortando la línea férrea, destruyendo los oleoductos y los gasoductos, frente al silencio de los que tenían la obligación de custodiar los bienes del Estado. La historia los juzgará.Seguramente radio Magallanes será acallada y el metal tranquilo de mi voz no llegará a ustedes. No importa; me seguirán oyendo. Siempre estaré junto a ustedes. Por lo menos, mi recuerdo será el de un hombre digno, que fue leal a la lealtad del pueblo. El pueblo debe defenderse pero no sacrificarse; el pueblo no debe dejarse arrasar ni acribillar, pero tampoco puede entregarse. Trabajadores de mi patria: tengo fe en Chile y su destino. Superarán otros hombres este momento gris y amargo donde la traición pretende imponerse. Sigan ustedes sabiendo que mucho más temprano que tarde, de nuevo abrirán las grandes alamedas por donde pase el hombre libre para construir una sociedad mejor. ¡Viva Chile! ¡Viva el pueblo! ¡Vivan los trabajadores! Estas son mis últimas palabras. Tengo la certeza de que mi sacrificio no será en vano; tengo la certeza de que, por lo menos, habrá una lección moral, que castigará la felonía, la cobardía y la traición."
2- O ÚLTIMO COMBATE DE SALVADOR ALLENDE


Fotos:1- Em Santiago, o recém-eleito presidente Salvador Allende acena para seus apoiadores. A seu lado, montado a cavalo, o carrancudo general Augusto Pinochet, que apenas três anos depois arquitetaria a queda do governo socialista, 2- Pinochet assume como chefe das Forças Armadas no lugar do Gal. Carlos Prats; 3- Pinochet, já no comando, ao lado de Allende.






Fotos: 1- La Moneda em chamas; 2/3- Destroços do carro e o corpo do Gal. Carlos Prats, exilado e morto na Argentina a mando de Pinochet; 4/5- Corpo de Allende no La Moneda e depois sendo retirado do Palácio; 6- Soldados encarregados da matança no Estádio Nacional do Chile.

Fotos:1- Em Santiago, o recém-eleito presidente Salvador Allende acena para seus apoiadores. A seu lado, montado a cavalo, o carrancudo general Augusto Pinochet, que apenas três anos depois arquitetaria a queda do governo socialista, 2- Pinochet assume como chefe das Forças Armadas no lugar do Gal. Carlos Prats; 3- Pinochet, já no comando, ao lado de Allende.




Fotos: 1- La Moneda em chamas; 2/3- Destroços do carro e o corpo do Gal. Carlos Prats, exilado e morto na Argentina a mando de Pinochet; 4/5- Corpo de Allende no La Moneda e depois sendo retirado do Palácio; 6- Soldados encarregados da matança no Estádio Nacional do Chile.


Fotos: 1/2- Reconhecimento público pelo "trabalho bem feito": Secretário de Estado Henry Kissinger, EUA, atende ditador chileno Augusto Pinochet durante uma visita oficial em 8 de junho de 1976; 3- Pinochet no poder: " Quem manda matar sou eu".
"A DIREITA E OS EUA NÃO QUERIAM UM SOCIALISMO COM DEMOCRACIA NO CHILE. SERIA CONTAGIOSO"
Luís Corvalán, principal dirigente do Partido Comunista do Chile por mais de trinta anos, foi o segundo homem do governo Allende. Nesta entrevista inédita, realizada há vinte anos, ele analisa os momentos cruciais da Unidade Popular, do golpe e fala do projeto de sociedade que tinham em mente. “Queremos um socialismo com democracia e liberdade, com sabor de vinho tinto e cheiro de empanada”, como dizia Allende. Por Gilberto Maringoni, na Carta Maior
Luís Alberto Corvalán Lepe (1916-2010) foi quase uma lenda na esquerda mundial. Senador, coordenador da campanha presidencial e articulador da Unidade Popular, ele foi o segundo homem do governo de Salvador Allende (1970-73). Durante 78 anos, a vida desse dirigente de olhos claros e inquietos e não mais que 1m65 de altura se confundiu com a história das lutas populares de seu país. Entre 1958 e 1990, Corvalán foi Secretário-Geral do Partido Comunista do Chile. Juntamente com o Partido Socialista, a agremiação compôs a espinha dorsal do governo da Unidade Popular. Sua militância teve início, em 1932, e se estendeu por 78 anos, até sua morte, aos 93. Preso várias vezes e clandestino por largos períodos, Corvalán transformou o PCCh numa agremiação articulada e de grande densidade eleitoral. Preso nos dias iniciais do golpe de 11 de setembro de 1973, Corvalán tornou-se – depois de seu amigo Victor Jara – a principal figura pública nos cárceres da ditadura. Sairia dali três anos depois, no bojo de intensa campanha internacional, para um exílio na então União Soviética. Voltaria à sua terra clandestinamente em 1988, pouco antes do fim do regime. A entrevista abaixo foi realizada na tarde de 9 de setembro de 1993, numa modesta casa de San Bernardo, cidadezinha localizada a 27 quilômetros ao sul de Santiago. Aos 77 anos, Corvalán estava no meio de uma campanha para senador. Não se elegeu. Uma draconiana lei eleitoral, herança dos tempos de Pinochet – cujas bases ainda se mantêm – dificultam enormemente o avanço eleitoral da esquerda. Fui ao Chile por conta própria, para fazer uma grande reportagem sobre os vinte anos do golpe e os personagens remanescentes do governo Allende. A intenção era publicá-la na revista Teoria & Debate, do Partidos dos Trabalhadores. O projeto foi abortado. No meio do trabalho, fortes febres e um indizível mal estar me obrigaram a voltar. Diagnóstico: uma hepatite C, que me deixou de molho por mais de um mês. A entrevista com Corvalán permaneceu inédita. Seguem agora os principais trechos de duas horas de conversa com um personagem risonho e amabilíssimo, realizada quando o continente vivia o auge dos tempos neoliberais.
Luís Alberto Corvalán Lepe (1916-2010) foi quase uma lenda na esquerda mundial. Senador, coordenador da campanha presidencial e articulador da Unidade Popular, ele foi o segundo homem do governo de Salvador Allende (1970-73). Durante 78 anos, a vida desse dirigente de olhos claros e inquietos e não mais que 1m65 de altura se confundiu com a história das lutas populares de seu país. Entre 1958 e 1990, Corvalán foi Secretário-Geral do Partido Comunista do Chile. Juntamente com o Partido Socialista, a agremiação compôs a espinha dorsal do governo da Unidade Popular. Sua militância teve início, em 1932, e se estendeu por 78 anos, até sua morte, aos 93. Preso várias vezes e clandestino por largos períodos, Corvalán transformou o PCCh numa agremiação articulada e de grande densidade eleitoral. Preso nos dias iniciais do golpe de 11 de setembro de 1973, Corvalán tornou-se – depois de seu amigo Victor Jara – a principal figura pública nos cárceres da ditadura. Sairia dali três anos depois, no bojo de intensa campanha internacional, para um exílio na então União Soviética. Voltaria à sua terra clandestinamente em 1988, pouco antes do fim do regime. A entrevista abaixo foi realizada na tarde de 9 de setembro de 1993, numa modesta casa de San Bernardo, cidadezinha localizada a 27 quilômetros ao sul de Santiago. Aos 77 anos, Corvalán estava no meio de uma campanha para senador. Não se elegeu. Uma draconiana lei eleitoral, herança dos tempos de Pinochet – cujas bases ainda se mantêm – dificultam enormemente o avanço eleitoral da esquerda. Fui ao Chile por conta própria, para fazer uma grande reportagem sobre os vinte anos do golpe e os personagens remanescentes do governo Allende. A intenção era publicá-la na revista Teoria & Debate, do Partidos dos Trabalhadores. O projeto foi abortado. No meio do trabalho, fortes febres e um indizível mal estar me obrigaram a voltar. Diagnóstico: uma hepatite C, que me deixou de molho por mais de um mês. A entrevista com Corvalán permaneceu inédita. Seguem agora os principais trechos de duas horas de conversa com um personagem risonho e amabilíssimo, realizada quando o continente vivia o auge dos tempos neoliberais.
UM CORTE NA HISTÓRIA
“O golpe chileno tem a ver com certas tendências existentes no continente. Sempre houve períodos de democratização relativa e outros de golpes de Estado na América Latina, com intervalo de um ou dois anos, a depender de cada país. A situação no Chile foi mais a brutal de todas. Aqui não se tratava simplesmente de mudar um governo por outro e nem de se trocar um regime civil por um militar. Tratava-se de impor um corte brutal nos rumos e na história do país. Surgira o governo da Unidade Popular, que tinha levado a cabo profundas transformações, propondo-se a construir uma sociedade socialista, nacionalizando todas as riquezas básicas e extrativas do solo, como as minas de cobre, de ferro, de carvão e a produção de cimento. Allende nacionalizou 79 grandes empresas industriais, 16 dos 18 bancos comerciais existentes, expropriou cem milhões de hectares de terra, completando-se assim o processo de reforma agrária iniciado no governo de Eduardo Frei (1964-70). Além disso, foram incorporadas às instâncias do poder, à cúpula do Estado, à administração pública e à direção das estatais representantes do povo e da classe operária. Foi o primeiro governo da história do Chile que contou com a participação de quatro ministros operários, três comunistas e um socialista. A direita não tolerou isso”.
“O golpe chileno tem a ver com certas tendências existentes no continente. Sempre houve períodos de democratização relativa e outros de golpes de Estado na América Latina, com intervalo de um ou dois anos, a depender de cada país. A situação no Chile foi mais a brutal de todas. Aqui não se tratava simplesmente de mudar um governo por outro e nem de se trocar um regime civil por um militar. Tratava-se de impor um corte brutal nos rumos e na história do país. Surgira o governo da Unidade Popular, que tinha levado a cabo profundas transformações, propondo-se a construir uma sociedade socialista, nacionalizando todas as riquezas básicas e extrativas do solo, como as minas de cobre, de ferro, de carvão e a produção de cimento. Allende nacionalizou 79 grandes empresas industriais, 16 dos 18 bancos comerciais existentes, expropriou cem milhões de hectares de terra, completando-se assim o processo de reforma agrária iniciado no governo de Eduardo Frei (1964-70). Além disso, foram incorporadas às instâncias do poder, à cúpula do Estado, à administração pública e à direção das estatais representantes do povo e da classe operária. Foi o primeiro governo da história do Chile que contou com a participação de quatro ministros operários, três comunistas e um socialista. A direita não tolerou isso”.
A UNIDADE POPULAR
“Todos nós – os Partidos Socialista, Comunista, Radical, Democrático Nacional e a Ação Popular Independente – estávamos unidos em torno de um programa comum que compreendia todas as áreas da política nacional e internacional, com destaque para os setores da economia, da educação, da saúde e da agricultura. As relações entre nós, no primeiro momento, eram positivas e construtivas. Havia, vez ou outra, dificuldades e diferenças. Essas se acentuaram com o tempo, à medida que a contrarrevolução foi ganhando força. No final, as dissensões ficaram mais evidentes, principalmente entre os comunistas e socialistas. Nós não compartilhávamos das tendências ultraesquerdistas que começavam a surgir no interior do PS e que, de alguma maneira, precipitaram a situação posterior. Mas as diferenças não eram o essencial no interior do governo”.
“Todos nós – os Partidos Socialista, Comunista, Radical, Democrático Nacional e a Ação Popular Independente – estávamos unidos em torno de um programa comum que compreendia todas as áreas da política nacional e internacional, com destaque para os setores da economia, da educação, da saúde e da agricultura. As relações entre nós, no primeiro momento, eram positivas e construtivas. Havia, vez ou outra, dificuldades e diferenças. Essas se acentuaram com o tempo, à medida que a contrarrevolução foi ganhando força. No final, as dissensões ficaram mais evidentes, principalmente entre os comunistas e socialistas. Nós não compartilhávamos das tendências ultraesquerdistas que começavam a surgir no interior do PS e que, de alguma maneira, precipitaram a situação posterior. Mas as diferenças não eram o essencial no interior do governo”.
O ONZE
“No dia do golpe, eu estava em casa e, muito cedo, recebi a informação do subsecretário do Interior, companheiro Daniel Vergara, sobre o movimento das tropas, particularmente em Valparaíso [tomada de assalto pela Marinha no dia anterior]. Rapidamente montamos uma reunião da Comissão Política do Comitê Central. O encontro durou até 10h30. Aí percebemos que o golpe estava consumado e que não havia condições de desbaratá-lo. Decidimos que a direção entraria para a clandestinidade, e seria encabeçada pelo Subsecretário-geral, Víctor Diaz, que figura entre os desaparecidos [descobriu-se posteriormente que ele foi jogado ao mar, de helicóptero, em 1976]. Definimos também que eu, por ser uma figura mais conhecida, , passaria a uma clandestinidade absoluta. Fui preso em 27 de setembro. Após três anos e dois meses no cárcere, fui para o exílio”.
“No dia do golpe, eu estava em casa e, muito cedo, recebi a informação do subsecretário do Interior, companheiro Daniel Vergara, sobre o movimento das tropas, particularmente em Valparaíso [tomada de assalto pela Marinha no dia anterior]. Rapidamente montamos uma reunião da Comissão Política do Comitê Central. O encontro durou até 10h30. Aí percebemos que o golpe estava consumado e que não havia condições de desbaratá-lo. Decidimos que a direção entraria para a clandestinidade, e seria encabeçada pelo Subsecretário-geral, Víctor Diaz, que figura entre os desaparecidos [descobriu-se posteriormente que ele foi jogado ao mar, de helicóptero, em 1976]. Definimos também que eu, por ser uma figura mais conhecida, , passaria a uma clandestinidade absoluta. Fui preso em 27 de setembro. Após três anos e dois meses no cárcere, fui para o exílio”.
MOTIVOS DO GOLPE
“Como já afirmei, a ditadura militar impôs um corte muito grande na história de nosso país. O Chile marchava rumo a uma sociedade socialista, por um caminho próprio e original. Allende dizia: “Queremos construir o socialismo com democracia e liberdade, com sabor de vinho tinto e cheiro de empanada”, aludindo a dois de nossos produtos tradicionais. O socialismo começaria a partir de uma vitória eleitoral, de acordo com a Constituição e as leis do país. Acima de tudo, essa construção ocorria com liberdade política, reconhecendo os direitos da oposição e com a existência de pluripartidarismo. Nunca sustentamos a tese do partido único. Essa condição sine qua non que defendemos não está nos livros de Lenin e de seus continuadores. Tínhamos, assim, um regime especial, que despertou grande simpatia em todo o mundo. E essa foi precisamente uma das razões do golpe, pois a Revolução Cubana já havia sido um grande problema para os Estados Unidos e para a direita. Um problema maior ainda seria a constituição de um exemplo contagioso no Chile. A ditadura militar veio para estabelecer as posições do capitalismo e do imperialismo que haviam sido derrotadas. Devo lembrar que anteriormente, as minas de cobre estavam em mãos norte-americanas. Com Allende, elas passaram para o controle do país. Para reverter esse quadro, utilizaram a força das armas.
“Como já afirmei, a ditadura militar impôs um corte muito grande na história de nosso país. O Chile marchava rumo a uma sociedade socialista, por um caminho próprio e original. Allende dizia: “Queremos construir o socialismo com democracia e liberdade, com sabor de vinho tinto e cheiro de empanada”, aludindo a dois de nossos produtos tradicionais. O socialismo começaria a partir de uma vitória eleitoral, de acordo com a Constituição e as leis do país. Acima de tudo, essa construção ocorria com liberdade política, reconhecendo os direitos da oposição e com a existência de pluripartidarismo. Nunca sustentamos a tese do partido único. Essa condição sine qua non que defendemos não está nos livros de Lenin e de seus continuadores. Tínhamos, assim, um regime especial, que despertou grande simpatia em todo o mundo. E essa foi precisamente uma das razões do golpe, pois a Revolução Cubana já havia sido um grande problema para os Estados Unidos e para a direita. Um problema maior ainda seria a constituição de um exemplo contagioso no Chile. A ditadura militar veio para estabelecer as posições do capitalismo e do imperialismo que haviam sido derrotadas. Devo lembrar que anteriormente, as minas de cobre estavam em mãos norte-americanas. Com Allende, elas passaram para o controle do país. Para reverter esse quadro, utilizaram a força das armas.
OBJETIVOS DA DITADURA
O golpe coincide com o fim do ciclo desenvolvimentista na América Latina e com o início da economia neoliberal. E isso, Pinochet impões a ferro e fogo. Esta a razão do golpe! Durante a ditadura, o Chile passou por momentos muito difíceis, também do ponto de vista econômico, com uma grande crise entre 1981-82. O resultado posterior, segundo eles, é que o país teve um grande crescimento, que chegou a 9% , em 1992, e com um desemprego baixo, na casa dos 5%. Passaram a dizer que existiria aqui um “nilagre chileno”, a exemplo do “milagre brasileiro”, do início dos anos 1970. Mas quem se beneficia deste “milagre”? O grande capital nacional e transnacional. O número de pobres duplicou em relação a 1970. Tínhamos 22% da população nessas condições e hoje (1993), temos 40%! A participação dos salários na renda nacional era de 50% durante o governo Frei, subiu para 62% com Allende e no auge da ditadura, baixou para 34%. Os trabalhadores perderam conquistas importantes, houve redução do salário-mínimo e das aposentadorias.
O golpe coincide com o fim do ciclo desenvolvimentista na América Latina e com o início da economia neoliberal. E isso, Pinochet impões a ferro e fogo. Esta a razão do golpe! Durante a ditadura, o Chile passou por momentos muito difíceis, também do ponto de vista econômico, com uma grande crise entre 1981-82. O resultado posterior, segundo eles, é que o país teve um grande crescimento, que chegou a 9% , em 1992, e com um desemprego baixo, na casa dos 5%. Passaram a dizer que existiria aqui um “nilagre chileno”, a exemplo do “milagre brasileiro”, do início dos anos 1970. Mas quem se beneficia deste “milagre”? O grande capital nacional e transnacional. O número de pobres duplicou em relação a 1970. Tínhamos 22% da população nessas condições e hoje (1993), temos 40%! A participação dos salários na renda nacional era de 50% durante o governo Frei, subiu para 62% com Allende e no auge da ditadura, baixou para 34%. Os trabalhadores perderam conquistas importantes, houve redução do salário-mínimo e das aposentadorias.
O FIM DA URSS
Escrevi um livro expondo minha visão sobre o fim da URSS [“El derrumbe Del poder soviético”]. Em poucas palavras penso o seguinte: a Revolução de Outubro foi a maior transformação social de toda a História e a União Soviética foi um país socialista. Nasceu como um poder democrático e popular e representou um grande papel no mundo. O socialismo converteu um país atrasadíssimo na segunda potência industrial do globo em duas décadas. Porém, uma série de fenômenos se cruzaram, ela viveu o tempo todo sob o assédio e o ataque das potências capitalistas, enfrentou o nazismo na II Guerra Mundial (1939-45) e passou pelos desafios da Guerra Fria (1947-91). Proliferaram nesse quadro várias tendências internas negativas, como o burocratismo e o antidemocratismo, que criaram as condições para o seu desmantelamento.
Escrevi um livro expondo minha visão sobre o fim da URSS [“El derrumbe Del poder soviético”]. Em poucas palavras penso o seguinte: a Revolução de Outubro foi a maior transformação social de toda a História e a União Soviética foi um país socialista. Nasceu como um poder democrático e popular e representou um grande papel no mundo. O socialismo converteu um país atrasadíssimo na segunda potência industrial do globo em duas décadas. Porém, uma série de fenômenos se cruzaram, ela viveu o tempo todo sob o assédio e o ataque das potências capitalistas, enfrentou o nazismo na II Guerra Mundial (1939-45) e passou pelos desafios da Guerra Fria (1947-91). Proliferaram nesse quadro várias tendências internas negativas, como o burocratismo e o antidemocratismo, que criaram as condições para o seu desmantelamento.
FUTURO
Vamos seguir sustentando as bandeiras do socialismo, da classe operária e das transformações sociais. Isso não é fácil. Nunca foi fácil ser revolucionário. Porém, eu sempre compartilhei de um pensamento externado por Marx, quando lhe perguntaram onde estava a felicidade. Ele respondeu: “Na luta. Na luta pela transformação social em favor das maiorias”. Passamos por um processo muito duro para o Partido, porém não nos dividimos e mantivemos nossas bandeiras. Não temos a mesma força e influência de antes, mas voltaremos a ter. Provavelmente não verei este momento, mas com o apoio do povo e de outras forças democráticas, voltaremos a empreender o caminho da construção de uma sociedade mais justa. De uma sociedade socialista, como queria Salvador Allende.
Vamos seguir sustentando as bandeiras do socialismo, da classe operária e das transformações sociais. Isso não é fácil. Nunca foi fácil ser revolucionário. Porém, eu sempre compartilhei de um pensamento externado por Marx, quando lhe perguntaram onde estava a felicidade. Ele respondeu: “Na luta. Na luta pela transformação social em favor das maiorias”. Passamos por um processo muito duro para o Partido, porém não nos dividimos e mantivemos nossas bandeiras. Não temos a mesma força e influência de antes, mas voltaremos a ter. Provavelmente não verei este momento, mas com o apoio do povo e de outras forças democráticas, voltaremos a empreender o caminho da construção de uma sociedade mais justa. De uma sociedade socialista, como queria Salvador Allende.
3- OS 11 DE SETEMBRO E AS HIPOCRISIAS DO TIO SAM



Fotos: 1- Presidente dos EUA, Richard Nixon (frente); Secretário de Estado dos EUA, Henry Kissinger (meio), e um de seus alunos, Donald Rumsfeld (atrás), em 1974. Rumsfeld mais tarde se tornaria o mais alto executivo condecorado da indústria farmacêutica nos EUA e o arquiteto de três guerras durante o governo Bush; 2- A dupla de gângster, responsáveis pela queda de Allende; 3- Novos gângster: Bush e Bin Laden (ps.: só tem gângster nas fotos, exceto Allende)

MORTE DE ALLENDE FAZ CONTRAPONTO AO 11/9 NAS REDES SOCIAIS
Golpe e assassinato do ex-presidente chileno ganharam a internet desde terça-feira, dia 10/9.


Fotos: 1- Presidente dos EUA, Richard Nixon (frente); Secretário de Estado dos EUA, Henry Kissinger (meio), e um de seus alunos, Donald Rumsfeld (atrás), em 1974. Rumsfeld mais tarde se tornaria o mais alto executivo condecorado da indústria farmacêutica nos EUA e o arquiteto de três guerras durante o governo Bush; 2- A dupla de gângster, responsáveis pela queda de Allende; 3- Novos gângster: Bush e Bin Laden (ps.: só tem gângster nas fotos, exceto Allende)

MORTE DE ALLENDE FAZ CONTRAPONTO AO 11/9 NAS REDES SOCIAIS
Golpe e assassinato do ex-presidente chileno ganharam a internet desde terça-feira, dia 10/9.
Caros Amigos - Da Redação
O assassinato de Salvador Allende fez o contraponto da terça-feira nas redes sociais ao 11 de Setembro lembrado pelos Estados Unidos, data do ataque às torres do World Trade Center (veja imagens abaixo). No mesmo dia, Allende foi morto por golpistas liderados por Pinochet e patrocinados pelos Estados Unidos. Desde a manhã circulam no Facebook posts com imagens que ligam as 'torres gêmeas' aos dois éles do nome do ex-presidente chileno que se recusou a fugir e acabou morrendo em 11 de setembro no Palácio La Moneda, sede do governo em Santigado. Seu assassinato deu início no Chile a um período sombrio de 17 anos de perseguições políticas e assassinatos que resultou em 3 mil mortos e 37 mil vítimas de prisões e torturas.
Data
A data é lembrada todos os anos no Chile por familiares de vítimas da ditadura e militantes dos direitos humanos. No domingo, dia 8/9, manifestantes e policiais entraram em confronto nas ruas de Santiago, que acabou em feridos e prisões. Os manifestantes, entre eles a Associação de Familiares de Desaparecidos, cobram justiça e fim da impunidade dos ditadores.
Abaixo, algumas imagens reproduzidas das redes sociais:



4- Livro de Guillermo Ravest "Pretérito imperfeito":
http://www.lom.cl/74b7a282-e796-4cfc-ac7f-c3416fa57105/Pret%C3%A9rito-imperfecto.aspx
VÍDEOS adicionados por António Garrochinho
ALLENDE, O POVO TE DEFENDE
Ó ÚLTIMO DISCURSO
COMPANHEIRO SALVADOR
jornalggn.com.br

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