Os Caminhos Perdidos da Poesia
O poeta simbolista francês Paul Verlaine (1844 -1896) amava em desespero a Arthur Rimbaud.
Verlaine e Rimbaud
São os dois primeiros à esquerda em uma mesa de bar em Fanton-Latour, em 1872 - na Wikipedia.
Verlaine conheceu o alcoolismo, a pobreza, a prisão e cunhou, em 1864, a famosa expressão 'POÈTE MAUDIT' para aqueles poetas que enfrentaram as inúmeras interdições existentes no mundo dos bem-aventurados e burocratas da vida, a saber os convencionalismos literários e sociais, além, claro, das censuras provenientes de tais enfrentamentos.

Rimbaud por Verlaine
Um Hino à Marginalidade Poética
A voz dos botequins, a lama das sarjetas,
Os plátanos largando no ar as folhas pretas,
O ônibus, furacão de ferragens e lodo,
Que entre as rodas se empina e desengonça todo,
Lentamente, o olhar verde e vermelho rodando,
Operários que vão para o grêmio fumando
Cachimbo sob o olhar de agentes de polícia,
Paredes e beirais transpirando imundícia,
A enxurrada entupindo o esgoto, o asfalto liso,
Eis meu caminho – mas no fim há um paraíso.
A tradução é de Guilherme de Almeida publicada por Beatniks Cuiaba
Verlaine em um café, fotografia de Dornac, publicada por Taringa
Meu Sonho Familiar
Muitas vezes, o sonho estranho me surpreende
de uma ignota mulher que eu amo e que me adora,
e que a mesma não é, certamente, a toda hora,
não sendo outra, porém, e me ama e me compreende.
de uma ignota mulher que eu amo e que me adora,
e que a mesma não é, certamente, a toda hora,
não sendo outra, porém, e me ama e me compreende.
Todo o meu coração deixo que ela o desvende.
Ela somente o faz transparente e o avigora,
E se eu sofro, se a dor minha fronte descora,
ela é o consolo ideal que sobre mim se estende.
Ela somente o faz transparente e o avigora,
E se eu sofro, se a dor minha fronte descora,
ela é o consolo ideal que sobre mim se estende.
É ela trigueira, ou loira, ou ruiva? – Eu o ignoro.
Seu nome? Apenas sei que ele é doce e sonoro
como o de quem se amou e da vida fugiu.
Seu nome? Apenas sei que ele é doce e sonoro
como o de quem se amou e da vida fugiu.
Seu olhar, como o olhar de uma estátua, é sem alma,
e tem na sua voz, grave, longínqua e calma,
a inflexão de uma voz cara que se extingiu.
e tem na sua voz, grave, longínqua e calma,
a inflexão de uma voz cara que se extingiu.
A tradução é de Onestaldo de Pennafort publicada por Escamandro
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