Catarina Eufémia
portugal vivia na escuridao
“Mas foi em Baleizão que o ódio dos fascistas aos camponeses teve a sua mais infame expressão. Quando no dia 19 de Maio um grupo de camponeses quis falar aos de Penedo Gordo, a GNR de Beja que fora chamado pelo reitor da herdade, recebeu-os com uma rajada de metralhadora. À frente iam camponesas com os filhos ao colo e uma destacou-se dizendo: “Nós temos fome e queremos falar com os de Penedo Gordo”. O Tenente Carajola que comandava a força da GNR agrediu-a com duas bofetadas e a valente camponesa, grávida, caída no chão e segurando um filho que trazia ao colo, gritou-lhe: “Nós temos fome e queremos paz”: O tenente assassino metralhou friamente a camponesa, dando-lhe morte imediata e ao filho que trazia no ventre. Depois ainda disparou nova rajada contra outra camponesa que protestou contra o assassino mas não a atingiu.
O corpo da camponesa foi levada para Beja, onde o delegado de saúde e o Dr. Andrade, médico em Baleizão, queriam na autópsia dizer que a morte tinha sido provocada… por comoção. Depois os fascistas fugiram com o corpo da desventurada camponesa, não deixando que os trabalhadores lhe fizessem o funeral”.
Tinha chegado o tempo
Em que era preciso que alguém não recuasse
E a terra bebeu um sangue duas vezes puro
Porque eras a mulher e não somente a fêmea
Eras a inocência frontal que não recua
Antígona poisou a sua mão sobre o teu ombro no instante em que morreste…”
E a busca da justiça continua”

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