William Henry Schmidt e o interior do Túnel do Burro
No final de 1890 Schmidt estava trabalhando para a Kern County Land Co. em Bakersfield, Califórnia. Uma das grandes mineiradoras que exploravam o ferro da zona. A princípio, a doença de Schmidt traduzia em ineficácia sua rentabilidade no trabalho. Pouco a pouco, a a baixa umidade do local foi moderando sua tuberculose e permitiu que saísse do trabalho por conta alheia para alimentar sua particular febre dourada.
Estado atual da entrada do Túnel do Burro
Vista aérea da montanha atravessada pelo Túnel do Burro
Por isso "Burro" Schmidt, após assentar-se em seu filão durante dois anos nos quais construiu uma mini cabana com madeira secas e pequenos trilhos de ferro; decidiu criar um atalho na sua rota para o destino. Por que não traçar, em segredo, um túnel direto até o outro lado da montanha evitando o perigoso desfiladeiro?
A escavação começou, com um par de martelos e um velha picareta, em 1900 quando Schmidt tinha 29 anos e se prolongou durante 38 anos até meados de 1938 (66 anos). Jack e Jenny (os jumentos) foram seus únicos colegas durante estes anos, mas devido a seu péssimo estado nem sequer colaboraram com a extração de escombros, sendo estes carregados em sua totalidade pelo único asno que sobrara.
William Henry Schmidt sentado próximo da sua cabana.
O túnel tinha (e tem) uma altura de 1,80 metros com uma largura de até 5 metros (em algum trecho) com um comprimento total de quase 800 metros. Ao final a altura do túnel é menor conforme as forças e a coluna de seu escultor iam decaindo pela idade. Reto em sua totalidade com um par de cotovelos ao final como buscando desesperadamente a saída. Não precisava escoras de madeira pois foi escavado em rocha pura. A dureza extrema de suas paredes requeria dinamite para poder transpô-los. Schmidt sacrificou parte de seus rendimentos na compra de explosivos, mas estes nunca foram suficientes para arrebentar a rocha com garantias. Quanto mais profundo o túnel, mais perigosas se tornavam as explosões porque costumavam pegar Schmidt ainda dentro da galeria, incapaz (pelos curtos estopins) de correr o suficiente para escapar da onda explosiva.
Estado atual da cabana de William Henry Schmidt.
Conforme o tempo foi passando, a vontade de atravessar a montanha foi transformando-se em uma obsessão. Schmidt dedicava mais tempo à galería que à extração do ouro. O empenho em ver a luz no outro extremo do passadiço era somente comparável ao tamanho de sua solidão e sua iniciativa que, incomprendida, ajudou a forjar a lenda. A temperatura constante no interior (22ºC ) convertiam o túnel no melhor dos refúgios em frente às duras condições do deserto (50ºC) e Schmidt costumava viver e pernoitar, picareta em mãos, no extremo mais profundo de sua obra.
Interior da cabana de William Henry Schmidt.
"Burro" Schmidt perdeu-se... a Primeira Guerra Mundial, a grande queda da bolsa e a posterior depressão. Sua desgraça e infortúnio foi a chegada, em 1930, da ferrovia para passar pelo canyon que ele mesmo pretendia salvar com seu túnel. Incompreensivelmente e ferido em seu orgulho Schmidt continuou 8 anos mais até ver realizado o seu sonho.
Calculando volumétricamente e a posteriori a quantidade de rocha extraída da galeria; pesquisadores concluíram que Schmidt extraiu ao todo 5.800 toneladas de pedras; 450 quilos ao dia, em média, durante os 38 anos que durou tão singular desafio. Mais de 70.000 horas de trabalhos forçados voluntários.
"Burro" Schmidt morreu em janeiro de 1954 com 83 anos e inconsciente de sua façanha. Sua cabana e o túnel (no meio do nada) são mantidos intactos e custodiados por uma velha e enigmática servidora pública do estado que (re)viveu em solidão os velhos fantasmas que assolaram a mente de Schmidt. Próximo a (intacta) cabine construida por Schmidt, a senhora Tonie Seger distribui um anedotário em um ambiente com bagunçados instrumentos de mais de 70 anos misturados com revistas modernas e velhos papéis que forram as paredes protegendo o local do mesmo calor sofrido em seu dia pelo senhor William Henry Schmidt "o Burro".
Calculando volumétricamente e a posteriori a quantidade de rocha extraída da galeria; pesquisadores concluíram que Schmidt extraiu ao todo 5.800 toneladas de pedras; 450 quilos ao dia, em média, durante os 38 anos que durou tão singular desafio. Mais de 70.000 horas de trabalhos forçados voluntários.
"Burro" Schmidt morreu em janeiro de 1954 com 83 anos e inconsciente de sua façanha. Sua cabana e o túnel (no meio do nada) são mantidos intactos e custodiados por uma velha e enigmática servidora pública do estado que (re)viveu em solidão os velhos fantasmas que assolaram a mente de Schmidt. Próximo a (intacta) cabine construida por Schmidt, a senhora Tonie Seger distribui um anedotário em um ambiente com bagunçados instrumentos de mais de 70 anos misturados com revistas modernas e velhos papéis que forram as paredes protegendo o local do mesmo calor sofrido em seu dia pelo senhor William Henry Schmidt "o Burro".
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