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quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012


Reacção

Ministro da Defesa acusa oficiais de instrumentalização

08.02.2012 -  Por Nuno Sá Lourenço

Ministro foi à cerimónia dos 50 anos do navio-escola SagresMinistro foi à cerimónia dos 50 anos do navio-escola Sagres (Foto: Enric Vives-Rubio)
 “Há quem queira instrumentalizar uma associação para fazer política.” Foi assim que o ministro da Defesa, José Pedro Aguiar-Branco, reagiu nesta quarta-feira à carta aberta que a Associação de Oficiais das Forças Armadas enviou ao governante e na qual sustenta "nada [os] obriga a serem submissos".

“Eu não argumento quando se pretende fazer política com as Forças Armadas. Até do BPN se fala nessa carta”, acrescentou o ministro em Alcântara, Lisboa, onde se deslocou para a cerimónia dos 50 anos de serviço sob bandeira portuguesa do navio-escola Sagres.

Aguiar-Branco desvalorizou as críticas feitas pela Associação de Oficiais das Forças Armadas (AOFA) na carta aberta, divulgada de manhã pelo jornal Diário de Notícias, aconselhando a “não confundir uma associação com as Forças Armadas”.

“Quem fala em nome das FA são as chefias”, rematou o ministro depois de ter lembrado que quando afirmou que as FA não eram sustentáveis, isso se devia à situação do país: “Eu estou preocupado com a situação do país e é na base da real situação do país que nós trabalhamos”.

De acordo com o mesmo jornal, a missiva é uma resposta a recentes declarações de Aguiar-Branco sobre as Forças Armadas e que terão caído mal entre os militares. "As Forças Armadas são insustentáveis, senhor ministro? Não são! Estão!", argumenta a AOFA, que contesta também os cortes orçamentais e a equiparação dos militares aos funcionários públicos. Outras queixas têm a ver directamente com a carreira, como o congelamento das promoções.

O responsável por esta pasta no Governo é acusado pela AOFA de cometer "uma insanável contradição": reconhece "existirem razões de descontentamento" nas fileiras, mas recusa receber as associações o que é "ignorar [o] quadro legal", escreve o Diário de Notícias.

Recentemente, Aguiar-Branco afirmou que os militares que "não sentem vocação, estão no sítio errado. Se não sentem, antes de protestar precisam de mudar de carreira. Sem drama, sme ressentimento". Para a AOFA, o direito ao protesto, à denúncia, existe e não pode ser confundido com fazer política. "Denunciar perante a opinião pública as medidas lesivas e (...) carregadas de falta de respeito pela dignidade de quem jurou e serve abnegadamente (sem se servir) a pátria é fazer política?", interroga a AOFA. "Será portanto política alertar para (...) a penalização dos militares e das Forças Armadas, dando a conhecer, a título de exemplo, a forma como (...) os militares vêem o modo como tem vindo a ser tratado o dossier BPN, obrigando uma significativa parcela do orçamento a ser desviada para dar cobertura, tudo leva a crer, às consequências de criminosos desmandos?"

Não consideramos política e, muito menos, política partidária, tal postura. Trata-se, isso sim, do uso de um direito que a própria cidadania impõe", escreve o DN, atribuindo estas declarações ao líder da AOFA, coronel Manuel Cracel.


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