Um trabalhista
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Nestes tempos cada vez mais sombrios, uma excelente, excelente, notícia: Jeremy Corbyn foi eleito líder dos trabalhistas britânicos com cerca de 60% dos votos, beneficiando de uma extraordinária mobilização cidadã, mais de meio milhão de participantes, contra a austeridade, a fazer lembrar o tipo de mobilização a partir de baixo que, por exemplo, levou o Partido Nacionalista Escocês à posição hegemónica nessa nação.
A Terceira Via, essa odiosa combinação de aceitação da financeirização do capitalismo, relaxamento em relação às desigualdades e crimes contra a humanidade, o melhor sintoma do triunfo de Thatcher, foi hoje enterrada. Os herdeiros de Tony Benn, os que nunca desistiram, estão vivos e são jovens. Os herdeiros de Blair podem ganhar muito dinheiro, como o próprio, mas, até por isso, estão isolados socialmente.
Dada a influência político-ideológica britânica, o tal “poder suave”, trata-se de um acontecimento com relevância mais vasta. Bem sei que todos os anti-socialistas dos Partidos Socialistas, responsáveis intelectuais pelo seu esvaziamento, já falaram de “radicalismo”, mas como sublinharam recentemente vários economistas políticos numa carta, radical é mesmo o contexto austeritário, tanto mais que a Grã-Bretanha ainda dispõe de relativa autonomia no campo da política económica. Corbyn é só alguém que leva a sério a palavra trabalhista: “sociedade decente, igualitária, para todos”, o talespírito de 1945, que continua ser necessário reinventar em 2015.
É claro que, como sublinha com realismo Owen Jones, o do “lexit”, o mais fácil foi feito. Verdade, mas foi uma facilidade reconhecidamente extraordinária.
ladroesdebicicletas.blogspot.pt

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