No âmbito da manifestação nacional da CGTP, as quatro pré-concentrações estão a confluir para o Terreiro do Paço, Lisboa: os trabalhadores do distrito de Lisboa concentram-se nos Restauradores; os de Setúbal partem do Cais do Sodré; os de Viseu, Coimbra, Guarda, Castelo Branco, Leiria, Santarém, Portalegre, Évora, Beja e Algarve saem de Santa Apolónia e os de Viana do Castelo, Braga, Bragança, Vila Real, Porto e Aveiro desfilam a partir do Martim Moniz.
Milhares de pessoas descem a Rua do Ouro até ao Terreiro do Paço empunhando cartazes dos mais tradicionais ("Não às desigualdades e ao desemprego") aos mais criativos ("Piegas unidos").
Na primeira manifestação de Arménio Carlos como secretário-geral da Confederação Geral de Trabalhadores Portugues (CGTP), acompanhado de outros sindicalistas como Ana Avoila, da Frente Comum, o dirigente encabeçava a coluna de manifestantes, segurando uma faixa onde se lia "Não à exploração, às desigualdades e ao desemprego".
Num momento em que os manifestantes da região de Lisboa chegavam a meio da Rua do Ouro, o animador da manifestação gritava aos microfones que "a cauda ainda não saiu sequer dos Restauradores", elogiando a afluência das pessoas à manifestação.
Entre cartazes que diziam "Piegas unidos" ou "O povo unido jamais será vencido" ou ainda "Piegas é a tua...", Margarida Brôa seguia com o marido, entoando palavras de ordem: "Estou aqui para me manifestar contra a pobreza que há em Portugal", disse a auxiliar de educação de 57 anos que, sem emprego na área, trabalha já há alguns anos como "mulher a dias".
Também Elisabete, de 42 anos, teve de "deixar de trabalhar" perante a conjuntura de desemprego do país mas, mesmo assim, a habitante de Sintra afirma não estar contra a necessidade de medidas de ajustamento: "Eu não sou contra as medidas de austeridade, sou contra 1/8o facto de 3/8 as medidas só atingirem os pobres", disse.
Com uma bandeira da Inter-Reformados, Manuel Lourenço veio de Santa Iria da Azóia porque se sente "usado com as políticas do Governo", apesar de a baixa reforma dos trabalhadores do setor privado ainda não ter sofrido cortes.
Raquel, na casa dos 40 anos, veio de Odivelas para uma manifestação em família "contra a desigualdade e a pobreza". Acompanhada pelas duas filhas (12 e 7 anos) e pelo marido, a manifestante diz que "está cada vez mais difícil" manter as filhas em escolas privadas.
No final da manifestação, Arménio Carlos vai falar aos manifestantes, no Terreiro do Paço.


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