Zeca Afonso no Panteão Nacional… Bem… Já lhe perguntaram se quer? Olhem que não, olhem que não!
Sim, o corpo está morto e a carne já se terá ido, mas ele, o Zeca, continua vivo e a pairar por aí. Será eterno.
Além disso, agora, qualquer bicho careta vai para o Panteão, até já lá há grandes banquetes e dança cor-de-rosa.
Para além de haver uns quantos que nem deviam ali estar porque em vida de sacanas nada lhes faltou. Tinham a formação toda.
É assim, condecorações à farta e Panteão ao desbarato. Tudo do grande tamanho da hipocrisia dos que (se) nos governam e são deputedos em prol do sucesso do grande capital, dos grandes salafrários, dos grandes ladrões “assertivos e de colarinho branco”.
Zeca não ia querer repousar no Panteão. Ele é mesmo muito grande por natureza.
As homenagens são-lhe feitas a ouvi-lo, a recordá-lo, a passar aos mais jovens quem foi o grande antifascista e anticapitalista José Afonso, que para além disso foi das artes da música, da contestação, da resistência, das mensagens inteligentes que nos ensinaram - ou pelo menos nos recordavam - que eles comiam tudo… e continuam a comer. Deixem-se de tretas, de hipocrisias. Não se misturem, cambada de velhacaria!
Zeca, quando doente e às portes da morte até tinha de se ir tratar a Espanha porque aqui os tais “democratas” se estavam nas tintas para o grande homem que ele foi e é nas nossas memórias. Zeca é eterno. Encham o Panteão com Sá Carneiro, Mário Soares, Freitas do Amaral, Salazar e outros fascistas ou pseudo democratas, porque aquilo de Panteão vai de ano para ano perdendo a patine e adquirindo um cheiro a bedum insuportável. Fiquem na vossa. Deixem o Zeca Afonso em paz.
Expresso curto

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