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sexta-feira, 25 de outubro de 2013

O misterioso Rasputine A trajectória de Grigori Yefimovich Novykhn tem início na década de 1860. Mas há muitas incertezas em relação ao seu nascimento. Especula-se que tenha sido em 23 de Janeiro de 1864, na pequena aldeia de Pokrovskoe, Sibéria. Outras fontes afirmam que o ano do seu nascimento está entre 1869 e 1872.

O misterioso Rasputine

A trajectória de Grigori Yefimovich Novykhn tem início na década de 1860. Mas há muitas incertezas em relação ao seu nascimento. Especula-se que tenha sido em 23 de Janeiro de 1864, na pequena aldeia de PokrovskoeSibéria. Outras fontes afirmam que o ano do seu nascimento está entre 1869 e 1872.
 
Pobre e parcialmente alfabetizado, o jovem Grigori atravessou a sua infância e adolescência na região natal. Provavelmente, ajudando o pai camponês nas tarefas diárias, e divertindo-se com mulheres, vodka e envolvendo-se em brigas com vizinhos. Por este motivo, rapidamente ganhou o apelido de Rasputinik (Rasputine – equivalente a “pervertido” ou “debochado”).
 
Por outro lado, a sua terra natal era de uma religiosidade e misticismo muito intensos. Principalmente porque ali próximo estavam depositados, numa igreja, os restos mortais de São Simão. O jovem Rasputine cresceu influenciado por esta atmosfera. Conta-se que, na sua juventude, já dava alguns sinais de possuir uma percepção especial, ou capacidade de predizer factos futuros. Certa vez, um político chamado Stolypin passava de carruagem por uma estrada. O jovem Rasputine, que passava ao lado, acenou e gritou ao viajante: “A morte é para si. A morte está a aproximar-se!”. Incrivelmente, no dia seguinte, o político foi ferido por balas e morreu dias depois.
 
Aos dezoito anos, Grigori Rasputine teve um encontro com o bispo de Barnaull. Em seguida, inesperadamente, passou a interessar-se por religião e decidiu viajar ao mosteiro de Verkhoture. Foi nesta viagem que entrou em contacto com uma seita conhecida como Khlysty (Flagelantes), a qual pregava que o acto sexual era uma forma de obter a salvação espiritual. A sua passagem no mosteiro não foi longa, mas fê-lo entrar em contacto com os preceitos e a disciplina religiosa.
 
Pouco tempo depois retorna à terra natal e casa-se com uma jovem chamada Praskovia Fyodorovna. Este matrimónio rendeu três filhos ao casal: DimitriMaria e Varvara, nascidos em 18971898 e 1900, respectivamente (outras fontes especulam quatro filhos do casal). Porém, o casamento foi breve e Rasputine abandonou o lar. Quando conheceu um místico conhecido por Makaria, decidiu vagar pelo mundo.
 
Nas suas andanças, visitava preferencialmente, locais de peregrinação religiosa, como o Monte Athos, na Grécia e Jerusalém. Paralelamente, ao longo das suas caminhadas, espalhavam-se as lendas de que aquele jovem possuía poderes especiais e era capaz de curar enfermos e prever o futuro. Mesmo que, na sua passagem pelo mosteiro de Verkhoture, não tenha recebido nenhum tipo de treino espiritual e tampouco tenha sido ordenado monge, muitas pessoas, desconhecendo o seu passado conturbado, passaram a considera-lo um sábio religioso.
 
Os habitantes das regiões por onde Rasputine passava, procuravam-no em busca de bênçãos; em troca, ofereciam-lhe comida, roupas e dinheiro. Em pouco tempo, ganhou a condição de “homem santo” e a sua fama disseminou-se nas aldeias da Europa CentralRasputine contava que, um dia, arando as terras, recebeu uma revelação divina. Surgiu-lhe um anjo que entoou um canto místico e atribuiu-lhe a missão espiritual de ajudar os necessitados.
 
O Bruxo dos Czares
 
De volta à terra natal, Rasputine é recebido pelo bispo Theophan e ganha notoriedade entre os religiosos da região; mas a sua presença também gera um certo desconforto em alguns. O Monge Iliodor era um dos seus opositores. Conta-se que este monge, certa vez, enviou à casa de Rasputine, uma mulher para seduzi-lo e depois esfaquea-lo. Rasputine foi esfaqueado mas sobreviveu.
Em 1902Rasputine desloca-se à cidade de São Petersburgo e a Kazan, onde agregou alguns discípulos e criou um grupo místico denominado Polite Society, baseado nos princípios da Khlysty. A sua imagem de camponês simples e sem ambição foi significativa para que conquistasse confiança e simpatia junto dos moradores da região. A influência que a Polite Society exercia e o poder de persuasão de Rasputine, amenizavam a fama que o seu envolvimento com prostitutas e bebidas lhe atribuía.
Nesse mesmo momento, as autoridades clericais da Rússia procuravam por um líder que transitasse entre a alta classe da sociedade, a nobreza e as classes inferiores, e pudesse reunir todas sob a influência da IgrejaRasputine trazia consigo todas estas características. Mas a sua fama junto dos czares teve início em 1905, quando Anya Vyrubova, amiga próxima da czarina Alexandra Fedorovna, entrou em coma após ferir-se gravemente quando o comboio em que viajava descarrilou. Os médicos já haviam perdido a esperança de cura-la quando Rasputine foi chamado. O místico, ajoelhado ao lado da cama da vítima, segurou a sua mão e chamou-a pelo nome. Assim continuou por horas seguidas até que a vítima, de forma inexplicável, despertou. Rasputine, com as roupas humedecidas de suor, desmaiou exausto.
Totalmente recuperada, Anya narrava à czarina as proezas curativas do místico. Quando a doença de Tsarevich Alexei Romanov se agravava, Rasputine era imediatamente solicitado e ajoelhava-se ao lado do leito da criança, por várias horas se necessário, pronunciando em profusão uma espécie de oração em um idioma desconhecido e a saúde de Alexei era restabelecida.
O “bruxo” ganhou confiança e credibilidade entre os czares. Porém, Nicolas, sentindo-se desconfortável com a presença de um “monge devasso” no seu palácio e com o grau de intimidade que ele desfrutava com a czarina Alexandra, despachou o místico para a Sibéria. Por outro lado, a czarina, sensibilizada pela doença e pelo sofrimento do filho hemofílico nascido em 1904, passava a considerar a hipótese de recorrer novamente a Rasputine pela saúde da criança, caso fosse necessário.
Numa noite de Outubro de 1912Alexei sofria intensamente pela dor causada pela hemorragia hemofílica. Desesperada, a czarina enviou um telegrama solicitando o auxílio de Rasputine. O místico respondeu imediatamente, dizendo que Alexei não ia morrer e o sangramento ia terminar. Conta-se que, assim que o telegrama de Rasputine chegou às mãos da czarinaAlexei obteve uma melhoria súbita. A czarina Alexandra atribuiu esse facto aos poderes de Rasputine, passando a exigir a sua presença constantemente no palácio, como se a saúde do herdeiro dependesse disso. Sensibilizado e agradecido, o czar Nicolas II não apenas aceitou a presença de Rasputine no palácio, como passou a respeita-lo como um “líder extra-oficial”, ou um sábio conselheiro do trono.
O “médico Rasputine” restabeleceu em si a confiança da alta cúpula russa e passou a atender também os cidadãos comuns que almejavam uma consulta, realizando “pequenos milagres” e promovendo algumas curas prodigiosas. Ao mesmo tempo em que Rasputine ganhava fama com as mulheres, principalmente da alta sociedade, conquistava também trânsito livre no palácio dos Romanov, como um chefe de estado ou um primeiro-ministro. Por outro lado, a inveja do príncipe Felix Yussupov e de outros líderes russos, crescia na mesma proporção que se desenvolvia a influência de Rasputine entre os Romanov.
O Declínio
Em Setembro de 1915, quando as tropas russas estavam em desvantagem na I GuerraNicolas abandonou o trono temporariamente para liderar o exército. Rasputine já havia manifestado a sua oposição com o facto da Rússia combater o império austro-húngaro e alemão. A ausência do czar no palácio deu mais liberdade a Rasputine, que passou a influenciar activamente nas decisões políticas do país.
Conta-se que certa vez, embriagado, Rasputine declarou na presença de muitas pessoas que era ele quem mandava na Rússia e que a czarina estava aos seus pés. Ainda, Alexandra Fedorovna não era de nacionalidade russa, e sim austríaca; sendo a Áustria uma das nações inimigas da Rússia. Isto levou a uma onda de suposições de que a czarina traía os ideais russos e sua proximidade com Rasputine, gerou também, boatos sobre uma suposta relação extraconjugal da czarina.
Quando Nicolas retornou ao seu país, encontrou a população faminta e flagelada e a dinastia Romanov, o seu trono e a sua hombridade, sob contestação popular. Rasputine e Alexandra foram considerados pelo povo os maiores responsáveis por esta situação caótica. Aos olhos do povo, o místico era quem havia enfeitiçado e ludibriado os governantes visando apenas conforto social e poder político; a czarina era a traidora austríaca que levara ao declínio a nação que a acolheu.
Um paliativo para esta situação seria eliminar a presença de Rasputine, não apenas do palácio, mas de toda a Rússia. Deste modo, sem que Nicolas soubesse, foi engendrado pelos comandantes russos um meio de assassinar Rasputine. Participaram neste complot, o príncipe Felix Yussupov, um deputado de extrema-direita chamado Purishkevitch, o oficial Sukhotin, o médico Lazovert, e o grão-duque Dmitri, da própria família real.
O Assassinato
O plano consistia num convite do príncipe Felix Yussupov ao místico para que o visitasse na sua residência, sobre o canal do Mojka, um dos canais que levava ao Rio Neva, em São Petersburgo. Nesta ocasião seria servido um jantar a Rasputine. Um dos argumentos era de que a esposa do príncipe, a bela Irene Alexandrovna, necessitava consultar-se com o sábio.
Atendendo ao convite, na noite de 16 de Dezembro de 1916Rasputine foi visitar Yussupov. O místico foi levado à cave da mansão, onde lhe serviram o jantar, sob a alegação de que Irene logo iria vê-lo. Após comer uns quantos bolos envenenados com cianeto e ter feito uma série de brindes com vinho envenenado com o mesmo composto, o bruxo não revelou quaisquer sinais de envenenamento. Após passadas duas horas, Youssoupov, desesperado ao verificar que o veneno não estava a ter qualquer efeito em Rasputine, chamou os comparsas que aguardavam no andar de cima.
Novamente na cave junto a Rasputine, disposto a dar por terminada a missão a qual havia  se comprometido a executar, Youssoupov disparou contra Rasputine 
Rasputine solta um “rugido selvagem” e cai prostrado sobre uma grande pele de urso que cobria as lajes do chão.
Ao ouvirem o tiro, os conjurados acorreram. De Lavozert verifica que o pulso ainda bate mas afirma estar Rasputine a passar a última fase do coma, antes da morte. Com efeito, a respiração cessa em breve. Não há dúvida: Rasputine está morto. Os conspiradores deitam o cadáver em cima de um divã e abandonam a divisão.
Mais tarde Yussupoff, sentindo um impulso, voltou à cave para verificar o cadáver de Rasputine. Aproxima-se e debruça-se sobre o morto. De súbito, vê com horror a pálpebra esquerda do “staretz” erguer-se e em seguida a esquerda. Com um movimento brusco, coloca-se de pé e tenta estrangular Yussupoff. Este, no entanto, consegue escapar-se e lança-se escadas acima pedindo o auxílio de Purichkevitch.
Quando ambos os homens chegam à cave, reparam que Rasputine já escapara. Encontraram-no na rua a tentar abandonar o local, tentativa que Purichkevitch tenta inviabilizar com disparos. Falha os primeiros dois, mas acerta o terceiro nas costas de Rasputine, embora só o quarto tiro directo à tenha cabeça conseguido imobilizar o bruxo, que cai por terra.
Yussupoff, em seguida, com uma matraca começa a bater no crânio de Rasputine até os ossos ficarem esmagados e o sangue espirrar.
Rasputine teve então os seus braços e pernas atados com cordas grossas. Foi castrado e jogado para a água gelada na Ilha Petrovski.
Mas eis novamente o fantástico: quando o corpo foi recolhido, a polícia verificou que Rasputine havia conseguido libertar uma das mãos e os pulmões estavam cheios de água – Rasputine morrera afogado.
Na ocasião do seu assassinato, deu-se como possível explicação que o veneno não surtiu o efeito desejado, provavelmente, devido a uma cirrose que “filtrou” a substância e atenuou o seu efeito no organismo. Na véspera do Natal de 1916, a czarina prestou-lhe uma homenagem fúnebre. Nos autos legais, o óbito foi citado como morte acidental.
Ainda, conta-se que Rasputine teria previsto a sua morte e profetizado uma tragédia. Numa carta enviada ao czar, o bruxo dizia que se Nicolas ou algum de seus familiares tivesse a intenção de assassina-lo, nem o czar nem ninguém de sua família viveria por mais de dois anos. O facto é que dezanove meses após a morte do místico, o czar e toda sua família foram executados por revolucionários bolchevistas.
O homem chamado Grigori Yefimovich Novykhn, que assumiu, de forma irónica e desafiadora, o apelido pejorativo que lhe foi dado foi um camponês que, sem cultura, poder político ou financeiro, alcançou um dos mais altos postos do governo russo.
Não é possível afirmar se realmente possuía “dons especiais” ou era apenas um hábil hipnotizador. Desde a data exacta do seu nascimento, o seu nível de instrução, ascensão e queda política, e até a sua morte, são alvos de várias especulações. Mesmo se fosse um místico, ou um ser espiritualmente elevado, não deixou um tratado ou um livro referencial. Algumas fontes cogitam que Rasputine possuía um comportamento rude e pernicioso; mas era extremamente hábil nas suas palavras e argumentos, facto que certamente foi um dos principais trunfos de sua vida.
Ainda, especula-se que chegou a conhecer pessoalmente o mago inglês Aleister Crowley (fundador da doutrina Thelema). Hipóteses menos confiáveis afirmam que o bruxo ainda vive e teria sido fotografado. Outro facto curioso é que o pénis de Rasputine, conservado em substâncias químicas, encontra-se exposto actualmente num museu erótico na cidade de São Petersburgo. Numa publicação recente, o livro “Rasputine: a última palavra“, do historiador russo Edvard Radzinski, desmente alguns mitos, mas reafirma que houve um caso amoroso com Alexandra.
De qualquer forma, toda a sua biografia é repleta de lacunas que dão vazão à divagações de estudiosos e de meros curiosos. Mas, certamente, são essas incertezas que fazem de Rasputine um dos personagens mais intrigantes e misteriosos da história recente da humanidade.
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