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segunda-feira, 28 de setembro de 2015

E tu, o que vais fazer sobre isto?


Números. Percentagens. Sobe e desce. Sondagens do fixo. Sondagens de rua. Arruadas que inundam ruas. Arruadas genuínas, com pessoas que se deslocaram ali porque quiseram. Arruadas fictícias, com pessoas que se deslocaram ali porque lhes pagaram. Centenas aqui. Milhares ali. Dezenas acolá. Salas cheias. Também algumas genuínas e outras, muitas, fictícias. E no meio disto, e nesta primeira semana de campanha, o número mais importante para mim foi o “um”. O “uma”. Uma pessoa que me entregou a sua ficha de inscrição no Sindicato. Uma pessoa que assumiu a sua opção de classe.
No dia 5 de Outubro o mundo não passa a girar ao contrário e os que mandam não vão ser outros. Vão continuar a ser os mesmos. Os que pressionam e compram aqueles que estão em lugares políticos de poder. É por isso que estas eleições são importantes, não para saber se ganha a continuidade ou a alternância da continuidade. O que importa é que aqueles que não sei deixam pressionar nem comprar pelos que mandam aumentem a sua influência na Assembleia da República. É esse o verdadeiro voto útil.

O voto é teu, a opção de classe é tua. O voto não chega, mas ajuda, a opção de classe é essencial. As organizações que te defendem, todos os dias, todas as horas, precisam de crescer, precisam de ter mais força, mais músculo para contrariar o quotidiano imposto pelos que mandam.
E os que mandam não são entidades vagas, são eles, eles mesmos, mas esse eles tem cara, tem carne, tem ambições desmedidas e quase sempre tem medo de ti, medo que deixes de ter medo deles e te juntes aos outros que são como tu. Medo que lhes digas não, que lhes digas ide roubar ó caralho!
Eles são o patrão que nunca te mostra a cara, que se esconde no gabinete luxuoso do último andar do prédio da empresa e que no elevador só sabe carregar num botão, o da garagem onde tem o carro que o leva dali para fora. E que bela vista para o rio tem o seu gabinete.
Eles são o dono do banco que acha que aqueles milhões de lucro ainda não são suficientes. A falta que lhe faz uma mansão nova.
Eles são aquele patrão que não gosta de pagar salários e que paga os mais baixos que consiga. Ai as férias do outro lado do mundo.
Eles são o teu antigo colega que subiu na empresa a troco de favores e acaba de te dizer que infelizmente os teus serviços já não são necessários e estás dispensado. É grande o bónus que ele recebe por cada despedimento.
Eles são aquele escritório de advogados que de forma matemática estuda a melhor forma de dinamitar toda e qualquer hipótese das leis laborais te defenderem. E os futuros cargos em empresa de renome que eles vão ter.
Eles são os teus colegas que dizem colaborador em vez de trabalhador e que até fizeram um sindicato novo de que os patrões gostam mais porque cedem em toda a linha. E quando perceberem que vão para a rua como os outros?
Uma pessoa. Uma pessoa mais que assumiu a sua opção de classe. Uma pessoa mais que vai ajudar a que a luta pela mudança disto tudo continue mais forte depois das eleições, seja qual for o resultado. Uma pessoa que no minuto de fazer a cruzinha, certamente vai olhar para o boletim e pensar n’eles e vai mandar à fava os seus consensos. Ela sabe que os consensos deles são os seus sacrifícios. Os nossos sacrifícios.
E tu, que sabes isto, que vais fazer? Repito-te.
É por isso que estas eleições são importantes, não para saber se ganha a continuidade ou a alternância da continuidade. O que importa é que aqueles que não se deixam pressionar nem comprar pelos que mandam aumentem a sua influência na Assembleia da República. É esse o verdadeiro voto útil.
E tu, que no fundo sabes que é mesmo assim, o que vais fazer? A sério, mesmo a sério. E tu, o que vais fazer sobre isso?  

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