Ao redor de 7.000 somalis chegavam a cada mês a Dadaab, ao norte do Quênia, fugindo da guerra e da fome. Este complexo, composto pelos campos de refugiados de Dahaley, Ifo e Hagadera, e situado a uns cem quilômetros da fronteira, converteu-se no maior grupo de acampamentos de refugiados do mundo. Nos três campos, operados pelo Alto Comissionado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), residem mais de 270.000 pessoas.
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O motivo principal que os leva a deixar seu país é o aumento da insegurança. Segundo um relatório dos Médicos sem Fronteiras (MSF), ainda que os somalis estejam fugindo desde que começou a guerra, há 18 anos, foi no início de 2008 quando, empurrados pelo aumento de confrontos entre o exército somali e as milícias islamistas, que aumentaram as fugas.
A escassez de serviços de água e saneamiento nos campos também é alarmante. Alguns residentes do campo de Dagahaley sobrevivem com somente três litros de água ao dia. Há que cavar mais poços imediatamene. A falta de latrinas incrementa a ameaça de epidemias.
Os refúgios são também totalmente inadequados. Ante a falta de espaço, muitos refugiados se viram obrigados a construir estruturas provisórias e muitas pessoas vivem debaixo de árvores.
Mas apesar das más condições de Dagahaley, a situação não é pior do que na Somalia. Mais de 18.000 civis morreram nos dois últimos anos.
Os 270.000 somalis refugiados nestes campos não são os únicos afetados pelos confrontos no país africano. Dentro da Somalia, um milhão de pessoas permanecem deslocadas, três milhões precisam de ajuda alimentícia de emergência e centenas de milhares estão refugiados no Yibuti, Etiópia e Quênia.
Ali Mohammed Hassan, de 60 anos que fugiu da violência na Somalia no ano passado, disse que sofre de depressão e desespero constante como muitos outros colegas do acampamento.
Em 2006, o Quênia fechou suas fronteiras para impedir a entrada dos islamistas depois de sua derrubada do poder por parte das forças conjuntas etíopes e do governo de transição. A ONU mantém negociações com as autoridades quenianas para que reabram os passos fronteiriços, mas Nairobi sustenta que a abertura das fronteiras poderia expor o país a uma entrada em massa de refugiados e armas ilegais que agravaria ainda mais a insegurança.
Enquanto isso os milionários se reúnem em Nova Iorque para discutir o futuro da filantropia no mundo. E a África fica onde mesmo?
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