 |  |
Os senhores da Troika chegaram esta semana a Portugal para uma dita avaliação trimestral. À sua espera têm um país mergulhado na recessão económica, um povo a empobrecer, uma multidão de desempregados, e um Governo e um Presidente da República inteiramente ao seu serviço.
Sublinhe-se que a sua presença em Portugal não foi obra do acaso. Para os que entretanto se esqueceram, relembre-se o corrupio de banqueiros entre Belém e São Bento, em Abril do ano que passou – nesse seu à-vontade de quem, no fundo, manda no país – que haveria de terminar com um tal “memorando de entendimento”, assumido por PS, PSD e CDS com a União Europeia e o FMI.
Em quinze dias, esses homens de fato escuro e fina figura que agora nos visitam, desenharam o Pacto de Agressão. Primeiro recauchutaram o PEC IV que o PS pretendia aprovar, de seguida juntaram-lhe velhas aspirações do grande capital nacional, e acrescentaram por fim as leoninas exigências do grande capital europeu. O país foi entretanto para eleições que ditaram que PSD e CDS formassem governo. E não tardou muito para que grande parte do povo português se apercebesse que o pesadelo dos governos de Sócrates e companhia continuaria com a dupla Passos e Portas, os tais que haviam escondido do país muito do que pretendiam concretizar, sendo que o roubo no subsídio de Natal do final do ano, foi apenas um exemplo do conhecido truque de prometer uma coisa antes das eleições e fazer o seu contrário depois.
De então para cá, Portugal vive num clima de absoluto terrorismo económico e social. Dia sim, dia sim, novas “medidas” são anunciadas. Uma estratégia de esmagamento e atordoamento dos trabalhadores e do povo português que leva a que muitos não tenham ainda a noção do verdadeiro alcance de muitas das medidas que estão em curso. À segunda-feira decretam os aumentos nas taxas moderadoras; à terça anunciam o aumento do preço dos transportes; à quarta decidem embaratecer os despedimentos; à quinta reduzem o valor a pagar pelas horas extraordinárias e sexta-feira é dia de privatizar uma das empresas públicas estratégicas como a EDP ou a REN. Assim têm sido os nossos dias. E diga-se que, o que a Troika veio cá fazer agora foi, no fundo, aferir do grau de execução desse programa de exploração e empobrecimento que está a conduzir o país para o desastre e propor, se necessário for e sempre de braço dado com o governo, novas cavalgaduras.
A política de abdicação nacional, expressa de forma paradigmática no sussurro que o Ministro das Finanças Português fez ao seu homólogo alemão na semana passada em Bruxelas, é aviltante. “Ficamos muito agradecidos” disse. Agradecidos pela destruição do nosso aparelho produtivo, para assim comprarmos os vossos excedentes; agradecidos pelo empréstimo a Portugal do qual pagaremos 35 mil milhões de euros de juros; agradecidos pela vossa disponibilidade de tomarem conta das nossas empresas públicas. Nós, o governo, nós os banqueiros, nós os donos da grande distribuição, nós os Srs. do PSI-20, nós os que somamos fortuna à conta da desgraça do país, ficaremos, eternamente agradecidos!
Quem não pode, nem vai agradecer é o povo português. Ou não se tivesse feito ouvir no passado sábado, um patriótico e estrondoso Basta!, num Terreiro do Paço a abarrotar de determinação e confiança de que isto não pode continuar assim.
* Dirigente do PCP
|
Sem comentários:
Enviar um comentário