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domingo, 16 de dezembro de 2018

Juventude Socialista: uma fábrica de políticos profissionais



Congresso da Juventude Socialista alvo de providência cautelar

para impedir eleição de Maria Begonha.

Mais uma polémica, no percurso da jovem socialista que se prepara

para chegar a um cargo que, historicamente, assegura carreira política

Funções de destaque no Governo, no Parlamento e no poder local, 

no partido. A liderança da Juventude Socialista (JS), neste fim de semana 
discutida em Almada no XXI congresso nacional da organização, 
tem sido um viviveiro de políticos profissionais ou, pelo menos, políticos 
fortemente empenhados, mesmo que não vivendo de ordenados públicos.
















Envolta em polémica, se a nova secretária-geral, Maria Begonha, não
conseguir catapultar-se para a política profissional permanente, será
uma excepção à regra.
Um excepção que, no entanto, até se poderá explicar facilmente.
Se aos líders da JS nunca faltaram polémicas, Maria Begonha fez-se
notícia antes da eleição que agora até poderá estar em risco
segundo o Observador, militantes socialistas entregaram na 
passada sexta-feira uma providência cautelar para suspender 
os trabalhos do congresso.
A corrida de Maria Begonha à liderança da Juventude Socialista tem sido
tudo menos pacífica. Nos últimos meses, a candidata viu-se envolvida
em várias polémicas. Primeiro, foi a biografia publicada na página oficial 
da candidatura, onde surgia um mestrado que a jovem 
socialista frequentou, mas não concluiu
O caso seria reduzido a um erro de transcrição, mas acabaria por
conduzir à demissão do diretor da campanha.
Depois, foi notícia que Maria Begonha, ao candidatar-se a um cargo na 
Câmara de Lisboa, tinha escrito no currículo que foi "assessora na área de 
Políticas Públicas Autárquicas" na Junta de Freguesia de Benfica. 
Acontece que os documentos oficiais - e a própria presidente 
da junta - dizem que foi contratada para exercer "serviços de apoio ao 
secretariado".
Polémicas suficientes para que o Ministério Público tenha aberto abriu entretanto um 
inquérito aos erros e incongruências no currículo da candidata.
O próprio congresso já havia sido alvo de um pedido de impugnação, por alegadas
irregularidades, mas o pedido acabria indeferido pelo Conselho de Jurisdição por 
ter entrado fora dos prazos legais, mas admitia que a reunião da Comissão Nacional
que marcou o congresso não estava habilitada a tomar essa decisão.
Agora, segundo o Observador, João Tiago Pinto, militante da juventude partidária,
intrepôs uma providência cautelar com vista a travar a eleição de Begonha
- prevista para este Domingo.
Quem foram então, e o que fazem na política, os ex-líderes da JS?
Alberto Arons de Carvalho



Fundador do PS em 1973, foi o primeiro secretário-geral da JS, de 1975 a 1978.
Foi jornalista e depois passou para o ensino universitário de Comunicação
Social, que ainda exerce.
Foi deputado e secretário de Estado da Comunicação Social durante os
governos de António Guterres. Aos 69 anos, é um dos dois ex-líderes da
JS fora da política ativa.
José Leitão
Advogado, liderou a JS entre 1978 e 1981. Foi deputado e alto comissário
para as migrações, uma sua área de interesse permanente.
Mantém-se na política
ativa como líder do PS na Assembleia Municipal de Lisboa.
Margarida Marques
De 1981 a 1984, a organização teve uma mulher à frente, Margarida
Marques.
Especialista em questões europeias, chegou a dirigir a representação
da Comissão em Lisboa. No atual Governo, foi secretária de Estado
dos Assuntos Europeus, desde o início da legislatura até julho do ano
passado. Deixou o executivo em circunstâncias nunca inteiramente
explicadas - não se demitiu, foi demitida
- e agora é deputada na AR, sendo uma das principais porta-vozes da
bancada nas questões
José Apolinário
Liderou a organização de 1984 a 1990, um tempo marcado por relações
difíceis com o partido. Foi deputado na AR durante várias legislaturas,
eurodeputado e é atualmente secretário de Estado das Pescas,
cargo que desempenha pela segunda vez
(a primeira foi num governo de Guterres).
António José Seguro



O líder da JS que mais longe chegou na estrutura do partido
- foi secretário-geral do PS de 2011 a 2014 - é um dos dois ex-chefes
da organização de juventude dos socialistas fora da política ativa.
Seguro, atualmente professor universitário, bem como empresário
no setor do turismo e da segurança alimentar, dirigiu a JS
entre 1990 e 1994. Vem desse tempo a sua animosidade com
António Costa (recíproca, aliás). A guerra entre os dois só acabaria em
2014 quando, após umas eleições europeias em que o PS ganhou
por "poucochinho", Costa lhe desafiou a liderança do partido.
Pela primeira vez, o secretário-geral do partido foi escolhido numa eleição também
aberta a simpatizantes do PS (e não apenas militantes).
Costa venceu. Seguro retirou-se da vida política.
Sérgio Sousa Pinto
Catapultou a JS, que liderou de 1994 a 2000, para níveis inéditos da
projeção pública com a campanha que protagonizou em defesa da
despenalização do aborto.
O líder do PS, António Guterres, católico militante, tirou-lhe o tapete, acordando
com o então líder do PSD, Marcelo Rebelo de Sousa, um referendo à proposta, em 1998.
O "não" acabou por vencer. A despenalização do aborto só seria aprovada em 2007, com um
segundo referendo, onde desta vez o "sim" venceu. Sérgio Sousa Pinto
integrou a direção de António Costa no PS mas abandonou-a
em desacordo com os acordos da "geringonça" e com o facto de Costa ter formado
Governo mesmo tendo perdido as eleições. É deputado na AR e presidente
da comissão parlamentar de Negócios Estrangeiros.
Jamila Madeira



Tornou-se, em 2000, na segunda mulher a dirigir a JS, depois de Margarida Marques.
Conquistou a liderança num dos congressos mais disputados da JS,
contra Ana Catarina Mendes. Esta é hoje a chefe incontestada do aparelho
do PS, como secretária-geral adjunta do partido. Jamila Madeira, que deixou de ser
secretária-geral da JS em 2004, já foi eurodeputada e hoje é deputada na
Assembleia da República.
Pedro Nuno Santos



De 2004 a 2008 a JS foi liderada por Pedro Nuno Santos.
Como secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares, é hoje considerado
uma peça-chave no funcionamento da "geringonça" - uma solução política de que
é um dos principais defensores dentro do partido.

É por ele que passam grande parte das negociações entre os quatro partidos
que dão suporte maioritário ao governo do PS.
No último congresso nacional do partido, em maio passado, tornou-se evidente que
Pedro Nuno Santos ambiciona suceder a António Costa na liderança
do partido. O seu perfil "esquerdista" suscita reservas nos setores mais
centristas do partido, que têm em Fernando Medina
(presidente da Câmara Municipal de Lisboa) e Augusto Santos Silva
(MNE) duas das suas principais figuras de referência. Pedro Nuno Santos
foi de tal forma vocal a afirmar as suas ambições que António Costa
teve de, nesse congresso, fazer um"aviso":
"Não meti os papéis para a reforma."
Duarte Cordeiro
Liderou a JS de 2008 a 2010, numa linha de continuidade face
a Pedro Nuno Santos.
Foi deputado na Assembleia da República. Desde 2013 que é vice-presidente
da Câmara Municipal de Lisboa.
Será uma voz a ter em conta na sucessão
de António Costa.
Pedro Delgado Alves
Assim como Duarte Cordeiro representou a continuidade em relação
a Pedro Nuno Santos, também Pedro Delgado Alves representou o mesmo
face a Duarte Cordeiro. Liderou a JS de 2010 a 2012.
É deputado na AR e um dos mais importantes legisladores da bancada,
além de presidente da Junta de Freguesia do Lumiar.
João Torres
Liderou os jovens socialistas de 2012 a 2016, foi deputado na AR e
hoje é secretário de Estado da Defesa do Consumidor.
Empenhou-se a defender propostas como a da legalização da prostituição,
controlo pelo Estado da produção e venda de drogas leves e limitação legal
das diferenças salariais nas empresas entre funcionários de topo
e funcionários de base.
Ivan Gonçalves



O líder que hoje vai cessar funções, para dar o lugar a Maria Begonha,
é deputado na AR.

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