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quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

2009 O DESESPERO DOS REFUGIADOS SOMALIS - Ao redor de 7.000 somalis chegavam a cada mês a Dadaab, ao norte do Quênia, fugindo da guerra e da fome. Este complexo, composto pelos campos de refugiados de Dahaley, Ifo e Hagadera, e situado a uns cem quilômetros da fronteira, converteu-se no maior grupo de acampamentos de refugiados do mundo.

Ao redor de 7.000 somalis chegavam a cada mês a Dadaab, ao norte do Quênia, fugindo da guerra e da fome. Este complexo, composto pelos campos de refugiados de Dahaley, Ifo e Hagadera, e situado a uns cem quilômetros da fronteira, converteu-se no maior grupo de acampamentos de refugiados do mundo. Nos três campos, operados pelo Alto Comissionado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), residem mais de 270.000 pessoas.


O desespero dos refugiados somalis
O motivo principal que os leva a deixar seu país é o aumento da insegurança. Segundo um relatório dos Médicos sem Fronteiras (MSF), ainda que os somalis estejam fugindo desde que começou a guerra, há 18 anos, foi no início de 2008 quando, empurrados pelo aumento de confrontos entre o exército somali e as milícias islamistas, que aumentaram as fugas.
O desespero dos refugiados somalis
Os acampamentos de Dahaley, IFo e Hagadera foram instalados em 1991 para albergar 90.000 pessoas e no entanto acolhem um número três vezes superior. Ademais a ONU espera que em meados de junho aumente ainda mais número de chegadas já que as chuvas de abril e maio impedem a maioria dos que fogem de atingir a fronteira.
O desespero dos refugiados somalis
O amontoamento obrigou as agências humanitárias a pedir mais espaço ao Governo queniano. O objetivo é construir um quarto acmpamento para que as necessidades mais básicas destas pessoas sejam atendidas.
O desespero dos refugiados somalis
A situação atual faz com que milhares de refugiados tenham que enfrentar a cada dia à falta de alimentos, água e abrigo e que muitos estejam considerando a possibilidade de regressar a Somalia.
O desespero dos refugiados somalis
A tudo isto se une o aumento do preço dos alimentos e a queda das doações internacionais por causa da crise financeira global. Os baixos níveis dos estoques de alimentos em armazéns do Programa para a Alimentação Mundial provocaram a redução de 30% das rações nos campos.
O desespero dos refugiados somalis
Uma recente pesquisa dos Médicos sem Fronteiras feita no campo de Dagahaley revelou uma prevalência da desnutrição aguda de 22,3%, muito acima do que pode ser considerado um estado de emergência. É necessário urgentemente maior apoio financeiro para assegurar que esta situação não piore ainda mais.
O desespero dos refugiados somalis
A escassez de serviços de água e saneamiento nos campos também é alarmante. Alguns residentes do campo de Dagahaley sobrevivem com somente três litros de água ao dia. Há que cavar mais poços imediatamene. A falta de latrinas incrementa a ameaça de epidemias.
O desespero dos refugiados somalis
Os refúgios são também totalmente inadequados. Ante a falta de espaço, muitos refugiados se viram obrigados a construir estruturas provisórias e muitas pessoas vivem debaixo de árvores.
O desespero dos refugiados somalis
Mas apesar das más condições de Dagahaley, a situação não é pior do que na Somalia. Mais de 18.000 civis morreram nos dois últimos anos.
O desespero dos refugiados somalis
Os 270.000 somalis refugiados nestes campos não são os únicos afetados pelos confrontos no país africano. Dentro da Somalia, um milhão de pessoas permanecem deslocadas, três milhões precisam de ajuda alimentícia de emergência e centenas de milhares estão refugiados no Yibuti, Etiópia e Quênia.
O desespero dos refugiados somalis
Ali Mohammed Hassan, de 60 anos que fugiu da violência na Somalia no ano passado, disse que sofre de depressão e desespero constante como muitos outros colegas do acampamento.
O desespero dos refugiados somalis
Em 2006, o Quênia fechou suas fronteiras para impedir a entrada dos islamistas depois de sua derrubada do poder por parte das forças conjuntas etíopes e do governo de transição. A ONU mantém negociações com as autoridades quenianas para que reabram os passos fronteiriços, mas Nairobi sustenta que a abertura das fronteiras poderia expor o país a uma entrada em massa de refugiados e armas ilegais que agravaria ainda mais a insegurança.
O desespero dos refugiados somalis
Enquanto isso os milionários se reúnem em Nova Iorque para discutir o futuro da filantropia no mundo. E a África fica onde mesmo?


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