Nicolas Sarkozy cola-se à extrema-direita a pensar na reeleição |
| AUTOR: JOÃO MIGUEL RIBEIRO |
| SEXTA-FEIRA, 10 FEVEREIRO 2012 |
Nicolas Sarkozy, Presidente francês, deve confirmar a recandidatura na próxima semana. Em queda nas sondagens, o atual inquilino do Eliseu deve apostar nos valores mais ao agrado da extrema-direita, aproveitando a ‘falta de comparência’ de Le Pen.
Contra o casamento homossexual, a eutanásia e o voto dos estrangeiros. Nicolas Sarkozy concedeu uma entrevista ao Le Fígaro, um jornal de cariz conservador, em que surpreendeu com um discurso virado à direita, muito à direita. Numa altura que Marine Le Pen pode desistir da corrida à Presidência, Sarkozy virou o leme para mostrar ao eleitorado da extrema-direita que é o melhor colocado para (re)ocupar o Eliseu.
Defendendo alguns dos valores mais fortes da direita radical, como a oposição ao casamento entre pessoas do mesmo sexo, à prática da eutanásia e à possibilidade dos estrangeiros votarem, o atual Presidente francês propôs que a França seja ouvida, em referendo, sobre dois temas de grande impacto social: os cortes nos subsídios dos desempregados que não aceitem uma oferta de emprego (depois de realizada a devida formação profissional) e quais os direitos dos emigrantes estrangeiros, tendo como intuito agilizar os eventuais processos de expulsão.
A viragem (ainda mais) à direita deve-se à possibilidade de Marine Le Pen, a mais forte posicionada nesse campo político, ter ‘falta de comparência’ às eleições presidenciais. A candidata da Frente Nacional admitiu estar com dificuldade em reunir as 500 assinaturas ‘especiais’ (de deputados ou autarcas) necessárias à validação do processo.
As mais recentes sondagens têm colocado Le Pen com 17 a 20 por cento das intenções de voto na primeira volta, ‘apertando’ Sarkozy à direita. À esquerda, o Presidente francês terá a concorrência de François Hollande, ao qual as sondagens uma vantagem de 60 por cento nas intenções de voto para a segunda volta (contra 40 por cento de Sarkozy).
O candidato socialista já analisou a entrevista ao Le Fígaro e não poupou críticas ao atualPresidente. Para Hollande, Sarkozy vulgarizou teses nacionalistas, uma atitude “perigosa” que pode estimular mais “ódio” no país. As críticas foram secundadas pelo Libération: para este jornal alinhado à esquerda, a entrevista de Sarkozy foi “reacionária”.
Para ocupar mais espaço à direita e evitar qu Hollande continue a crescer à esquerda, o atualinquilino do Eliseu deve confirmar as expectativas gerais e anunciar a recandidatura, provavelmente já na próxima semana. As eleições presidenciais terão lugar em abril, com a eventual segunda volta a decorrer em maio.
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