Ascenso Simões, antigo secretário de Estado de António Costa, admitiu numa tese de mestrado que foi um “erro grave” manter uma política de combate aos incêndios, descurando a prevenção.
Ascenso Simões, antigo secretário de Estado do ministério da Administração Interna, então liderado por António Costa, reconheceu em 2014 numa tese de mestrado que foi um "erro grave" ter continuado a dar prioridade ao combate aos incêndios, descurando a prevenção.
Na tese, noticiada pelos jornais Observador e Público, Ascenso Simões (na foto) explica que a proposta elaborada pelo Instituto Superior de Agronomia tinha "uma visão correcta do que se apresentava ao nosso país para se promover uma mudança de paradigma". De acordo com o Observador, a proposta foi pedida em 2005 pelo governo de Santana Lopes.
No entanto, os ministérios da Administração Interna e da Agricultura, Desenvolvimento Rural e das Pescas do governo de José Sócrates criaram uma unidade de missão com o objectivo de apresentar uma proposta "mais adequada à realidade institucional que se vivia".
"Passados oito anos importa considerar que se tratou de um erro grave. Em primeiro lugar porque a proposta técnica tinha uma sustentação que a Resolução do Conselho de Ministros não viria a adquirir; em segundo tempo porque a iniciativa política se mostrou voluntarista e descompensou um caminho coerente de intervenção; por último e em terceiro lugar porque se manteve uma opção pelo derradeiro elemento da cadeia de valor – o combate", lê-se na tese defendida em 2014.
A ideia seria construir uma rede de faixas de gestão de combustíveis nas áreas florestais. Propunha-se a criação de uma nova estrutura com 90% de operacionais recrutados entre sapadores florestais, bombeiros e militares. O objectivo era reduzir a área ardida para menos de 0,8% da superfície florestal, ou 44 mil hectares o que, como nota o Público, é pouco mais do que já ardeu nos últimos dias.
Para isso seria necessário investir, ao longo de vários anos, 678 milhões de euros. À resposta do Governo de então, que considerou que não havia dinheiro, os técnicos responderam: "Os gastos até 2010 implicam um esforço adicional de 15 milhões de euros relativamente ao que foi gasto em 2004 em prevenção e combate, ou seja, é o equivalente a meio Canadair ou três quilómetros de auto-estrada".
O Público contactou o gabinete do agora primeiro-ministro, que respondeu: "O primeiro-ministro não comenta teses académicas."
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