Teoria dos Jogos
Ianis Varoufakis foi durante toda a sua vida um académico. Enquanto economista dedicou-se durante muito tempo a um ramo particular da Economia chamado Teoria dos Jogos.
Nessa teoria há um jogo designado “jogo do cobarde” que consiste no seguinte. Dois automobilistas, ao volante de carros de grande cilindrada colocam-se frente-a-frente numa estrada. Aceleram em rota de colisão. Se nenhum se desviar, embatem em choque frontal. Ambos perdem, possivelmente morrem. Se apenas um se desviar, ambos sobrevivem, mas o que se desviar perde. Se ambos se desviarem, ambos sobrevivem. Este jogo tem servido na imprensa internacional para descrever as negociações em curso entre a Grécia e a União Europeia.
É, não irónico, mas de certa modo trágico, que Ianis Varoufakis – o especialista em Teoria dos Jogos – se encontre hoje, não na posição do professor que pela milésima vez descreve e analisa em termos teóricos o “jogo do cobarde”, mas a joga-lo em grande escala e com consequências muito reais que podem ser dramáticas para o seu país e para outros países da União Europeia.
O modo como Varoufakis e o governo Grego se têm comportado no jogo real é exemplarmente racional: recusam ser trucidados e ao mesmo tempo sinalizam que estão dispostos a desviar-se da colisão se a União Europeia estiver igualmente disposta a fazê-lo. Mas, o que têm encontrado pela frente, pelo menos até agora, é um rufião que afirma não se ir desviar da rota de colisão um milímetro que seja.
Se no governo grego encontramos uma impecável racionalidade e sangue frio – uma atitude de defesa determinada do seu povo que ao mesmo tempo defende a Europa de uma colisão desastrosa – já do governo e da presidência da Republica Portuguesa o que nos chega é um ruído incoerente que do ponto de vista da tal Teoria dos Jogos seria classificado como irracional.
Portugal é depois da Grécia e da Itália o país da zona euro com maior dívida pública – isto é, um dos países que mais teriam a ganhar com uma resolução multilateral da dívida. Racionalmente deveria defender a Conferência Europeia sobre a Dívida proposta pelo governo grego. Mas, em vez disto o governo e o presidente só sabem queixar-se que a Grécia deve a Portugal mil e cem milhões de euros. Esquecem-se que Portugal deve ao todo duzentos e vinte cinco mil milhões? Mesmo que a conferência internacional apagasse do registo os mil milhões de dívida grega a Portugal é absolutamente certo que numa tal conferência Portugal conseguiria fazer desaparecer muito mais da sua dívida.
No caso de uma colisão europeia desastrosa Portugal será uma das principais vítimas. Racionalmente, o governo e o Presidente da República portuguesa deveriam empenhar-se em evitar a colisão. Nada disso. O que fazem é instigar o rufião a carregar no acelerador para trucidar a pequena Grécia.
Em termos de Teoria dos Jogos a estratégia do governo português e do Presidente da República é irracional. Mas a verdade é que a designação da Teoria dos Jogos é demasiado benévola. O que na realidade temos é um governo e um Presidente da República que constituem uma ameaça para o seu próprio país. Nada menos do que um governo e um presidente que estão a trair o interesse nacional, e que o estão a fazer por uma razão mesquinha: garantir que os portugueses se mantêm submissos, sem sonhar sequer em sair do pesadelo em que têm vivido.
Varoufakis dizia um destes dias que só pode negociar com sucesso quem está disposto e preparado para uma ruptura. Parece um recado para Portugal. Nós também teremos de negociar. E só negociaremos com sucesso se estivermos dispostos e preparados para uma ruptura. Preparemo-nos então, porque não devemos nem podemos esperar que a pequena-grande Grécia faça sozinha o trabalho todo.
Nessa teoria há um jogo designado “jogo do cobarde” que consiste no seguinte. Dois automobilistas, ao volante de carros de grande cilindrada colocam-se frente-a-frente numa estrada. Aceleram em rota de colisão. Se nenhum se desviar, embatem em choque frontal. Ambos perdem, possivelmente morrem. Se apenas um se desviar, ambos sobrevivem, mas o que se desviar perde. Se ambos se desviarem, ambos sobrevivem. Este jogo tem servido na imprensa internacional para descrever as negociações em curso entre a Grécia e a União Europeia.
É, não irónico, mas de certa modo trágico, que Ianis Varoufakis – o especialista em Teoria dos Jogos – se encontre hoje, não na posição do professor que pela milésima vez descreve e analisa em termos teóricos o “jogo do cobarde”, mas a joga-lo em grande escala e com consequências muito reais que podem ser dramáticas para o seu país e para outros países da União Europeia.
O modo como Varoufakis e o governo Grego se têm comportado no jogo real é exemplarmente racional: recusam ser trucidados e ao mesmo tempo sinalizam que estão dispostos a desviar-se da colisão se a União Europeia estiver igualmente disposta a fazê-lo. Mas, o que têm encontrado pela frente, pelo menos até agora, é um rufião que afirma não se ir desviar da rota de colisão um milímetro que seja.
Se no governo grego encontramos uma impecável racionalidade e sangue frio – uma atitude de defesa determinada do seu povo que ao mesmo tempo defende a Europa de uma colisão desastrosa – já do governo e da presidência da Republica Portuguesa o que nos chega é um ruído incoerente que do ponto de vista da tal Teoria dos Jogos seria classificado como irracional.
Portugal é depois da Grécia e da Itália o país da zona euro com maior dívida pública – isto é, um dos países que mais teriam a ganhar com uma resolução multilateral da dívida. Racionalmente deveria defender a Conferência Europeia sobre a Dívida proposta pelo governo grego. Mas, em vez disto o governo e o presidente só sabem queixar-se que a Grécia deve a Portugal mil e cem milhões de euros. Esquecem-se que Portugal deve ao todo duzentos e vinte cinco mil milhões? Mesmo que a conferência internacional apagasse do registo os mil milhões de dívida grega a Portugal é absolutamente certo que numa tal conferência Portugal conseguiria fazer desaparecer muito mais da sua dívida.
No caso de uma colisão europeia desastrosa Portugal será uma das principais vítimas. Racionalmente, o governo e o Presidente da República portuguesa deveriam empenhar-se em evitar a colisão. Nada disso. O que fazem é instigar o rufião a carregar no acelerador para trucidar a pequena Grécia.
Em termos de Teoria dos Jogos a estratégia do governo português e do Presidente da República é irracional. Mas a verdade é que a designação da Teoria dos Jogos é demasiado benévola. O que na realidade temos é um governo e um Presidente da República que constituem uma ameaça para o seu próprio país. Nada menos do que um governo e um presidente que estão a trair o interesse nacional, e que o estão a fazer por uma razão mesquinha: garantir que os portugueses se mantêm submissos, sem sonhar sequer em sair do pesadelo em que têm vivido.
Varoufakis dizia um destes dias que só pode negociar com sucesso quem está disposto e preparado para uma ruptura. Parece um recado para Portugal. Nós também teremos de negociar. E só negociaremos com sucesso se estivermos dispostos e preparados para uma ruptura. Preparemo-nos então, porque não devemos nem podemos esperar que a pequena-grande Grécia faça sozinha o trabalho todo.
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