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terça-feira, 22 de setembro de 2015

EVOCAÇÃO DO 36 ANOS DO ASSASSINATO DE CARAVELA E CASQUINHA


Os dois trabalhadores, Casquinha e Caravela, eram membros de uma Unidade Colectiva de Produção do Escoural e realizavam uma acção de solidariedade com os trabalhadores da cooperativa Bento Gonçalves, em Montemor-o-Novo, quando foram assassinados.
António Gervásio – Sobre os acontecimentos, que acompanhou de perto:
« A 27 de Setembro, que na herdade Vale do Nobre, pertencente à UCP Bento Gonçalves, foram barbaramente assassinados a tiro de metralhadora pela GNR, António Maria Casquinha, de 17 anos de idade, e José Geraldo (Caravela), ambos da UCP Joaquim Salvador do Pomar, no Escoural.
«Esta operação criminosa, durante o governo de Maria de Lurdes Pintasilgo, tem lugar quando uma força da GNR – comandada pelos capitães Matias, Faria e sargento Maximino, conhecidos pela sua fúria contra a Reforma Agrária e os seus trabalhadores – envolvida com agrários e funcionários do Ministério da Agricultura e Pescas, como Avelino Delicado Couceiro Braga e Cortes Correia, procurava roubar um rebanho de vacas da UCP Bento Gonçalves. Nesta luta em defesa do rebanho de vacas estavam envolvidos dezenas de trabalhadores de outras UCP que foram em solidariedade com a UCP Bento Gonçalves.
«As forças repressivas, raivosas, como não conseguiram roubar as vacas, abriram fogo sobre os trabalhadores. Caíram mortos Casquinha e “Caravela”! Vários outros ficaram feridos.
Estes odiosos assassinatos custaram uma profunda revolta e dor, não só no concelho de Montemor-o-Novo como em todo o País. O funeral destes dois trabalhadores envolveu milhares de pessoas. Os responsáveis nunca foram tornados públicos nem julgados!»

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