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sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Ex-secretário de Estado de Costa admitiu “erro grave” na política de defesa da floresta - O Público contactou o gabinete do agora primeiro-ministro, que respondeu: "O primeiro-ministro não comenta teses académicas."




Ascenso Simões, antigo secretário de Estado de António Costa, admitiu numa tese de mestrado que foi um “erro grave” manter uma política de combate aos incêndios, descurando a prevenção.
Ascenso Simões, antigo secretário de Estado do ministério da Administração Interna, então liderado por António Costa, reconheceu em 2014 numa tese de mestrado que foi um "erro grave" ter continuado a dar prioridade ao combate aos incêndios, descurando a prevenção.

Na tese, noticiada pelos jornais Observador e Público, Ascenso Simões (na foto) explica que a proposta elaborada pelo Instituto Superior de Agronomia tinha "uma visão correcta do que se apresentava ao nosso país para se promover uma mudança de paradigma". De acordo com o Observador, a proposta foi pedida em 2005 pelo governo de Santana Lopes.

No entanto, os ministérios da Administração Interna e da Agricultura, Desenvolvimento Rural e das Pescas do governo de José Sócrates criaram uma unidade de missão com o objectivo de apresentar uma proposta "mais adequada à realidade institucional que se vivia".

"Passados oito anos importa considerar que se tratou de um erro grave. Em primeiro lugar porque a proposta técnica tinha uma sustentação que a Resolução do Conselho de Ministros não viria a adquirir; em segundo tempo porque a iniciativa política se mostrou voluntarista e descompensou um caminho coerente de intervenção; por último e em terceiro lugar porque se manteve uma opção pelo derradeiro elemento da cadeia de valor – o combate", lê-se na tese defendida em 2014.

A ideia seria construir uma rede de faixas de gestão de combustíveis nas áreas florestais. Propunha-se a criação de uma nova estrutura com 90% de operacionais recrutados entre sapadores florestais, bombeiros e militares. O objectivo era reduzir a área ardida para menos de 0,8% da superfície florestal, ou 44 mil hectares o que, como nota o Público, é pouco mais do que já ardeu nos últimos dias.

Para isso seria necessário investir, ao longo de vários anos, 678 milhões de euros. À resposta do Governo de então, que considerou que não havia dinheiro, os técnicos responderam: "Os gastos até 2010 implicam um esforço adicional de 15 milhões de euros relativamente ao que foi gasto em 2004 em prevenção e combate, ou seja, é o equivalente a meio Canadair ou três quilómetros de auto-estrada".

O Público contactou o gabinete do agora primeiro-ministro, que respondeu: "O primeiro-ministro não comenta teses académicas."

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