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terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

UMA TALHADA DE MELANCIA FOI A CAUSA DE UMA INVASÃO DOS EUA AO PANAMÁ - O "incidente da fatia de melancia" é talvez uma das causas mais ridículas da história pelas quais um país invadiu o outro. O incidente aconteceu em 15 de abril de 1856 quando um homem estadounidense chamado Jack Olivier saiu para caminhar com seus amigos depois de uma noitada de festa.

O "incidente da fatia de melancia" é talvez uma das causas mais ridículas da história pelas quais um país invadiu o outro. O incidente aconteceu em 15 de abril de 1856 quando um homem estadounidense chamado Jack Olivier saiu para caminhar com seus amigos depois de uma noitada de festa.


A fatia de melancia que desatou uma invasão estadunidense ao Panamá
Totalmente alcoolizado e com uma atitude prepotente pegou uma fatia de melancia na barraca de José Manuel Lua, um vendedor local. Depois de ver isto, o comerciante pediu os 5 centavos que custava a fatia. Jack Olivier respondeu com um insulto. Isto gerou um grande alvoroço, já que Olivier e seus amigos sacaram uma pistola e uma faca. Mas em vez de intimidar-se, a população local, que carregava grande ressentimento devido aos problemas econômicos que a Ferrovia do Panamá tinha trazido aos comerciantes e camponeses locais da cidade do Panamá -que nessa época era ainda parte da República de Nova Granada- se apressou a defender ao vendedor de rua. Foi neste justo instante que chegava à estação ferroviária do istmo do Panamá um trem proveniente da cidade de Colon com aproximadamente mil estadunidenses, que por suposto saíram em defesa de Olivier e seus amigos. Prontamente a disputa se converteu em uma batalha campal de disparos e pedradas.

Superados em número os estadunidenses se protegeram usando a estação ferroviária como barreira, os panamenhos, enfurecidos, seguiram incendiando todos os lugares onde encontravam os americanos. Mas prontamente isto deixou de ser uma briga entre civis, já que terminaram envolvendo a polícia panamenha, que se uniu com os granadenses. Do outro lado, um pequeno destacamento militar dos Estados Unidos com base na região se uniu a seus compatriotas. Devido as armas e quantidade de munição que ambos tinham -os estadunidenses inclusive contavam com um canhão- o conflito durou três dias. Período no qual os distúrbios foram se generalizando e levando a que incendiassem as casas dos norte-americanos tanto nessa cidade quanto em Colon a 92 quilômetros. Como resultado: 18 mortos e 28 feridos entre ambos grupos.

Depois de uma mediação, que deu um salvo-conduto aos estadunidenses para que se retirassem pacificamente, deu início a uma forte série de problemas internacionais. Conquanto ambos governos trocavam culpas mutuamente, isto deu aos Estados Unidos a oportunidade que estavam buscando. Dois meses mais tarde o comissionado estadunidense Amos Corwine sugeriu a invasão ao istmo de Nova Granada, já que, segundo suas palavras, o governo granadense era incapaz de proteger os interesses estadunidenses na região. Motivo pelo qual, e sem demorar muito, em setembro desse ano uma força invasora tomou o controle da estação de ferroviária. A invasão durou pouco, só três dias, já que as autoridades locais aceitaram os termos de um acordo.
A fatia de melancia que desatou uma invasão estadunidense ao Panamá
Um ano mais tarde assinaram o Tratado Herrán-Cass, onde Nova Granada devia se declarar culpada do incidente e teve que pagar 412 mil dólares estadunidenses em ouro aos Estados Unidos -uma imensa fortuna para aquela época e um país tão pobre- e ceder o controle de várias ilhas costeiras para que os Estados Unidos pudesse instalar bases navais. Conjuntamente a isto, o Estados Unidos citou o artigo 35 do Tratado Mallarino-Bidlack, pelo qual Nova Granada devia, dali em diante, permitir a intervenção militar estadunidense na região. Intervenções que se estenderam até o século XX.


http://www.mdig.com.br/

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