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segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012




Custe o que custar




Diz o Primeiro-ministro que o Pacto de Agressão que foi assumido pelo PS, PSD e CDS com a União Europeia e o FMI será cumprido “custe o que custar”. É caso para perguntar: a quem?


Não será seguramente aos principais banqueiros do país que ao longo dos anos viram as suas fortunas aumentar de forma colossal à custa da extorsão das famílias, das empresas e do próprio Estado. BES, BCP, Santander Totta e BPI alcançaram só entre 2005 e 2010 mais de 5 mil milhões de euros de lucros. Dizem agora que os seus bancos estão descapitalizados, mas em vez de recorrem ao seu gigantesco património para cobrir o “buraco”, preparam-se para receber no regaço mais de 12 mil milhões de euros de recursos públicos à conta “das imposições da troika”.


Seria, porventura, que Passos Coelho se estaria a referir aos grandes empresários da distribuição? Aos donos do Continente ou Pingo Doce, cuja dimensão cresce de forma directamente proporcional à ruína de milhares de pequenos comerciantes e produtores, à degradação dos salários e ao trabalho sem direitos do milhares de trabalhadores dessas empresas? Não. Para esses está reservado o direito de colocarem as suas fortunas em paraísos fiscais. De continuarem o rasto de exploração e acumulação de lucros, de forma ainda mais agravada à conta das alterações à legislação laboral que estão em curso, nesse frete que governo e UGT fizeram ao grande patronato.


Seria então aos grandes accionistas, aos donos das maiores empresas do país – EDP, GALP, PT, BRISA, etc – que estão cotadas na bolsa? Tão pouco. São “peixe graúdo”, donos de sectores estratégicos que foram entretanto privatizados, especialistas da especulação e dos lucros garantidos e que se preparam agora, em associação com o grande capital estrangeiro, para se sentar à mesa do grande banquete das privatizações que está em curso.


Restaria ainda a esperança que fosse ao grande capital estrangeiro. Aos bancos alemães, franceses, americanos a quem o país pagará mais de 35 mil milhões de euros de juros pelo empréstimo da troika. Às grandes potencias a quem compramos comida, tecnologia, carros, medicamentos, fruto da destruição do nosso aparelho produtivo e do papel de eterno deficitário a que nos querem remeter, consumidores dos seus excedentes, devedores e dependentes.


Não! Passos Coelho, não se referia a estes a quem – ele e Paulo Portas – obedecem. Passos Coelho falava nos milhões de portugueses que vivem do seu salário e da sua reforma. Aos que já estão no desemprego e aos muitos que se lhe juntarão vítimas desta política de desastre nacional. Aos que não conseguem sobreviver ao aumento do preço dos transportes, da energia, das portagens. Aos que desesperam por uma consulta. Aos que não têm condições para deixar os filhos numa creche. Aos que têm que escolher entre comer, ou comprar um medicamento. Aos que vão ficar sem subsídio de natal e de férias. Aos que têm salários em atraso. Aos que têm que fechar o seu pequeno negócio, enterrados em dívidas e sem acesso ao crédito. Aos que emigram, não por convite, mas por necessidade.


Não! Custe o que custar, é a política deste governo, é o Pacto de Agressão que terá de ser derrotado. Custe o que custar, é no próximo dia 11 de Fevereiro, no Terreiro do Paço, que muitos dirão basta, nessa grande manifestação que foi convocada pela CGTP-IN.


Dirigente do PCP
Vasco Cardoso *

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