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quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012


A essência africana da nossa liberdade


A essência Africana
da nossa Liberdade

    Sem a intenção de minimizar a luta antifascista, o sacrifício do trabalho clandestino, as prisões e o martírio da tortura, algumas vezes até à morte, de muitos portugueses no combate contra a ditadura.  Pretendo com este escrito evidenciar factos, que a partir de África foram determinantes para a evolução do pensamento e reflexão dos militares sobre o regime colonial-fascista de então. Porque também fui militar (antecipadamente já com opinião desavinda ao regime e à guerra colonial) e membro do MFA (delegação da Força Aérea - BA12 Guiné), incomodam-me muitas apreciações, que ainda hoje persistem em muitos comentários ácerca das motivações mobilizadoras para o levantamento militar, concretizado em  25 de Abril de 1974.

    É um disparate, é violência verbal e absoluta mentira, que os militares se tivessem revoltado contra o regime para satisfazerem os seus exclusivos interesses, como aumento de vencimentos, promoções ou outros direitos.

    Em 1972 na Guiné, foram muitas as ocasiões, até por algum traquejo que já tinha, aperceber-me ainda que de forma dissipada, à existência de um descontentamento, marcado pela incredulidade e um forte sentimento de frustração. Pelas funções que desempenhava de apoio a operações, pela proximidade a oficiais de carreira, tantas vezes que em surdina ouvi frases como esta – os gaijos de S. Bento é que aqui deviam estar – o descontentamento generalizava-se transversalmente desde Praças até ás altas patentes, até ao velho General Spínola, que o cheguei a observar dentro de um Dakota estacionado, a escrever, já com um molho de folhas escritas, que ainda hoje penso ser o livro que pouco tempo depois veio a publicar, que tanta polémica deu,  mas com o benefício de exaltar a ideia de que para aquela guerra  a solução teria de ser politica.

Neste tempo, Portugal tinha mais de 150 000 homens em África (Guiné, Angola e Moçambique) – repare-se que destes, só na Guiné com um território equiparado ao Alentejo, tinha quase metade, mais de 60 000 militares. 

A situação militar degradava-se, os combates eram cada vez mais violentos, situação que veio a tornar-se insustentável no decorrer de 1973/74, pois o PAIGC começou a utilizar com eficácia mísseis terra–ar, tornando ineficaz  a intervenção da Esquadra 121 (Fiat’s, jactos) onde em duas semana três foram abatidos, falecendo mesmo o respectivo comandante Tenente Coronel Brito, que não se conseguiu injectar do avião que pilotava. A partir desse dia quase todas as operações só contavam com a Esquadra de helicópteros, cujos voos tinham de ser a rapar as palmeiras retirando ângulo de tiro e assim eficácia ao uso dos mísseis nestas circunstâncias. Nesta altura, já corria à “ boca pequena”, de que em breve chegariam os Migs.
Deste modo as Forças Armadas Portuguesas, estavam perante a hipótese de um percurso com desfecho doloroso senão humilhante, quando cerca de um ano antes, houvera a possibilidade de iniciar negociações  para uma solução política, tendo  como mediador o Presidente  do Senegal, Leopold Senghor, que na altura era o Presidente O.U.Africana. Proposta que foi transmitida ao Governo Português, recusada por Marcelo Caetano.
Sobre a existência da hipótese de tais negociações, pouco se sabia, ouvindo-se apenas histórias no formato de boatos e até de aventuras, em resultado de uma mega operação que estivera preparada em 27 de Abril de 1972, cujo secretismo não permitia conhecer para que servia ou serviu tão grande envolvimento de tropas especiais - exactamente nesse dia 

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