Por mais de 150 anos funcionou o asilo psiquiátrico Willard, em Nova York. Inaugurado em 1869, Willard chegou a ser o maior asilo do país, com mais de 80 edifícios. Em 1877 o asilo já possuía 1500 pacientes, especializado em casos perigosos e violentos e, como toda instituição desse tipo, uma incalculável coleção de memórias, dores, lutas, sorrisos e lágrimas inscritas entre as paredes de tal lugar.

O asilo foi fechado somente em 1995, mas a teimosia da memória encontrou uma maneira impressionante de fazer, de uma maneira ou de outra, as histórias desses pacientes permanecerem. Quando do encerramento de Willard, uma coleção de maletas pessoais, que pertenceram aos pacientes do asilo, foi encontrada e, intocada, transformada em acervo do museu de Nova Iorque.

Fascinado pela passagem do tempo que se registra nesses objetos, como uma coleção vasta de biografias visuais e máquinas de tempos inexatos, o fotógrafo Jon Crispin decidiu por registrar tais malas e seus conteúdos, como uma maneira de espiar um pouco não só a intimidade de pessoas específicas e especiais, mas também registrando o próprio afeto desses pacientes isolados e a sensação e os detalhes de um local e época como que pelo buraco da fechadura – olhando o passado de dentro do próprio passado.
















© fotos: Jon Crispin
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