New Bedford na Nova Inglaterra foi a primeira "capital portuguesa" dos EUA tornando-se num destino prioritário para emigrantes açorianos e madeirenses. Quais os motivos que levaram os emigrantes a reunirem-se naquela pequena cidade portuária?
A rota dos grandes veleiros é normalmente apontada como a responsável pela ida dos primeiros emigrantes açorianos para os EUA. Mas a investigação do programa foi mais longe descobrindo que a emigração dos ilhéus está ligada a uma outra diáspora -- a dos judeus portugueses.
Aaron Lopez fugiu de Portugal em 1752. Tornou-se num dos principais comerciantes americanos. Foi Lopez quem desenvolveu o negócio das velas feitas com óleo de baleia possibilitando que New Bedford se tornasse no porto baleeiro mais importante do mundo. A sua enorme frota de veleiros cruzava o Atlântico tripulado por muitos açorianos contratados nas ilhas.
A emigração de Portugal continental dirigia-se sobretudo para o Brasil.
O comércio do Rio de Janeiro e de outras cidades brasileiras foi, durante anos, dominado por portugueses. O monopólio era alimentado pela chamada "rota dos caixeiros".
Os caixeiros eram mão-de-obra de confiança educada no norte de Portugal, Porto e Alto Minho. As famílias nortenhas preparavam os filhos para trabalharem no Brasil. Enviavam-nos ainda crianças, com 13, 14 anos para se empregarem como caixeiros por conta de familiares. Trabalhavam dia e noite amealhando para se tornarem mais tarde proprietários das lojas.
Esta é a história desconhecida de muitos portugueses célebres como o Conde de Ferreira, o Barão de Nova Cintra, Ferreira de Castro, autor do livro "A selva", entre outros.
A partir de 1850, com o fim do tráfico de escravos inicia-se um outro período, mais negro, da emigração portuguesa para o Brasil conhecido como "escravatura branca".
Os fazendeiros brasileiros das explorações de café para compensar a falta de mão-de-obra financiaram redes de clandestinidade para atrair mão-de-obra europeia. Emigrantes que depois, nas fazendas, eram explorados como se fossem escravos.
VÍDEOS
JOSÉ MÁRIO BRANCO

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