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quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012



Manuel Braga da Cruz – O que vossa excelência quer, sei eu!


Chegou-me ao conhecimento uma série de críticas ao actual sistema de financiamento do ensino superior público, incluindo (obviamente) o valor das propinas pagas pelos estudantes, críticas de que destaco três:
«…a actual lei, ao sustentar a quase gratuitidade da frequência do ensino superior gera uma insustentável injustiça social, como seja a de colocar os impostos dos menos favorecidos da sociedade ao serviço da formação superior dos mais favorecidos»
«O Estado não pode continuar a discriminar os estudantes portugueses que escolhem universidade privadas e por isso não têm direito a bolsas»
«(e criticou ainda) ... que esse apoio seja negado a portugueses, por frequentarem o ensino não estatal, para ser dado a estudantes estrangeiros, apenas por frequentarem universidades estatais»
E dizem vocês: Essas críticas devem ter sido feitas por um jovem fanático ultraliberal… depois da trigésima quinta caneca de cerveja!
Errado! Por mais que as três declarações pareçam ter sido produzidas por um bêbado, tal a incongruência e pedestre estupidez dos argumentos, a luminária que proferiu estas alarvidades foi o reitor da Universidade Católica, Manuel Braga da Cruz. Claro que a seguir exigiu que o Estado aumentasse substancialmente as propinas... no ensino público.
Se um qualquer pensador der para se pôr a pensar nestes temas e decidir que o Estado deve acabar com o ensino público, ou pelo menos com o seu financiamento, embora a isso esteja obrigado pela força da Constituição da República Portuguesa... entende-se. É, no limite, um direito.
Agora vir defender isso, ao arrepio do interesse de milhares de estudantes e das suas famílias, visível e unicamente para favorecer o seu negócio privado... é demasiado porco, intelectualmente, para ser aceitável.

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