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quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Da costela do "gosto" nasceu o "não gosto"

FERREIRA FERNANDES


Como se já não bastassem as embrulhadas modernas, a tecnologia vai abandonar o unidimensional "gosto" e vai introduzir no nosso quotidiano duas possibilidades para a mesma premissa. Para a frase "a minha mãe morreu", havia o reconfortante "like". Só e único. Queria dizer: a morte da mãe do meu amigo deixou-me de rastos. E dizia também: já foste tarde, velhadas... O mundo repousando nesse todo inseparável, o yin e o yang, permitia-nos dias cheios de opinião e opinião sobre tudo. Pois, tornou-se ontem oficial, além do "like" o Facebook vai passar a ter um botão de "dislike". Além do "gosto", "não gosto". Foi o patrão do Facebook, Mark Zuckerberg, quem anunciou. Meu deus, o que vai acontecer de gaguez digital, indicador hesitando sobre um e outro botão! Pior, agora se ponho "like" para a mãe do meu amigo, ele vai perceber que eu não gostava mesmo da velha... O mundo moderno não está preparado para essa paleta tão vasta - sim e não, preto e branco, como categorias separadas e opostas. Que pena, o mundo estava tão confortável, cheio de "acho". Por ironia, também ontem (que raio de dia tão agitado), apareceu novo cartoon da revista satírica francesa Charlie com o bebé morto na praia. O amplo mundo do Facebook chocou-se porque pensa que só se devia dizer: oh como o meu coração sangra... Esse mundo não gosta que se cuspa sobre os seus fáceis bons sentimentos. Talvez os dois botões permitam um passo em frente a essa Humanidade.
por FERREIRA FERNANDES

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