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quinta-feira, 25 de agosto de 2016

A Revolução Haitiana



Um dia, em uma pequena ilha, os escravos se rebelaram contra 
os senhores, tomaram controle de suas vidas e o mundo nunca mais 
foi o mesmo. É impossível exagerar a influência da Revolução Haitiana 
nos rumos da História ocidental.

Battle of Vertières in 1803
O Haiti foi a segunda nação do hemisfério ocidental a se tornar 
independente.
A Revolução Haitiana não ser parte do currículo obrigatório de 
História é um absurdo. Ela foi um dos acontecimentos mais decisivos 
e marcantes da história mundial. Sem conhecer a Revolução Haitiana, não 
dá pra entender NADA sobre a História das Américas no século XIX.
Aliás, não dá pra entender nem mesmo a Revolução Francesa e as fraturas 
internas do projeto liberal-iluminista. Tudo o que se tentou e 
(mais importante) se deixou de tentar politicamente nas Américas foi em 
função da Revolução Haitiana.
Em cada discussão, em cada conversa, em cada debate no Plenário, no 
Chile e no Brasil, em Cuba e nos Estados Unidos, depois de muito 
hesitar, alguém sempre mencionava o grande bicho-papão:
"Mas... e o Haiti?"
Sem ler a literatura da época, fica difícil de quantificar o quanto a simples 
existência da revolução haitiana mudou tudo no curso da história política 
e econômica das Américas.
Durante as guerras de independência latino-americanas, e durante os posteriores 
debates abolicionistas, o Haiti era o grande bicho-papão:
Como fazer a independência sem haitizar o país?

Como dar liberdade aos negros de modo que não saíssem queimando

tudo e degolando os brancos? Na dúvida, melhor ser conservador, fazer

a coisa aos poucos.

É bom não facilitar com essa negrada bárbara.
A política brasileira do deixa-disso, do não fazer nada, do esperar pra 
ver, que fez com que fôssemos a última nação livre do Ocidente a abolir 
a escravidão, é consequência direta do medo que nossa elite tinha do Haiti.

toussaint l'ouverture
Toussaint de L'Ouverture, chefe da revolução, foi um daqueles grandes 
líderes que só aparecem de séculos em séculos. Derrotou os exércitos da 
Grã-Bretanha, Espanha e França - algumas vezes lutando juntos contra ele. 
Unificou e libertou seu país. Foi inteligente, sensato, conciliador, decisivo. 
E, como tantos grandes homens (penso em Viriato, outro grande líder 
esquecido), foi morto à traição, pois não conseguiam derrotá-lo no campo 
de batalha.
Infelizmente, depois de sua morte, as coisas saíram do controle, houve 
massacres indiscriminados e destruição extensiva de propriedades - justamente 
os engenhos de açúcar que, por um lado, simbolizavam a escravidão 
mas, por outro, representavam a riqueza do Haiti.
O país mergulhou no caos e na pobreza e, hoje, duzentos anos 
depois, continua pobre e instável.
Mas livre.

papodehomem.com.br

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