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quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Maria Lamas recordada em Berlim



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Estreou-se esta noite em Berlim uma peça de teatro que conta a história de Portugal através da biografia da activista, jornalista e escritora. 


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«Maria Lamas – sempre mais alto», assim se intitula a peça criada pelo grupo de teatro Pó da Terra sobre uma das mulheres portuguesas que mais se destacaram na luta antifascista. 
À agência Lusa, o actor Diogo Gil Morgado, que, com a actriz Ana Estevão, fundou o grupo Pó da Terra, referiu que o espectáculo se baseia na vida desta portuguesa que nasceu no período da monarquia, viveu durante a Primeira República, no regime fascista de Salazar e faleceu após a revolução do 25 de Abril, divagando pelas alucinações de um investigador académico que quer descobrir mais sobre a vida da feminista.
O percurso e a obra de Maria Lamas caracterizam-se pela defesa dos direitos das mulheres e da paz. A sua actividade no suplemento «Modas e Bordados», do jornal O Século, insere-se nesse compromisso. Através do pseudónimo Tia Filomena, Maria Lamas respondia às milhares de cartas que chegavam à redacção, esclarecia e aconselhava as mulheres portuguesas sujeitas a profundas desigualdades e discriminações económicas, sociais e culturais.
Com o fim da Segunda Guerra Mundial, a acção de Maria Lamas enquanto jornalista e escritora ganha outra dimensão e profundidade, tanto no plano nacional como internacional. Adere ao Movimento de Unidade Democrática (MUD), participa no congresso fundador da Federação Democrática Internacional de Mulheres (FDIM), em 1946, e representa muitas vezes as mulheres portuguesas nos congressos da FDIM realizados no estrangeiro, em congressos mundiais de mulheres e ainda nos congressos mundiais da paz.
Esteve presa nos anos de 1949, 1950 e 1953. Entre fins de 1957 e 1959 viveu na Madeira para fugir à repressão, vindo a exilar-se em Paris, de Junho de 1962 a Dezembro de 1969. No 25 de Abril, que em poema inscreve como «Uma data luminosa de liberdade e esperança!», Maria Lamas encontra-se em Portugal e desde 1975 foi presidente honorária do Movimento Democrático de Mulheres (MDM).
As Mulheres do meu País, obra publicada em fascículos para fugir à censura, e A Mulher no Mundo são ícones literários da jornalista, que também assinou contos infantis como Maria Cotovia ou O Vale dos Encantos.
A peça «Maria Lamas – sempre mais alto» é apresentada no âmbito do festival de teatro Origins, que decorre em Berlim até 28 de Agosto.


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