Varoufakis pede “devolução” aos bancos centrais do euro (veja como foi o dia)
Ministro das Finanças vai pedir ao Eurogrupo que os bancos centrais do euro devolvam 1,9 mil milhões que terão ganho em dívida grega. Tsipras diz não ter medo das bolsas.
A bolsa de Atenas está a cair há três sessões consecutivas, desde que na quarta-feira o BCE deixou de aceitar a dívida pública grega como garantia, e asperdas estão esta segunda-feira a acentuar-se, depois de o primeiro-ministro Alexis Tsipras ter dito que a decisão de cumprir com as promessas eleitorais é “irrevogável”. Em dia de reunião dos ministros das Finanças do G20, o governo alemão volta a dizer que “a Grécia tem de cumprir o programa, como acordado“.
Com o índice de ações FTASE a cair mais de 6%, os investidores estão, também, a castigar os títulos de dívida grega que são negociados no mercado. A taxa a três anos superou, pela primeira vez desde a reestruturação de março de 2012, os 20%. Em Viena, Alexis Tsipras diz que “quem apostar no fracasso da Grécia está a brincar com o fogo“.
Juros a três anos acima dos 20%
Os investidores estão a negociar dívida grega a três anos com uma taxa superior a 20%. Fonte: Bloomberg
Em dia de reunião dos ministros das Finanças do G20, que será seguida por uma reunião do Eurogrupo na quarta-feira, uma porta-voz do Ministério das Finanças alemão, Marianne Kothe, afirmou que “a Grécia é livre para fazer propostas concretas” nessa reunião dos ministros das Finanças da zona euro. Mas deixou o alerta: “a Grécia deve concluir o programa como acordado”.
Segundo a Bloomberg, Yanis Varoufakis já tem uma proposta para levar ao Eurogrupo: quer um financiamento intercalar de 10 mil milhões até junho, incluindo uma emissão de Bilhetes de Tesouro e que os bancos centrais da zona euro “devolvam” 1,9 mil milhões de “lucros” que terão realizado através das aplicações realizadas em títulos de dívida da Grécia
Hoje também, Wolfgang Schäuble repetiu a mensagem alemã: “Não estamos a forçar ninguém a ter um programa”, mas “sem um programa será muito difícil para a Grécia — não sei como irão reagir os mercados financeiros”.
Alexis Tsipras afirmou no domingo, no Parlamento grego, que Atenas está à procura de um programa ponte que permita o financiamento do país até junho. O primeiro-ministro grego disse que acredita que o acordo para o programa transitório vai ser alcançado em 15 dias, que a decisão de cumprir com as promessas eleitorais é “irrevogável” e que “a crise precisa de uma solução europeia”.
“O programa que [Tsipras] apresentou ontem [domingo] parece ser mais um rasgar unilateral das condições ao abrigo das quais a Grécia recebeu 260 mil milhões de euros em ajuda financeira nos últimos cinco anos, pelo que o discurso levará, certamente, a um choque de posições nas próximas reuniões do Eurogrupo“, afirma Christian Schulz, economista do Berenberg Bank. Temendo este “choque de posições”, a bolsa de Atenas está a cair mais de 6% e aproxima-se dos mínimos atingidos na semana que se seguiu à vitória do Syriza nas eleições.
Bolsa de Atenas cai mais de 6%
A bolsa de Atenas está a reaproximar-se dos mínimos fixados na primeira semana após as eleições. Fonte: Bloomberg
À margem da reunião dos responsáveis do G20, o presidente do Instituto de Finanças Internacionais (IIF), Timothy D. Adams, disse à CNBC que “ainda há uma oportunidade para que todas as partes tenham uma negociação, mas julgo que esta oportunidade está a estreitar-se muito rapidamente, portanto vamos esperar que consigamos encontrar um caminho para resolver esta questão”.
Mas o que é necessário para resolver o problema? “Cabeças frias”, afirma Timothy D. Adams. “É preciso controlar a retórica, arregaçar as mangas e trabalhar numa solução”, atira.
O Observador acompanhou, em liveblog, os últimos desenvolvimentos do primeiro dia de uma semana decisiva para a Grécia e para a zona euro. Veja como foi o dia.
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