
Tzipras lutou até ao fim para evitar a imposição da mesma receita que lançou a Grécia na pobreza e na miséria. A sua persistência na tentativa de convencer os líderes europeus de que a austeridade não tinha resolvido nenhum dos problemas do seu país, antes os agravou, e a tenacidade com que o seu ministro das finanças Varoufakis enfrentou e denunciou a arrogância dos tecnocratas do Eurogrupo, restituíram aos gregos o orgulho perdido e mostraram aos europeus que pela primeira vez um país do sul da Europa era capaz de questionar as políticas impostas pelos parceiros mais ricos.
Tzipras foi capaz de perceber que tinha que fazer escolhas entre sair do euro e lançar o país no caos ou substituir Varoufakis e retomar as negociações, mesmo depois de os gregos terem reprovado em referendo a austeridade, Tzipras escolheu ficar no euro e para isso teve de fazer cedências e negociar com os líderes europeus.
Quando os bancos gregos foram obrigados a encerrar e os gregos se viram constrangidos a levantar dinheiro apenas para as despesas diárias, Tzipras manteve a mesma postura firme e continuou o diálogo no país e na Europa. Viu o Syriza partir-se ao meio, demitiu-se e correu todos os riscos, sempre dando a cara e incutindo confiança aos seus concidadãos.
Hoje, contra as sondagens, contra líderes europeus como Passos e Rajoy que no momento em que a Grécia precisou do seu apoio se aliaram aos tecnocratas da austeridade, Tzipras teve novamente o apoio da maioria dos gregos para governar o País e aplicar um programa que ele sabe que não resolverá os problemas do seu País mas que já anunciou ir tentar que os castigue o menos possível. Os gregos acreditaram em Tzipras.
Não perceber porque é que Tzipras ganhou é não perceber o que os povos exigem aos seus líderes: Coragem, firmeza, realismo, inteligência, capacidade de fazer escolhas, simpatia, dedicação, numa palavra CARISMA.
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